Caramba, como se paga um preço alto por estar em um novo contexto e muitas vezes não ter a quem perguntar certas coisas, não? Como, por exemplo, é caro o tempo gasto, o esforço dispendido, o dinheiro investido em algo que é necessário mas que, por não sabermos a forma certa, acabamos tendo que sempre dar algo mais (correndo o risco de não ter exatamente o desejado).
Hoje, por exemplo, chegou um cara novo na casa. Porque sei que ele acabou de chegar do Brasil e conversando soube que ele não fala o italiano, comecei a conversar com ele e contar um pouco da vida por aqui. Fiz um lanche pra nós e fomos falando sobre o que eu já vi que funciona, e o que não é tão simples (embora pareça inicialmente ridículo) e, de repente, ele abre a garrafinha de água que comprou e nota que ela tem água frizzante (que é o nome em italiano da "água com gás"). O lance é que ele detesta essa água e comprou uma dúzia delas... imagina a alegria dele ao ver que esse primeiro deslize por ignorar o idioma é um prenúncio do que virá nos próximos meses...
Para consolá-lo, compartilhei que hoje tive que torcer as roupas que lavei na mão, já que no ciclo normal de lavagem elas não ficaram bem centrifugadas. Mas aí você me pergunta: por que raios você não tentou centrifugar de novo? Pois é... eu tentei, e pelo que vi nas "instruções" da lavatrice (máquina de lavar) tinha mesmo um modo só pra isso, mas pergunta se ele funcionou? Perguntei então a uma pessoa da equipe pelo whatsapp se ela sabia como fazer... e a resposta foi que ela se compadecia muito da minha próxima tarefa, que seria torcer as roupas (que incluíam um cobertor) na mão. Ou seja, eu mesma paguei pela ignorância de não saber usar o equipamento e não ter a quem perguntar (que soubesse).
Muitas vezes também isso acaba acontecendo porque nos limitamos por orgulho, por imprudência ou mesmo por falta de oportunidade, e isso nos complica a vida por demais. Por exemplo, hoje dando as primeiras instruções sobre como algumas coisas funcionam, sobre que aplicativos no celular podem ser úteis, como pegar metrô, como comprar comida, que tipo de mercado funciona melhor ou pior, vi o quanto claramente já aprendi, mas também vi o quanto tem um custo abrir caminho para outros. Sim, o preço é mais alto, mas a satisfação é proporcional, e eu fico feliz de ver que posso ajudar algumas pessoas com o pouco que tenho aprendido por aqui. Aliás, espero com esses relatos ajudar muito mais gente de um modo mais prático, já que pra algumas coisas a desinformação impera por aqui.
Por exemplo, hoje contei pro rapaz que por aqui o povo não joga papel higiênico na lixeira, deixando-a apenas para artigos como absorventes. Ele ficou meio chocado porque não consegue entender como o povo prefere lidar com canos entupidos do que com cestinhos cheios de papel (nojento, é verdade, mas em uma proporção muito menor do que o que os esgotos podem proporcionar quando entupidos). A conversa foi embora, e foi interessante ver a percepção de quem está chegando agora. E eu entendi que, uma vez estando aqui, preciso ajudar outros que ainda estão por vir, e que mais do que nunca, é importante me preparar para receber outros, sejam visitantes, sejam futuros moradores, sejam apenas italianos que fiquem por aqui por pouco tempo. Dessa forma, espero poder expressar o cuidado de Jesus com aqueles que, perdidos, nem sempre tem o necessário a dar para pagar esse preço tão alto que a ignorância cobra.
terça-feira, 8 de novembro de 2016
Chineses, coreanos e a língua do P
Quando a gente muda pra um país com outro idioma, a gente se sente como que tendo uma língua única, exclusiva, e se sente muito mais à vontade para expor um montes de coisas que não o faria em público em sua terra natal. Coisas como "nossa, que fedido!" ou "caramba, não tem como ser mais rápido?" que muitas vezes as pessoas pensam mas não tem coragem de verbalizar porque acham que vão escandalizar ou ofender, e acabam guardando pra si mesmas, mas que, em uma terra de língua estranha, acabam sendo verbalizadas, já que o primeiro pensamento é "ninguém vai entender mesmo..."
O grande lance é que hoje em dia existem tantas pessoas rodando o mundo de tantas formas, por tantos motivos, e em tantas ocasiões que não tem como garantir que a pessoa ao seu lado não fala a sua língua. Ou seja, no fim das contas, ao invés da gente estar mesmo falando uma espécie de língua secreta, a gente está mesmo é se acabando e se achando super importante falando algo como a infantil "língua do P". Aquela mesmo, que a gente achava que era super secreta e que só a gente entendia, mas que no fim todo mundo estava entendendo e fingia que não só pra não magoar os nossos sentimentos ingênuos sobre o nosso "segredo".
O grande problema disso é que, em primeiro lugar, somos adultos, e faz sentido agirmos como tal. E ser adulto é, em princípio, assumir uma postura madura de que é necessário cuidar para que os outros sintam-se acolhidos pela sua presença, e não repelidos. Claro que esse é um conceito meu que está relacionado a procurar expressar o amor de Cristo. Não podemos julgar os outros, e na verdade, todo cristão tem por missão geral incluir o próximo no amor do Pai, e isso só pode acontecer quando a pessoa se sente acolhida, amada de verdade, e não é falando um outro idioma perto dela que isso vai acontecer. Isso não pode ser confundido com procurar agradar a qualquer custo, porque isso é outro papo, mas definitivamente passa por se preocupar com o sentimento alheio em relação aos nossos usos e costumes, nossos hábitos e nossa cultura, sem deixar de lado nossos princípios.
Um parêntese: quando fui a Londres pela primeira vez, eu não tinha compreensão de que falava inglês de modo tão desembaraçado quanto falo, e por isso era muito tímida, e tudo o que eu tinha a dizer eu pedia pra pessoa ao meu lado (por alguns dias, até que eu cansei e tentei por mim mesma, e no fim foi a melhor coisa que fiz). Nesse tempo em que eu dependia de outros, eu comecei a me lembrar daqueles chineses e coreanos que estão espalhados por São Paulo, e que falam a sua própria língua, independente de quem esteja do lado. Acho que isso traz uma segurança de se sentir livre, e ao mesmo tempo, o conforto de saber que não vai dizer nada que não queria para quem é mais próximo de você. Por outro lado, soa muito rude da parte deles, e gera sempre uma desconfiança que não ajuda em nada.
Entendendo os dois lados, claro que fico entre a cruz e a caldeirinha, mas sendo bem honesta comigo mesma, e com o que viemos fazer aqui, precisamos a todo custo falar apenas em italiano pelas ruas. Não adianta usar desculpas: elas só atrapalham e adiam aquilo que nos propusemos a fazer, que é anunciar (portanto, falar) as Boas Novas do Senhor!
O grande lance é que hoje em dia existem tantas pessoas rodando o mundo de tantas formas, por tantos motivos, e em tantas ocasiões que não tem como garantir que a pessoa ao seu lado não fala a sua língua. Ou seja, no fim das contas, ao invés da gente estar mesmo falando uma espécie de língua secreta, a gente está mesmo é se acabando e se achando super importante falando algo como a infantil "língua do P". Aquela mesmo, que a gente achava que era super secreta e que só a gente entendia, mas que no fim todo mundo estava entendendo e fingia que não só pra não magoar os nossos sentimentos ingênuos sobre o nosso "segredo".
O grande problema disso é que, em primeiro lugar, somos adultos, e faz sentido agirmos como tal. E ser adulto é, em princípio, assumir uma postura madura de que é necessário cuidar para que os outros sintam-se acolhidos pela sua presença, e não repelidos. Claro que esse é um conceito meu que está relacionado a procurar expressar o amor de Cristo. Não podemos julgar os outros, e na verdade, todo cristão tem por missão geral incluir o próximo no amor do Pai, e isso só pode acontecer quando a pessoa se sente acolhida, amada de verdade, e não é falando um outro idioma perto dela que isso vai acontecer. Isso não pode ser confundido com procurar agradar a qualquer custo, porque isso é outro papo, mas definitivamente passa por se preocupar com o sentimento alheio em relação aos nossos usos e costumes, nossos hábitos e nossa cultura, sem deixar de lado nossos princípios.
Um parêntese: quando fui a Londres pela primeira vez, eu não tinha compreensão de que falava inglês de modo tão desembaraçado quanto falo, e por isso era muito tímida, e tudo o que eu tinha a dizer eu pedia pra pessoa ao meu lado (por alguns dias, até que eu cansei e tentei por mim mesma, e no fim foi a melhor coisa que fiz). Nesse tempo em que eu dependia de outros, eu comecei a me lembrar daqueles chineses e coreanos que estão espalhados por São Paulo, e que falam a sua própria língua, independente de quem esteja do lado. Acho que isso traz uma segurança de se sentir livre, e ao mesmo tempo, o conforto de saber que não vai dizer nada que não queria para quem é mais próximo de você. Por outro lado, soa muito rude da parte deles, e gera sempre uma desconfiança que não ajuda em nada.
Entendendo os dois lados, claro que fico entre a cruz e a caldeirinha, mas sendo bem honesta comigo mesma, e com o que viemos fazer aqui, precisamos a todo custo falar apenas em italiano pelas ruas. Não adianta usar desculpas: elas só atrapalham e adiam aquilo que nos propusemos a fazer, que é anunciar (portanto, falar) as Boas Novas do Senhor!
domingo, 6 de novembro de 2016
Um mês de Italia - primeiro balanço
E de repente, passou um mês. Ok, eu sei que não escrevi tudo na ordem, mas decidi que é melhor escrever mesmo fora de ordem do que simplesmente deixar passar. Aliás, eu contei aqui que nos últimos dias não tenho mantido a ordem pra ser honesta com quem venha a ler, mas é o tipo da coisa que se eu não conto, pouca gente (ou quase ninguém) vai notar, e de verdade, eu poderia cumprir meu papel assim. Mas, isso nos leva ao primeiro aprendizado do período.
Uma das coisas que vejo como fundamentais pra que isso funcione é o fato de ter alguém pra prestar contas. Viver no exterior, morar "sozinha", não ter pessoas ao redor em situações fundamentais, nos dá uma liberdade que, pra quem nunca teve, pode ser benção ou maldição. Exagero? Talvez, mas pense nas vezes em que você, morando sozinho, decidiu não ir ao supermercado simplesmente porque podia não ir. E lembre-se quantas dessas vezes algumas horas depois você se arrependeu da decisão simplesmente porque lembrou em um momento prático de que seu papel higiênico acabou, e que ir ao mercado não era apenas um passeio para adquirir gordices... ter a quem prestar contas (claro, não do papel higiênico mas em geral) pode ajudar demais a pessoa a se organizar, se forçando a ser alguém que sempre considera um outro alguém na sua rotina, o que faz com que sua visão saia do seu próprio umbigo e as coisas funcionem melhor pra todo mundo.
Outra coisa: o italiano (brasileiro que mora na Italia costuma ter o mesmo hábito) gosta de reclamar e ponto. Não importa se você tem motivos ou não, o barato é reclamar de alguma coisa. Se não tiver nada, o italiano é capaz de reclamar (mesmo que discretamente) da sua sombra, ou de que esqueceu de algo, ou simplesmente de qualquer nuance que ele mesmo possa considerar pra reclamar. Isso é uma escolha cultural, e não é reclamando do hábito deles de reclamar que vamos mudar alguma coisa. Portanto, identificar isso e sempre levar em oração a Deus é fundamental para não se tornar também alguém que fica preso em reclamações constantes.
Uma coisa que assusta (pra mim pelo menos) é como a cidade muda com as estações. No verão, o sol nasce muito cedo e demora loucamente para se por (o que me traz uma alegria imensurável no coração), mas vai avançando o outono, e você percebe que 17:30 já está tão escuro em Milano quanto estaria às 22 em São Paulo. Estranhíssimo, e é algo que, pra mim, é o mais difícil até o momento de lidar com elegância. Isso sempre me confunde o cérebro, e eu acabo achando que está muito mais tarde do que de fato está. Então me meto numa atividade no computador, e quando vou ver, está muito mais tarde do que eu gostaria. Com isso ainda não aprendi a lidar do jeito adequado. Veremos no balanço do próximo mês.
De resto, por enquanto, a chuva já não me incomoda como me incomodava em São Paulo (e mesmo não tendo carro uso a capa de chuva e minha botinha própria para a neve e fico sequinha e feliz) e o frio idem. Isso realmente é uma vitória e tanto pra quem tinha vontade de chorar só de ouvir que a temperatura ia ser menor do que 17 graus em Sampa. Na verdade, pra mim uma enorme conquista!
Morar em um lugar com pessoas desconhecidas tem seus desafios, mas percebo também que quando Deus nos coloca num contexto, a paz interior de estar no lugar certo acaba substituindo o restante, e mesmo os desconfortos são dribláveis.
Amo uma série de coisas da culinária aqui, mas senti falta de tapioca, até que achei um lugar pra comprar e descobri que por aqui é quase impossível não encontrar algo que se queira muito de verdade, e com isso também foi mais simples fazer adaptação da alimentação. Isso e o fato de que achei com menos dificuldade itens sem gluten para comprar no mercado, o que realmente tem me ajudado muito.
Lidar com a falta da família e de alguns queridos é uma constante, e é algo que não pode se tornar um fardo. Ao mesmo tempo que é preciso queimar a ponte com o passado (no sentido de olhar daqui em diante apenas) tem certas notícias que vem do Brasil que abalam, e é essencial saber entregá-las a Deus e buscar ajuda com pessoas confiáveis pra lidar de modo sereno e firme, deixando na posição correta tudo o que acontece aqui e lá.
Por fim, os dias aqui passam rápido demais, praticamente voam, e esse é um desafio tenso porque, quando se vai ver, já passou o dia, já passou a hora, e o resultado prático pode ser frustrante. Aprender a lidar com o tempo é fundamental e com certeza fará toda a diferença nesse processo daqui em diante. Ainda tenho muito a aprender nesse sentido, mas confio que Deus trará o necessário para que tudo corra bem.
Sendo assim, os primeiros 30 dias pra mim foram excepcionais. Saldo final: fora a coluna cervical machucada, só ganhos, seja pelas alegrias, seja pelos aprendizados. Agradeço a Deus por esse primeiro mês de muitos, pelo primeiro mês de uma nova etapa da minha vida, graças a Deus!
Uma das coisas que vejo como fundamentais pra que isso funcione é o fato de ter alguém pra prestar contas. Viver no exterior, morar "sozinha", não ter pessoas ao redor em situações fundamentais, nos dá uma liberdade que, pra quem nunca teve, pode ser benção ou maldição. Exagero? Talvez, mas pense nas vezes em que você, morando sozinho, decidiu não ir ao supermercado simplesmente porque podia não ir. E lembre-se quantas dessas vezes algumas horas depois você se arrependeu da decisão simplesmente porque lembrou em um momento prático de que seu papel higiênico acabou, e que ir ao mercado não era apenas um passeio para adquirir gordices... ter a quem prestar contas (claro, não do papel higiênico mas em geral) pode ajudar demais a pessoa a se organizar, se forçando a ser alguém que sempre considera um outro alguém na sua rotina, o que faz com que sua visão saia do seu próprio umbigo e as coisas funcionem melhor pra todo mundo.
Outra coisa: o italiano (brasileiro que mora na Italia costuma ter o mesmo hábito) gosta de reclamar e ponto. Não importa se você tem motivos ou não, o barato é reclamar de alguma coisa. Se não tiver nada, o italiano é capaz de reclamar (mesmo que discretamente) da sua sombra, ou de que esqueceu de algo, ou simplesmente de qualquer nuance que ele mesmo possa considerar pra reclamar. Isso é uma escolha cultural, e não é reclamando do hábito deles de reclamar que vamos mudar alguma coisa. Portanto, identificar isso e sempre levar em oração a Deus é fundamental para não se tornar também alguém que fica preso em reclamações constantes.
Uma coisa que assusta (pra mim pelo menos) é como a cidade muda com as estações. No verão, o sol nasce muito cedo e demora loucamente para se por (o que me traz uma alegria imensurável no coração), mas vai avançando o outono, e você percebe que 17:30 já está tão escuro em Milano quanto estaria às 22 em São Paulo. Estranhíssimo, e é algo que, pra mim, é o mais difícil até o momento de lidar com elegância. Isso sempre me confunde o cérebro, e eu acabo achando que está muito mais tarde do que de fato está. Então me meto numa atividade no computador, e quando vou ver, está muito mais tarde do que eu gostaria. Com isso ainda não aprendi a lidar do jeito adequado. Veremos no balanço do próximo mês.
De resto, por enquanto, a chuva já não me incomoda como me incomodava em São Paulo (e mesmo não tendo carro uso a capa de chuva e minha botinha própria para a neve e fico sequinha e feliz) e o frio idem. Isso realmente é uma vitória e tanto pra quem tinha vontade de chorar só de ouvir que a temperatura ia ser menor do que 17 graus em Sampa. Na verdade, pra mim uma enorme conquista!
Morar em um lugar com pessoas desconhecidas tem seus desafios, mas percebo também que quando Deus nos coloca num contexto, a paz interior de estar no lugar certo acaba substituindo o restante, e mesmo os desconfortos são dribláveis.
Amo uma série de coisas da culinária aqui, mas senti falta de tapioca, até que achei um lugar pra comprar e descobri que por aqui é quase impossível não encontrar algo que se queira muito de verdade, e com isso também foi mais simples fazer adaptação da alimentação. Isso e o fato de que achei com menos dificuldade itens sem gluten para comprar no mercado, o que realmente tem me ajudado muito.
Lidar com a falta da família e de alguns queridos é uma constante, e é algo que não pode se tornar um fardo. Ao mesmo tempo que é preciso queimar a ponte com o passado (no sentido de olhar daqui em diante apenas) tem certas notícias que vem do Brasil que abalam, e é essencial saber entregá-las a Deus e buscar ajuda com pessoas confiáveis pra lidar de modo sereno e firme, deixando na posição correta tudo o que acontece aqui e lá.
Por fim, os dias aqui passam rápido demais, praticamente voam, e esse é um desafio tenso porque, quando se vai ver, já passou o dia, já passou a hora, e o resultado prático pode ser frustrante. Aprender a lidar com o tempo é fundamental e com certeza fará toda a diferença nesse processo daqui em diante. Ainda tenho muito a aprender nesse sentido, mas confio que Deus trará o necessário para que tudo corra bem.
Sendo assim, os primeiros 30 dias pra mim foram excepcionais. Saldo final: fora a coluna cervical machucada, só ganhos, seja pelas alegrias, seja pelos aprendizados. Agradeço a Deus por esse primeiro mês de muitos, pelo primeiro mês de uma nova etapa da minha vida, graças a Deus!
Mais um pouco sobre Roma
Em tudo o que nos dispomos a fazer acabamos, se dermos a chance, aprendendo uma lição em Deus. Pra mim, honestamente, fazendo um balanço, o aprendizado maior foi mesmo ver que é possível ver Deus em todas as coisas, e que a minha alegria não pode estar nas coisas que acontecem, ou mesmo nas orações que Deus responde com o "sim" que espero, ou nos livramentos que Ele me permite viver. A minha alegria, acima de tudo, está (ou deveria estar) no caráter Dele, no amor Dele que me amou primeiro, mesmo antes de eu nascer. Nada, absolutamente nada deveria mudar essa percepção do amor Dele por mim em momento algum.
Na sexta-feira, ou seja, do primeiro para o segundo dia de Roma, comecei o dia mal. Isso porque quase não dormi nada, passei mal a noite toda (provavelmente com algo que comi) e não consegui dormir quase nada, no máximo uma hora e meia. Isso em geral costuma acabar com a minha disposição, mas eu sabia que esse não era o momento para ficar indisposta, afinal, quando mesmo poderei voltar ali? Pois é, essa até pode ser uma boa razão, mas não é a razão correta. Isso porque, se for assim, no dia em que eu não dormir bem e estiver em casa (ou em um canto menos confortável que isso), significa que tenho motivos pra me sentir mal? Hum... não, porque Deus é bom e me amou primeiro de qualquer modo, e porque não cai um fio de cabelo da minha cabeça sem a permissão e o conhecimento Dele. Seguindo o dia, comi pouco no café-da-manhã maravilhoso do hotel, o que me deixou meio chateada de não poder aproveitar aquela dádiva, mas era melhor do que estragar mais a coisa toda. Escolhas...
Saímos pra passear, e como comentei, gastamos um tempo precioso de conhecer lugares que queríamos conversando com um guia turístico que além de cometer práticas abusivas não nos ajudou em nada. Com isso ficamos sem tempo para conhecer a Capela Cistina, e é a segunda vez que vou a Roma e não consigo entrar pelo mesmo motivo.
Seguimos para o Colosseo (conhecido como Coliseu em português) e ao chegar ali conversamos com uma senhora que vendia o passeio guiado e falava em português brasileiro (o que pode fazer total diferença por aqui). Claro que quando comprei, entendi que o guia também falava português, e claro, o guia falava... espanhol... e me veio uma vontade tão intensa de chorar que pelos primeiros dez minutos eu não entendi praticamente nada do que ele disse. Sim, eu sei, eu preciso decidir não detestar mais esse idioma, mas até lá a vida segue e eu preciso aprender que a alegria não pode estar em ter que ouvir um idioma que eu gosto. Então, me decido a curtir a visita, e quando estou ali no meio do passeio, meu "amigo" Morelli do comune de Milano me liga dizendo que faltou um carimbo em um documento qualquer meu e isso me desanimou de novo... que chatice esse processo, cheio de vai e vem, coisa mais burocrática, demorada e chata! Enfim, a minha alegria não pode estar relacionada ao bom atendimento do serviço público da Itália (até porque acho que se depender disso serei infeliz com uma certa frequência), então decido lidar com isso quando é mais adequado: na segunda-feira. E sigo na visita.
Termina aquela primeira parte e estou caindo de fome, não só porque não dormi e comi pouco, mas porque me esvaziei durante a noite... enfim, sem mais detalhes, procuramos algo para eu comer, e o que eu encontrei foi um sanduichinho caro e bem sem gosto. Sim, encheu um pouco a barriga, mas serviu pra lembrar que a comida não pode ser a minha fonte de satisfação também, já que como pra viver e não o contrário.
Seguimos para o próximo passeio guiado e a segunda guia também fala espanhol, mas mais baixo e com um sotaque italiano esquisitíssimo, o que é bem estranho, lembrando um carioca tentando falar outro idioma... claro, na linha de não se irritar com o espanhol, sigo decidindo que aquilo não me afeta, e vamos adiante curtindo o passeio. Ao final, demoramos pra achar a saída da parte de ruínas de Roma, e rodamos um bom tanto. Eu estava cansada, e a unha do meu dedo do meio do pé direito começou a reclamar junto com o calor, mas e daí, quem nunca teve uma unha mal cortada irritando? Sigo grata pela oportunidade de ver tudo o que Paulo e outros apóstolos (e claro, Jesus) viram ali na antiguidade, e sigo sonhando acordada com o que era Roma naquela época de Cristo.
Ao terminarmos ali, a fome pega firme e realmente precisamos achar um canto pra comer. Entramos no metrô rindo e fazendo piadas e comentário sobre coisas até tristes que ouvimos, como por exemplo, os tipos de execução dos condenados no Colosseo, e decidimos seguir não pra direção do hotel, mas pro lado oposto, pra comer em um lugar que parecia legal. Quando saímos do metrô e eu começo a andar, noto que meu celular não está mais ali... e de repente, não só estou no prejuízo material como acabei de perder todas as fotos da viagem. Isso me deixou triste, e como eu estava com fome, não foi nada legal, mas eu entendi que o celular compra-se outro, e que dinheiro trabalha-se para ganhar e seguir a vida, e portanto nada deveria abalar aquele momento. Seguimos pro lugar em que decidimos comer, e realmente foi uma decepção, até porque não conseguimos comer nada ali... e a fome foi apertando, e com o horário também apertado, começou a surgir a possibilidade de não dar tempo de comer nada antes de embarcar no ônibus de volta. Então, decidi que não sofreria por antecedência, e mesmo querendo desistir da viagem de ônibus e comprar outro bilhete pra voltar de trem mais tarde (com um prejuízo enorme caso escolhesse essa opção), resolvi seguir adiante feliz porque, no fim das contas, Deus me ama e sinceramente, tudo o que preciso eu tenho, e aquilo não deveria ter o poder de me fazer perder a alegria.
Quando chegamos no hotel, pegamos as coisas e corremos pelo metrô lotado e mal cheiroso de Roma. Chegamos na estação e o que deu tempo foi de comprar 3 saquinhos de batatas fritas e duas garrafas de água, que foram alegremente consumidos no retorno dentro do ônibus. Ao entrarmos, vi que ele estaria bastante vazio pelas próximas 3 horas, e decidi esticar minhas pernas e aproveitar, comendo as batatinhas como se estivesse no sofá de casa. Até uma cobertinha que comprei na ida foi bem útil pro momento, e aquilo restaurou meu ânimo, e eu cheguei à conclusão de que mais uma vez deveria agradecer a Deus, e não ser tão dura comigo mesma, já que ainda habito nesse corpo de carne e sangue. E curti feliz minha viagem de oito horas em que por apenas 2 tive alguém ao meu lado. Mesmo chegando bem tarde e enfrentando um frio cruel dentro do ônibus nas duas horas finais, foi excelente perceber que Deus sempre nos ama, e eu cheguei em casa e descansei.
O resultado disso? Bom, coisas boas e coisas ruins acontecem. O ponto é: como eu decido lidar com cada uma das coisas muda tudo. Nesse dia em especial eu decidi lidar com gratidão e com a certeza de que Deus estava cuidando de tudo, e de fato, estava mesmo. Se eu tivesse decidido permanecer chateada, eu teria sucumbido e acabado com a viagem da irmãzinha, que no fim acho que conseguiu curtir bastante. Eu teria acabado com a minha viagem também, e eu curti bastante. Ou seja, as coisas do externo aconteceram, mas a tristeza teve pouco espaço, e minha vida seguiu bem, e feliz com Jesus. Melhor escolha!!!
Na sexta-feira, ou seja, do primeiro para o segundo dia de Roma, comecei o dia mal. Isso porque quase não dormi nada, passei mal a noite toda (provavelmente com algo que comi) e não consegui dormir quase nada, no máximo uma hora e meia. Isso em geral costuma acabar com a minha disposição, mas eu sabia que esse não era o momento para ficar indisposta, afinal, quando mesmo poderei voltar ali? Pois é, essa até pode ser uma boa razão, mas não é a razão correta. Isso porque, se for assim, no dia em que eu não dormir bem e estiver em casa (ou em um canto menos confortável que isso), significa que tenho motivos pra me sentir mal? Hum... não, porque Deus é bom e me amou primeiro de qualquer modo, e porque não cai um fio de cabelo da minha cabeça sem a permissão e o conhecimento Dele. Seguindo o dia, comi pouco no café-da-manhã maravilhoso do hotel, o que me deixou meio chateada de não poder aproveitar aquela dádiva, mas era melhor do que estragar mais a coisa toda. Escolhas...
Saímos pra passear, e como comentei, gastamos um tempo precioso de conhecer lugares que queríamos conversando com um guia turístico que além de cometer práticas abusivas não nos ajudou em nada. Com isso ficamos sem tempo para conhecer a Capela Cistina, e é a segunda vez que vou a Roma e não consigo entrar pelo mesmo motivo.
Seguimos para o Colosseo (conhecido como Coliseu em português) e ao chegar ali conversamos com uma senhora que vendia o passeio guiado e falava em português brasileiro (o que pode fazer total diferença por aqui). Claro que quando comprei, entendi que o guia também falava português, e claro, o guia falava... espanhol... e me veio uma vontade tão intensa de chorar que pelos primeiros dez minutos eu não entendi praticamente nada do que ele disse. Sim, eu sei, eu preciso decidir não detestar mais esse idioma, mas até lá a vida segue e eu preciso aprender que a alegria não pode estar em ter que ouvir um idioma que eu gosto. Então, me decido a curtir a visita, e quando estou ali no meio do passeio, meu "amigo" Morelli do comune de Milano me liga dizendo que faltou um carimbo em um documento qualquer meu e isso me desanimou de novo... que chatice esse processo, cheio de vai e vem, coisa mais burocrática, demorada e chata! Enfim, a minha alegria não pode estar relacionada ao bom atendimento do serviço público da Itália (até porque acho que se depender disso serei infeliz com uma certa frequência), então decido lidar com isso quando é mais adequado: na segunda-feira. E sigo na visita.
Termina aquela primeira parte e estou caindo de fome, não só porque não dormi e comi pouco, mas porque me esvaziei durante a noite... enfim, sem mais detalhes, procuramos algo para eu comer, e o que eu encontrei foi um sanduichinho caro e bem sem gosto. Sim, encheu um pouco a barriga, mas serviu pra lembrar que a comida não pode ser a minha fonte de satisfação também, já que como pra viver e não o contrário.
Seguimos para o próximo passeio guiado e a segunda guia também fala espanhol, mas mais baixo e com um sotaque italiano esquisitíssimo, o que é bem estranho, lembrando um carioca tentando falar outro idioma... claro, na linha de não se irritar com o espanhol, sigo decidindo que aquilo não me afeta, e vamos adiante curtindo o passeio. Ao final, demoramos pra achar a saída da parte de ruínas de Roma, e rodamos um bom tanto. Eu estava cansada, e a unha do meu dedo do meio do pé direito começou a reclamar junto com o calor, mas e daí, quem nunca teve uma unha mal cortada irritando? Sigo grata pela oportunidade de ver tudo o que Paulo e outros apóstolos (e claro, Jesus) viram ali na antiguidade, e sigo sonhando acordada com o que era Roma naquela época de Cristo.
Ao terminarmos ali, a fome pega firme e realmente precisamos achar um canto pra comer. Entramos no metrô rindo e fazendo piadas e comentário sobre coisas até tristes que ouvimos, como por exemplo, os tipos de execução dos condenados no Colosseo, e decidimos seguir não pra direção do hotel, mas pro lado oposto, pra comer em um lugar que parecia legal. Quando saímos do metrô e eu começo a andar, noto que meu celular não está mais ali... e de repente, não só estou no prejuízo material como acabei de perder todas as fotos da viagem. Isso me deixou triste, e como eu estava com fome, não foi nada legal, mas eu entendi que o celular compra-se outro, e que dinheiro trabalha-se para ganhar e seguir a vida, e portanto nada deveria abalar aquele momento. Seguimos pro lugar em que decidimos comer, e realmente foi uma decepção, até porque não conseguimos comer nada ali... e a fome foi apertando, e com o horário também apertado, começou a surgir a possibilidade de não dar tempo de comer nada antes de embarcar no ônibus de volta. Então, decidi que não sofreria por antecedência, e mesmo querendo desistir da viagem de ônibus e comprar outro bilhete pra voltar de trem mais tarde (com um prejuízo enorme caso escolhesse essa opção), resolvi seguir adiante feliz porque, no fim das contas, Deus me ama e sinceramente, tudo o que preciso eu tenho, e aquilo não deveria ter o poder de me fazer perder a alegria.
Quando chegamos no hotel, pegamos as coisas e corremos pelo metrô lotado e mal cheiroso de Roma. Chegamos na estação e o que deu tempo foi de comprar 3 saquinhos de batatas fritas e duas garrafas de água, que foram alegremente consumidos no retorno dentro do ônibus. Ao entrarmos, vi que ele estaria bastante vazio pelas próximas 3 horas, e decidi esticar minhas pernas e aproveitar, comendo as batatinhas como se estivesse no sofá de casa. Até uma cobertinha que comprei na ida foi bem útil pro momento, e aquilo restaurou meu ânimo, e eu cheguei à conclusão de que mais uma vez deveria agradecer a Deus, e não ser tão dura comigo mesma, já que ainda habito nesse corpo de carne e sangue. E curti feliz minha viagem de oito horas em que por apenas 2 tive alguém ao meu lado. Mesmo chegando bem tarde e enfrentando um frio cruel dentro do ônibus nas duas horas finais, foi excelente perceber que Deus sempre nos ama, e eu cheguei em casa e descansei.
O resultado disso? Bom, coisas boas e coisas ruins acontecem. O ponto é: como eu decido lidar com cada uma das coisas muda tudo. Nesse dia em especial eu decidi lidar com gratidão e com a certeza de que Deus estava cuidando de tudo, e de fato, estava mesmo. Se eu tivesse decidido permanecer chateada, eu teria sucumbido e acabado com a viagem da irmãzinha, que no fim acho que conseguiu curtir bastante. Eu teria acabado com a minha viagem também, e eu curti bastante. Ou seja, as coisas do externo aconteceram, mas a tristeza teve pouco espaço, e minha vida seguiu bem, e feliz com Jesus. Melhor escolha!!!
sábado, 5 de novembro de 2016
Aprendizados sobre Roma
Pois é, me meti a ir a um lugar com terremotos bem perto dali. E sim, saí viva. E mais: foi sensacional! Claro, não dei a louca e saí decidida a me enfiar num canto que teve terremotos próximos só pela emoção de brincar de roleta russa, até porque, como sempre "brinco", tenho uma filha pra criar e ainda filhos a fazer, então não posso me meter em qualquer encrenca. O fato é que um irmão da equipe tinha ido bem recentemente a Roma porque precisou resolver uma questão e com isso acabou confirmando que as coisas por ali estavam absolutamente normais, e com isso, aceitei o convite dessa irmã que, em princípio, foi para ter uma reunião de trabalho, mas acabou tendo bastante tempo livre e foi uma companhia excelente!
Como ela foi primeiro no dia anterior, eu encarei um trem bala saindo de Milano Centrale na quinta de manhã cedo. Isso foi bom porque, considerando a situação atual da minha coluna cervical, menos horas sentada sempre são um alívio. Além disso, o trem não balança e não pega buracos (por sinal, por aqui, nem os ônibus passam por isso quase), e isso ajuda demais a não enfrentar solavancos e ter uma viagem mais sossegada.
E esse é o lado muito gostoso de quem mora na Europa: é possível ir a uma série de lugares gastando bem pouco e curtindo horrores, vendo a história da humanidade, conhecendo cultura, aproveitando o país, e ao mesmo tempo entendendo que isso faz parte da vida do europeu comum. Sim, fazer missões na Europa dá ao missionário essa oportunidade, e sim, é bom demais poder dar uma esticadinha de um ou dois dias em uma cidade próxima para conhecer algo histórico ou simplesmente bonito mesmo. Por aqui, são duas coisas que existem às pencas.
Uma coisa que não muda na Itália (tem em Roma e tem em Milano pelo menos, só muda o formato): gente que abusa da ignorância alheia pra vender coisas pros turistas a preços absurdos e que, no fundo, não são exatamente o que deveriam ser. Em Milano, sempre é possível ver alguns africanos (e não é preconceito, são só eles quem fazem isso por aqui de verdade) vendendo as tais "fitinhas" (que na verdade são uns fiapos de algodão bem dos vagabundos) que, num primeiro momento (pelo discurso deles) você acha que são gratuitas, mas que em poucos segundos depois de permitirem que sejam amarradas ao seu pulso, tornam-se o centímetro de tecido mais caro do planeta. Em Roma o truque é diferente, e existem guias turísticos que querem te cobrar 50 euros pra fazer um passeio no Colosseo (mais conhecido pelos brasileiros como Coliseu) cujo bilhete de entrada custa 12 euros. E quando você pede pra negociar? Bom, eles não gostam, e se você pede pra pensar, eles dizem que não te deixam nem anotar o telefone pra tentar comprar mais tarde... fiquei chocada!
O hotel foi um presente de Deus à parte. Essa irmã conseguiu (naquelas coisas que só Deus explica) uma tarifa de 66 euros em um quarto que normalmente cobra-se 350 euros a diária. Ou seja: realmente presentaço do Papai! O hotel é ótimo, e embora a entrada pareça estranha (ele fica em um condomínio residencial) e o elevador acompanhe a arquitetura da cidade (aparenta ser milenar), as acomodações são excelentes, a cama ótima, o banheiro maravilhoso e tem até uns mimos pra quem se hospeda, como pantufinhas e coisinhas normais de hotel bem feitinhas (sabonetes, shampoos e coisas afins).
Cuidados por aqui? Bom, primeiro que é possível gastar um absurdo ou gastar bem pouquinho, desde que haja planejamento para a viagem. Segundo que fazer o que for possível andando é mais agradável do que pegar o metrô em Roma: eu não entendi bem mas por aqui o odor não é dos melhores (e eu não sinto cheiro mas... às vezes é inevitável) e a conservação é realmente precária do metrô. Em compensação, o que se faz ao ar livre é excelente, e a vista compensa cada quarteirão de sola gasta. Terceiro: não deixe seu celular à vista, meio que dando bobeira... nos avisaram e eu, que sempre presto atenção e cuido dele com carinho, tive o meu furtado no metrô em um momento de distração. Ou seja, não tem assalto à mão armada mas tem furto sim e acontece quando menos se espera.
Agora, por que visitar outros lugares na Itália estando em missões aqui? Além do aspecto cultural da coisa toda, para o cristão tem algo que fascina: quando se lê a Bíblia depois de visitar Roma, algumas coisas ficam quase que em 3D na imaginação, porque é muito mais fácil dar cor, movimento, cara e contexto para certas coisas que, por exemplo, o apóstolo Paulo descreve. Experiência simplesmente insubstituível!
Como ela foi primeiro no dia anterior, eu encarei um trem bala saindo de Milano Centrale na quinta de manhã cedo. Isso foi bom porque, considerando a situação atual da minha coluna cervical, menos horas sentada sempre são um alívio. Além disso, o trem não balança e não pega buracos (por sinal, por aqui, nem os ônibus passam por isso quase), e isso ajuda demais a não enfrentar solavancos e ter uma viagem mais sossegada.
E esse é o lado muito gostoso de quem mora na Europa: é possível ir a uma série de lugares gastando bem pouco e curtindo horrores, vendo a história da humanidade, conhecendo cultura, aproveitando o país, e ao mesmo tempo entendendo que isso faz parte da vida do europeu comum. Sim, fazer missões na Europa dá ao missionário essa oportunidade, e sim, é bom demais poder dar uma esticadinha de um ou dois dias em uma cidade próxima para conhecer algo histórico ou simplesmente bonito mesmo. Por aqui, são duas coisas que existem às pencas.
Uma coisa que não muda na Itália (tem em Roma e tem em Milano pelo menos, só muda o formato): gente que abusa da ignorância alheia pra vender coisas pros turistas a preços absurdos e que, no fundo, não são exatamente o que deveriam ser. Em Milano, sempre é possível ver alguns africanos (e não é preconceito, são só eles quem fazem isso por aqui de verdade) vendendo as tais "fitinhas" (que na verdade são uns fiapos de algodão bem dos vagabundos) que, num primeiro momento (pelo discurso deles) você acha que são gratuitas, mas que em poucos segundos depois de permitirem que sejam amarradas ao seu pulso, tornam-se o centímetro de tecido mais caro do planeta. Em Roma o truque é diferente, e existem guias turísticos que querem te cobrar 50 euros pra fazer um passeio no Colosseo (mais conhecido pelos brasileiros como Coliseu) cujo bilhete de entrada custa 12 euros. E quando você pede pra negociar? Bom, eles não gostam, e se você pede pra pensar, eles dizem que não te deixam nem anotar o telefone pra tentar comprar mais tarde... fiquei chocada!
O hotel foi um presente de Deus à parte. Essa irmã conseguiu (naquelas coisas que só Deus explica) uma tarifa de 66 euros em um quarto que normalmente cobra-se 350 euros a diária. Ou seja: realmente presentaço do Papai! O hotel é ótimo, e embora a entrada pareça estranha (ele fica em um condomínio residencial) e o elevador acompanhe a arquitetura da cidade (aparenta ser milenar), as acomodações são excelentes, a cama ótima, o banheiro maravilhoso e tem até uns mimos pra quem se hospeda, como pantufinhas e coisinhas normais de hotel bem feitinhas (sabonetes, shampoos e coisas afins).
Cuidados por aqui? Bom, primeiro que é possível gastar um absurdo ou gastar bem pouquinho, desde que haja planejamento para a viagem. Segundo que fazer o que for possível andando é mais agradável do que pegar o metrô em Roma: eu não entendi bem mas por aqui o odor não é dos melhores (e eu não sinto cheiro mas... às vezes é inevitável) e a conservação é realmente precária do metrô. Em compensação, o que se faz ao ar livre é excelente, e a vista compensa cada quarteirão de sola gasta. Terceiro: não deixe seu celular à vista, meio que dando bobeira... nos avisaram e eu, que sempre presto atenção e cuido dele com carinho, tive o meu furtado no metrô em um momento de distração. Ou seja, não tem assalto à mão armada mas tem furto sim e acontece quando menos se espera.
Agora, por que visitar outros lugares na Itália estando em missões aqui? Além do aspecto cultural da coisa toda, para o cristão tem algo que fascina: quando se lê a Bíblia depois de visitar Roma, algumas coisas ficam quase que em 3D na imaginação, porque é muito mais fácil dar cor, movimento, cara e contexto para certas coisas que, por exemplo, o apóstolo Paulo descreve. Experiência simplesmente insubstituível!
terça-feira, 1 de novembro de 2016
A descoberta de uma preciosidade e muito mais
Hoje foi o dia em que planejei pra estar mais em casa, fazer mais coisas domésticas, e procurar organizar um pouco melhor a vida. Além de ter que lavar roupas, era necessário organizar algumas coisas na cozinha, já que o cozinheiro e o motorista se mudaram de casa e deixaram algumas coisas a organizar por aqui. Também era dia de fazer compras, e eu precisava mesmo definir algumas coisas, já que preciso mudar a alimentação e me organizar pra cozinhar mais vezes.
Mas, apesar disso, decidi que buscaria subsídios para começar a traduzir o material da igreja, e claro, precisaria mesmo de um dicionário de português para o italiano pra me auxiliar. Pensei também em comprar um dicionário em italiano mesmo pra aprender o significado de várias palavras e, ao mesmo tempo, procurar sinônimos que me ajudem. E comecei a procurar uma livraria pra isso. Pensei, pensei... e lembrei que pertinho do Duomo tem uma livraria, mas não sabia se era boa, e pedi uma indicação pra uma amiga aqui. Ela me confirmou e lá fui eu no centro da cidade pra fazer compras na livraria de material.
Chegando lá encontrei os dicionários que queria e pude também achar um livrinho que achei bem bacana. Ele se chama "io parlo brasiliano" e ensina aos italianos como falar em "brasileiro" uma série de coisas básicas do dia a dia, o que é bem legal pra quem mora aqui também, já que é só fazer o caminho inverso e ver que muita coisa pode ajudar. Fiquei feliz porque com ele posso ajudar uma pessoa por aqui que está com mais dificuldades no idioma, e assim eu treino também e todos seguimos melhor nessa jornada. Pronto, comprei ele, e também mais umas coisinhas. Quando vi, estava procurando a sessão de livros cristãos... e nada! Conversei então com o vendedor, que me explicou que os livros que eles têm estão classificados como religiosos, e que na maioria dos casos não existem vendas deles mesmo em livrarias comuns. Sendo assim, ele começou a procurar no seu sistema um livro que pedi do autor Joshua Harris e, apesar de não ter encontrado, ele me indicou uma livraria evangélica na cidade... eu achei um verdadeiro milagre, e lá fui eu até o meu mais recente achado. Que alegria!!! Encontrei o último exemplar de "Eu disse adeus ao namoro" em italiano, e comprei também um livro do Watchman Nee... fiquei tão feliz que me deu até vontade de ter uma livraria também.
Bom, saindo dali, voltei pra casa tão feliz e contente... e pude depois encontrar uma irmã aqui da equipe, e fomos ver uma algumas coisas, e acabamos vindo pra minha casa e depois fomos ao mercado. No caminho, encontro árvores com todas as folhas amareladas ou alaranjadas, com aquele tom incrível que só o autunno (outono) pode trazer à folhagem... e não resisti: registrei aquele momento. Confesso que, ao olhar aquela imagem, entendi o que Deus tem trazido para este tempo: apesar da beleza das folhas amareladas, com aquele tom que parece ouro, celebrando tudo o que foi vivido até o momento, existe a expectativa de que elas sejam descartadas e aos poucos, novas folhas (ou experiências) venham pra renovar completamente esse ciclo. Sim, no meio disso tudo tem o inverno, mas sei que até ele é passageiro, e necessário. Aquela imagem me trouxe uma paz e uma plenitude em Deus que até então eu não tinha sentido. E fiquei feliz como nunca de estar aqui.
Mas, apesar disso, decidi que buscaria subsídios para começar a traduzir o material da igreja, e claro, precisaria mesmo de um dicionário de português para o italiano pra me auxiliar. Pensei também em comprar um dicionário em italiano mesmo pra aprender o significado de várias palavras e, ao mesmo tempo, procurar sinônimos que me ajudem. E comecei a procurar uma livraria pra isso. Pensei, pensei... e lembrei que pertinho do Duomo tem uma livraria, mas não sabia se era boa, e pedi uma indicação pra uma amiga aqui. Ela me confirmou e lá fui eu no centro da cidade pra fazer compras na livraria de material.
Chegando lá encontrei os dicionários que queria e pude também achar um livrinho que achei bem bacana. Ele se chama "io parlo brasiliano" e ensina aos italianos como falar em "brasileiro" uma série de coisas básicas do dia a dia, o que é bem legal pra quem mora aqui também, já que é só fazer o caminho inverso e ver que muita coisa pode ajudar. Fiquei feliz porque com ele posso ajudar uma pessoa por aqui que está com mais dificuldades no idioma, e assim eu treino também e todos seguimos melhor nessa jornada. Pronto, comprei ele, e também mais umas coisinhas. Quando vi, estava procurando a sessão de livros cristãos... e nada! Conversei então com o vendedor, que me explicou que os livros que eles têm estão classificados como religiosos, e que na maioria dos casos não existem vendas deles mesmo em livrarias comuns. Sendo assim, ele começou a procurar no seu sistema um livro que pedi do autor Joshua Harris e, apesar de não ter encontrado, ele me indicou uma livraria evangélica na cidade... eu achei um verdadeiro milagre, e lá fui eu até o meu mais recente achado. Que alegria!!! Encontrei o último exemplar de "Eu disse adeus ao namoro" em italiano, e comprei também um livro do Watchman Nee... fiquei tão feliz que me deu até vontade de ter uma livraria também.
Bom, saindo dali, voltei pra casa tão feliz e contente... e pude depois encontrar uma irmã aqui da equipe, e fomos ver uma algumas coisas, e acabamos vindo pra minha casa e depois fomos ao mercado. No caminho, encontro árvores com todas as folhas amareladas ou alaranjadas, com aquele tom incrível que só o autunno (outono) pode trazer à folhagem... e não resisti: registrei aquele momento. Confesso que, ao olhar aquela imagem, entendi o que Deus tem trazido para este tempo: apesar da beleza das folhas amareladas, com aquele tom que parece ouro, celebrando tudo o que foi vivido até o momento, existe a expectativa de que elas sejam descartadas e aos poucos, novas folhas (ou experiências) venham pra renovar completamente esse ciclo. Sim, no meio disso tudo tem o inverno, mas sei que até ele é passageiro, e necessário. Aquela imagem me trouxe uma paz e uma plenitude em Deus que até então eu não tinha sentido. E fiquei feliz como nunca de estar aqui.
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