Pois é, me meti a ir a um lugar com terremotos bem perto dali. E sim, saí viva. E mais: foi sensacional! Claro, não dei a louca e saí decidida a me enfiar num canto que teve terremotos próximos só pela emoção de brincar de roleta russa, até porque, como sempre "brinco", tenho uma filha pra criar e ainda filhos a fazer, então não posso me meter em qualquer encrenca. O fato é que um irmão da equipe tinha ido bem recentemente a Roma porque precisou resolver uma questão e com isso acabou confirmando que as coisas por ali estavam absolutamente normais, e com isso, aceitei o convite dessa irmã que, em princípio, foi para ter uma reunião de trabalho, mas acabou tendo bastante tempo livre e foi uma companhia excelente!
Como ela foi primeiro no dia anterior, eu encarei um trem bala saindo de Milano Centrale na quinta de manhã cedo. Isso foi bom porque, considerando a situação atual da minha coluna cervical, menos horas sentada sempre são um alívio. Além disso, o trem não balança e não pega buracos (por sinal, por aqui, nem os ônibus passam por isso quase), e isso ajuda demais a não enfrentar solavancos e ter uma viagem mais sossegada.
E esse é o lado muito gostoso de quem mora na Europa: é possível ir a uma série de lugares gastando bem pouco e curtindo horrores, vendo a história da humanidade, conhecendo cultura, aproveitando o país, e ao mesmo tempo entendendo que isso faz parte da vida do europeu comum. Sim, fazer missões na Europa dá ao missionário essa oportunidade, e sim, é bom demais poder dar uma esticadinha de um ou dois dias em uma cidade próxima para conhecer algo histórico ou simplesmente bonito mesmo. Por aqui, são duas coisas que existem às pencas.
Uma coisa que não muda na Itália (tem em Roma e tem em Milano pelo menos, só muda o formato): gente que abusa da ignorância alheia pra vender coisas pros turistas a preços absurdos e que, no fundo, não são exatamente o que deveriam ser. Em Milano, sempre é possível ver alguns africanos (e não é preconceito, são só eles quem fazem isso por aqui de verdade) vendendo as tais "fitinhas" (que na verdade são uns fiapos de algodão bem dos vagabundos) que, num primeiro momento (pelo discurso deles) você acha que são gratuitas, mas que em poucos segundos depois de permitirem que sejam amarradas ao seu pulso, tornam-se o centímetro de tecido mais caro do planeta. Em Roma o truque é diferente, e existem guias turísticos que querem te cobrar 50 euros pra fazer um passeio no Colosseo (mais conhecido pelos brasileiros como Coliseu) cujo bilhete de entrada custa 12 euros. E quando você pede pra negociar? Bom, eles não gostam, e se você pede pra pensar, eles dizem que não te deixam nem anotar o telefone pra tentar comprar mais tarde... fiquei chocada!
O hotel foi um presente de Deus à parte. Essa irmã conseguiu (naquelas coisas que só Deus explica) uma tarifa de 66 euros em um quarto que normalmente cobra-se 350 euros a diária. Ou seja: realmente presentaço do Papai! O hotel é ótimo, e embora a entrada pareça estranha (ele fica em um condomínio residencial) e o elevador acompanhe a arquitetura da cidade (aparenta ser milenar), as acomodações são excelentes, a cama ótima, o banheiro maravilhoso e tem até uns mimos pra quem se hospeda, como pantufinhas e coisinhas normais de hotel bem feitinhas (sabonetes, shampoos e coisas afins).
Cuidados por aqui? Bom, primeiro que é possível gastar um absurdo ou gastar bem pouquinho, desde que haja planejamento para a viagem. Segundo que fazer o que for possível andando é mais agradável do que pegar o metrô em Roma: eu não entendi bem mas por aqui o odor não é dos melhores (e eu não sinto cheiro mas... às vezes é inevitável) e a conservação é realmente precária do metrô. Em compensação, o que se faz ao ar livre é excelente, e a vista compensa cada quarteirão de sola gasta. Terceiro: não deixe seu celular à vista, meio que dando bobeira... nos avisaram e eu, que sempre presto atenção e cuido dele com carinho, tive o meu furtado no metrô em um momento de distração. Ou seja, não tem assalto à mão armada mas tem furto sim e acontece quando menos se espera.
Agora, por que visitar outros lugares na Itália estando em missões aqui? Além do aspecto cultural da coisa toda, para o cristão tem algo que fascina: quando se lê a Bíblia depois de visitar Roma, algumas coisas ficam quase que em 3D na imaginação, porque é muito mais fácil dar cor, movimento, cara e contexto para certas coisas que, por exemplo, o apóstolo Paulo descreve. Experiência simplesmente insubstituível!
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