domingo, 6 de novembro de 2016

Mais um pouco sobre Roma

Em tudo o que nos dispomos a fazer acabamos, se dermos a chance, aprendendo uma lição em Deus. Pra mim, honestamente, fazendo um balanço, o aprendizado maior foi mesmo ver que é possível ver Deus em todas as coisas, e que a minha alegria não pode estar nas coisas que acontecem, ou mesmo nas orações que Deus responde com o "sim" que espero, ou nos livramentos que Ele me permite viver. A minha alegria, acima de tudo, está (ou deveria estar) no caráter Dele, no amor Dele que me amou primeiro, mesmo antes de eu nascer. Nada, absolutamente nada deveria mudar essa percepção do amor Dele por mim em momento algum.
Na sexta-feira, ou seja, do primeiro para o segundo dia de Roma, comecei o dia mal. Isso porque quase não dormi nada, passei mal a noite toda (provavelmente com algo que comi) e não consegui dormir quase nada, no máximo uma hora e meia. Isso em geral costuma acabar com a minha disposição, mas eu sabia que esse não era o momento para ficar indisposta, afinal, quando mesmo poderei voltar ali? Pois é, essa até pode ser uma boa razão, mas não é a razão correta. Isso porque, se for assim, no dia em que eu não dormir bem e estiver em casa (ou em um canto menos confortável que isso), significa que tenho motivos pra me sentir mal? Hum... não, porque Deus é bom e me amou primeiro de qualquer modo, e porque não cai um fio de cabelo da minha cabeça sem a permissão e o conhecimento Dele. Seguindo o dia, comi pouco no café-da-manhã maravilhoso do hotel, o que me deixou meio chateada de não poder aproveitar aquela dádiva, mas era melhor do que estragar mais a coisa toda. Escolhas...
Saímos pra passear, e como comentei, gastamos um tempo precioso de conhecer lugares que queríamos conversando com um guia turístico que além de cometer práticas abusivas não nos ajudou em nada. Com isso ficamos sem tempo para conhecer a Capela Cistina, e é a segunda vez que vou a Roma e não consigo entrar pelo mesmo motivo.
Seguimos para o Colosseo (conhecido como Coliseu em português) e ao chegar ali conversamos com uma senhora que vendia o passeio guiado e falava em português brasileiro (o que pode fazer total diferença por aqui). Claro que quando comprei, entendi que o guia também falava português, e claro, o guia falava... espanhol... e me veio uma vontade tão intensa de chorar que pelos primeiros dez minutos eu não entendi praticamente nada do que ele disse. Sim, eu sei, eu preciso decidir não detestar mais esse idioma, mas até lá a vida segue e eu preciso aprender que a alegria não pode estar em ter que ouvir um idioma que eu gosto. Então, me decido a curtir a visita, e quando estou ali no meio do passeio, meu "amigo" Morelli do comune de Milano me liga dizendo que faltou um carimbo em um documento qualquer meu e isso me desanimou de novo... que chatice esse processo, cheio de vai e vem, coisa mais burocrática, demorada e chata! Enfim, a minha alegria não pode estar relacionada ao bom atendimento do serviço público da Itália (até porque acho que se depender disso serei infeliz com uma certa frequência), então decido lidar com isso quando é mais adequado: na segunda-feira. E sigo na visita.
Termina aquela primeira parte e estou caindo de fome, não só porque não dormi e comi pouco, mas porque me esvaziei durante a noite... enfim, sem mais detalhes, procuramos algo para eu comer, e o que eu encontrei foi um sanduichinho caro e bem sem gosto. Sim, encheu um pouco a barriga, mas serviu pra lembrar que a comida não pode ser a minha fonte de satisfação também, já que como pra viver e não o contrário.
Seguimos para o próximo passeio guiado e a segunda guia também fala espanhol, mas mais baixo e com um sotaque italiano esquisitíssimo, o que é bem estranho, lembrando um carioca tentando falar outro idioma... claro, na linha de não se irritar com o espanhol, sigo decidindo que aquilo não me afeta, e vamos adiante curtindo o passeio. Ao final, demoramos pra achar a saída da parte de ruínas de Roma, e rodamos um bom tanto. Eu estava cansada, e a unha do meu dedo do meio do pé direito começou a reclamar junto com o calor, mas e daí, quem nunca teve uma unha mal cortada irritando? Sigo grata pela oportunidade de ver tudo o que Paulo e outros apóstolos (e claro, Jesus) viram ali na antiguidade, e sigo sonhando acordada com o que era Roma naquela época de Cristo.
Ao terminarmos ali, a fome pega firme e realmente precisamos achar um canto pra comer. Entramos no metrô rindo e fazendo piadas e comentário sobre coisas até tristes que ouvimos, como por exemplo, os tipos de execução dos condenados no Colosseo, e decidimos seguir não pra direção do hotel, mas pro lado oposto, pra comer em um lugar que parecia legal. Quando saímos do metrô e eu começo a andar, noto que meu celular não está mais ali... e de repente, não só estou no prejuízo material como acabei de perder todas as fotos da viagem. Isso me deixou triste, e como eu estava com fome, não foi nada legal, mas eu entendi que o celular compra-se outro, e que dinheiro trabalha-se para ganhar e seguir a vida, e portanto nada deveria abalar aquele momento. Seguimos pro lugar em que decidimos comer, e realmente foi uma decepção, até porque não conseguimos comer nada ali... e a fome foi apertando, e com o horário também apertado, começou a surgir a possibilidade de não dar tempo de comer nada antes de embarcar no ônibus de volta. Então, decidi que não sofreria por antecedência, e mesmo querendo desistir da viagem de ônibus e comprar outro bilhete pra voltar de trem mais tarde (com um prejuízo enorme caso escolhesse essa opção), resolvi seguir adiante feliz porque, no fim das contas, Deus me ama e sinceramente, tudo o que preciso eu tenho, e aquilo não deveria ter o poder de me fazer perder a alegria.
Quando chegamos no hotel, pegamos as coisas e corremos pelo metrô lotado e mal cheiroso de Roma. Chegamos na estação e o que deu tempo foi de comprar 3 saquinhos de batatas fritas e duas garrafas de água, que foram alegremente consumidos no retorno dentro do ônibus. Ao entrarmos, vi que ele estaria bastante vazio pelas próximas 3 horas, e decidi esticar minhas pernas e aproveitar, comendo as batatinhas como se estivesse no sofá de casa. Até uma cobertinha que comprei na ida foi bem útil pro momento, e aquilo restaurou meu ânimo, e eu cheguei à conclusão de que mais uma vez deveria agradecer a Deus, e não ser tão dura comigo mesma, já que ainda habito nesse corpo de carne e sangue. E curti feliz minha viagem de oito horas em que por apenas 2 tive alguém ao meu lado. Mesmo chegando bem tarde e enfrentando um frio cruel dentro do ônibus nas duas horas finais, foi excelente perceber que Deus sempre nos ama, e eu cheguei em casa e descansei.
O resultado disso? Bom, coisas boas e coisas ruins acontecem. O ponto é: como eu decido lidar com cada uma das coisas muda tudo. Nesse dia em especial eu decidi lidar com gratidão e com a certeza de que Deus estava cuidando de tudo, e de fato, estava mesmo. Se eu tivesse decidido permanecer chateada, eu teria sucumbido e acabado com a viagem da irmãzinha, que no fim acho que conseguiu curtir bastante. Eu teria acabado com a minha viagem também, e eu curti bastante. Ou seja, as coisas do externo aconteceram, mas a tristeza teve pouco espaço, e minha vida seguiu bem, e feliz com Jesus. Melhor escolha!!!

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