Como foi combinado com o rapaz do comune, lá fui eu com o meu assessor (aliás, parecia uma comitiva real, já que fui eu, ele, a esposa dele e um senhor que de acordo com a descrição deles é alguém que será sócio dele) pra receber o "ok" dos documentos no processo e receber a liberação para fazer a minha residência (ou seja, declarar oficialmente que moro em Milano) e com isso posso então ter a tal ricevuta (um recibo de que eu entreguei o processo e que ele está em análise) e fico então esperando passar o tal vigile (o guardinha da cidade que vai verificar se eu moro mesmo aonde disse que moro) passar. Depois que esse evento solene acontecer então tenho uma confirmação do comune e enviar o kit pedindo o meu "permesso in attesa" (ou seja, uma permissão dizendo que estou legal no país até que o resultado final da cidadania saia oficialmente e meus documentos italianos sejam emitidos). Chegando lá, depois de contar em detalhes o que foi que aconteceu com o meu pescoço e como foi que eu me virei no hospital, entramos e fomos falar com o homem em questão.
O homem não foi mal educado, mas também não foi aquela simpatia. Digo isso porque ele olhou e disse que o documento de nascimento do meu avô Vicente conta com duas variações do sobrenome do meu bisavô Eduardo, e portanto, ele (meu bisavô) poderia ter usado tanto o sobrenome Scrivani (que ele nunca usou por sinal) quanto Escrivani (que ele nem sabia que tinha aparecido em algum canto e portanto, obviamente não tem nenhum documento com esse raio desse sobrenome estranho) e que, por isso, é necessário apresentar uma nova via da CNN (certidão negativa de naturalização que é obtida na internet mas que precisa ser traduzida e apostilada como todos os demais documentos, o que só pode ser feito no Brasil) e que sem isso nada feito. Tentei argumentar explicando que era impossível que ele tivesse usado esse nome, já que não existia mais nenhum outro documento que essa variação aparecesse (até porque o próprio homem do comune tinha em mãos TODOS os documentos da vida do meu bisavô) mas foi absolutamente em vão. O cara estava resoluto e me devolveu tudo. Quando estamos saindo dali, um outro funcionário o chama e curiosamente o cognome (sobrenome) dele é... o mesmo do pai da minha filha!!! Achei no mínimo ridícula a coincidência e isso me rendeu piadas o dia todo.
Fora disso, rolou toda uma correria pra que a minha tradutora (que embora não seja uma macaca gorda quebra sempre um milhão de galhos) corresse pra emitir novo documento como o rapaz do comune queria, traduzir, enviar pra apostilar e deixar pronto pra minha mãe pegar com ela no mesmo dia e deixar com os pais de um irmão da equipe que, graças ao bom Deus, estão embarcando pra cá amanhã (o que me permite pegar os documentos no domingo e voltar no comune pro próximo capítulo dessa novela na segunda-feira).
Saindo de lá, fui com a esposa do assessor tomar um cappuccino refinado na Rinascente e batemos um papo interessante. De lá, fui almoçar com uma das moças da equipe, e pela primeira vez me senti realmente útil nesse contexto, porque pude parar e sentir o que estava acontecendo, e minha oração a Deus de ser útil foi atendida: pude lembrar de coisas pelas quais eu passei e compartilhei com ela sobre o que vivi e como Deus reverteu minha situação (na verdade, como Ele me orientou pra que eu revertesse o cenário péssimo que eu enfrentava na empresa em que trabalhei e que eu mesma tinha criado em grande parte com minhas posturas) e isso foi útil para que essa moça pudesse repensar algumas atitudes suas, de modo a trazer mais alegria e tranquilidade a ela (e claro, pra mim também). Dali fomos comprar um colar cervical, e eu dei mais umas das minhas "imigrantices" (palavra que acabei de inventar pros micos que os imigrantes pagam por quererem fazer mais do que dão conta): cheguei convicta na loja, super segura, e pedi à moça pra comprar uma "rachide cervicale"... quando ela se recuperou de tanto rir (sim, ela caiu numa gargalhada profunda, não se aguentou, coitada!) ela me contou que era impossível que eu quisesse comprar algo assim, porque o que eu tinha pedido era uma coluna cervical... eu tentei disfarçar mas só pude rir com a moça, e claro, explicar que eu queria mesmo um "colare cervicale" (que era tão mais simples, não? Se tivesse chutado me sairia melhor) e papo vai, papo vem, comprei e saí de lá feliz porque, apesar do apetrecho ser branco (o que não ajuda muito na conservação da peça) ele esquenta bastante o pescoço e com isso não vou precisar usar cachecol e vou ficar bem quentinha nesse tempinho que só faz esfriar.
Depois demos uma voltinha pra espairecer na Corso Buenos Aires, a grande avenida de compras de Milano, que não se parece com a Vinte e Cinco de Março em São Paulo (acho que se parece mais com um shopping paulistano de classe média à céu aberto) e encontramos mais gente da equipe, e com isso também conheci mais uma moça nova. Comprei também uma botinha que eu acho o máximo porque ela no pé parece um sapato comum, mas onde seria o cano da bota é feito do mesmo material das polainas. Pensa então a minha alegria!!! Confesso que mesmo tendo ficado um pouquinho larga, decidi arriscar usando uma meia grossa porque, de verdade, achei a peça o máximo, e não era muito cara... enfim, comprei feliz da vida.
Fomos pra casa dela (no Loreto, no centro da cidade) e de lá fomos para a célula. Confesso que no caminho paramos em uma loja de cosméticos e essa paradinha me inspirou a considerar um produto pra alisar cabelos (o que te faz ver que realmente quando a gente tem tempo pensa em cada futilidade...) e de lá fomos pra célula, e eu fui convidada a traduzir o que foi dito para as crianças italianas. Foi tão gostoso! Apesar de eu querer estar com o nosso pastor supervisor na célula de adultos, estar naquele momento de tradução foi tudo o que pedi a Deus, e foi mega legal, até porque sairam palavras que eu nem sabia que conhecia... foi realmente o máximo! Claro, tenho que aprender ainda horrores, mas foi bom por demais!
Ao final de tudo, conheci um fotógrafo de moda da Ucraina (Ucrânia em italiano) que mora no mesmo condomínio da célula e conversamos bastante em inglês, e acabei indo conhecer o estúdio dele, o que foi excelente. Por fim ficamos de manter contato, e eu creio que ele conhecerá Jesus nesse processo e muita água ainda vai rolar debaixo dessa ponte. Veremos... o que sei é que, quando a gente começa a se organizar pra que as coisas funcionem, de fato Deus acelera os processos e coloca toda a coisa pra funcionar. E quando isso acontece, dá-lhe agitação e emoção!
domingo, 30 de outubro de 2016
sexta-feira, 28 de outubro de 2016
A reunião com nosso supervisor
Bom, esse é um post isolado porque merece uma atenção toda especial. Em primeiro lugar porque é uma honra mesmo recebermos o pastor supervisor de toda a Europa em visita aqui na Itália em menos de seis meses de obra. Em segundo lugar porque, como a equipe é relativamente pequena (se comparada com a de outros países aqui), ter uma reunião estilo "petit comite" é realmente algo sensacional. Em terceiro lugar porque é uma alegria ouvir um pastor tão amado, e que eu sei que tem um zelo tão grande pela obra.
Bom, dito isso, começo registrando aqui que a mensagem que ele trouxe causou reações diferentes no povo. Para mim, por exemplo, foi um alívio completo, já que ele começou falando que a nossa prioridade máxima é entender como é o italiano, como ele vive, como pensa, como funciona, o que ele valoriza, o que despreza, e assim por diante. A segunda coisa é arrumar a maior quantidade de atividades (que não prejudiquem obviamente as nossas atividades de célula) com pessoas novas, de modo que possamos apressar esse aprendizado e de fato criar novos relacionamentos. Outra coisa é que ele deixou claro que temos que ter como prioridade nesse primeiro ano nos estabelecermos como pessoas, tendo vistos, casas, empregos e relacionamentos de amizade com as pessoas aqui. Ele comentou que, fazendo isso, o Reino será estabelecido no tempo certo.
Mas, para ser justa, a primeira coisa que ele fez foi questionar se estamos sendo adequados ao nosso contexto. O exemplo dele foi o volume do nosso louvor, afinal de contas, brasileiros em geral gostam de música e de barulho, e assim que começamos a reunião, tratamos de cantar e agradecer a Deus no volume habitual, o que o deixou realmente preocupado, já que era de noite e estávamos em um prédio residencial na Europa. E embora isso tenha chocado alguns, pra mim foi um tremendo alívio, porque desde que estava no Brasil pensava que:
a) Deus não é surdo e não precisamos gritar;
b) Esse papo de que crente que é crente faz barulho é mesmo um costume que é apenas preferência mesmo de quem começou a espalhar esse lance por aí (e eu não estou nesse time, confesso);
c) Eu sempre pensei que uma das coisas que ganha muito alguém que não conhece a Jesus é o respeito nas pequenas coisas, e o respeito ao silêncio e às regras pra mim são duas coisas que acabam fazendo bastante diferença;
d) O louvor ou o agradecimento a Deus tem muito mais a ver com aquilo que temos no coração e atitudes do que com um discurso bonito ou belas canções, porque de nada adianta cantar bem e ser um estúpido com o próximo, por exemplo, como eu fui por muito tempo.
Por conta disso, imagina a minha alegria ao ouvir o que o pastor recomendou? Nossa... quase chorei de emoção e aplaudi de pé! Fora disso, ele disse que se for necessário pra nós gritar em oração, que façamos isso com uma almofada na cara pra não escandalizar os vizinhos da casa... kkkkkk... eu achei o máximo, mas sei bem como isso vai "contra" a expectativa da maioria das pessoas. Inclusive sei que alguns ali terão tremenda dificuldade de seguir essa orientação por conta de uma vida inteira sendo "abrasileirado" nesse sentido.
Agora, o mais importante de tudo o que ele disse foi que de nada adianta fazermos tudo isso se, em primeiro lugar, não tivermos vida de Deus em nós, e isso só se consegue com entrega total, busca da presença Dele, leitura da Bíblia, compartilhar, oração e muita sensibilidade em relação àquilo que Ele quer fazer em nosso meio. Além da vida de Deus, precisamos ter plena convicção daquilo que Deus nos chamou pra fazer, e que mesmo com medo (que não só ele mesmo teve e tem às vezes, mas até Paulo teve) o negócio é seguir adiante e enfrentar o medo, na confiança de que o Senhor é quem nos chamou e vai prover. Sem isso, morremos no caminho. Ou então, estaremos aqui só para conhecermos um novo país, uma nova cultura, ter outras oportunidades de vida... e isso até é algo legítimo em termos naturais e humanos, mas nada tem a ver com a obra que o Espírito Santo de Deus está estabelecendo na Itália neste tempo.
No fim, ele comentou também sobre como lidarmos com a ansiedade dos que ficaram no Brasil, aliviando em muito o peso e a pressão (pelo menos que estava sobre mim) de dar frutos imediatamente (ninguém falou isso mas, estando eu em uma equipe que só tem líderes, e eu sendo a única a não estar nessa posição, me sinto naturalmente cobrada a ter outras posturas). Ou seja, foi memorável, e pra mim um presente dos céus que guardarei pra sempre.
Bom, dito isso, começo registrando aqui que a mensagem que ele trouxe causou reações diferentes no povo. Para mim, por exemplo, foi um alívio completo, já que ele começou falando que a nossa prioridade máxima é entender como é o italiano, como ele vive, como pensa, como funciona, o que ele valoriza, o que despreza, e assim por diante. A segunda coisa é arrumar a maior quantidade de atividades (que não prejudiquem obviamente as nossas atividades de célula) com pessoas novas, de modo que possamos apressar esse aprendizado e de fato criar novos relacionamentos. Outra coisa é que ele deixou claro que temos que ter como prioridade nesse primeiro ano nos estabelecermos como pessoas, tendo vistos, casas, empregos e relacionamentos de amizade com as pessoas aqui. Ele comentou que, fazendo isso, o Reino será estabelecido no tempo certo.
Mas, para ser justa, a primeira coisa que ele fez foi questionar se estamos sendo adequados ao nosso contexto. O exemplo dele foi o volume do nosso louvor, afinal de contas, brasileiros em geral gostam de música e de barulho, e assim que começamos a reunião, tratamos de cantar e agradecer a Deus no volume habitual, o que o deixou realmente preocupado, já que era de noite e estávamos em um prédio residencial na Europa. E embora isso tenha chocado alguns, pra mim foi um tremendo alívio, porque desde que estava no Brasil pensava que:
a) Deus não é surdo e não precisamos gritar;
b) Esse papo de que crente que é crente faz barulho é mesmo um costume que é apenas preferência mesmo de quem começou a espalhar esse lance por aí (e eu não estou nesse time, confesso);
c) Eu sempre pensei que uma das coisas que ganha muito alguém que não conhece a Jesus é o respeito nas pequenas coisas, e o respeito ao silêncio e às regras pra mim são duas coisas que acabam fazendo bastante diferença;
d) O louvor ou o agradecimento a Deus tem muito mais a ver com aquilo que temos no coração e atitudes do que com um discurso bonito ou belas canções, porque de nada adianta cantar bem e ser um estúpido com o próximo, por exemplo, como eu fui por muito tempo.
Por conta disso, imagina a minha alegria ao ouvir o que o pastor recomendou? Nossa... quase chorei de emoção e aplaudi de pé! Fora disso, ele disse que se for necessário pra nós gritar em oração, que façamos isso com uma almofada na cara pra não escandalizar os vizinhos da casa... kkkkkk... eu achei o máximo, mas sei bem como isso vai "contra" a expectativa da maioria das pessoas. Inclusive sei que alguns ali terão tremenda dificuldade de seguir essa orientação por conta de uma vida inteira sendo "abrasileirado" nesse sentido.
Agora, o mais importante de tudo o que ele disse foi que de nada adianta fazermos tudo isso se, em primeiro lugar, não tivermos vida de Deus em nós, e isso só se consegue com entrega total, busca da presença Dele, leitura da Bíblia, compartilhar, oração e muita sensibilidade em relação àquilo que Ele quer fazer em nosso meio. Além da vida de Deus, precisamos ter plena convicção daquilo que Deus nos chamou pra fazer, e que mesmo com medo (que não só ele mesmo teve e tem às vezes, mas até Paulo teve) o negócio é seguir adiante e enfrentar o medo, na confiança de que o Senhor é quem nos chamou e vai prover. Sem isso, morremos no caminho. Ou então, estaremos aqui só para conhecermos um novo país, uma nova cultura, ter outras oportunidades de vida... e isso até é algo legítimo em termos naturais e humanos, mas nada tem a ver com a obra que o Espírito Santo de Deus está estabelecendo na Itália neste tempo.
No fim, ele comentou também sobre como lidarmos com a ansiedade dos que ficaram no Brasil, aliviando em muito o peso e a pressão (pelo menos que estava sobre mim) de dar frutos imediatamente (ninguém falou isso mas, estando eu em uma equipe que só tem líderes, e eu sendo a única a não estar nessa posição, me sinto naturalmente cobrada a ter outras posturas). Ou seja, foi memorável, e pra mim um presente dos céus que guardarei pra sempre.
quinta-feira, 27 de outubro de 2016
Um dia do amor fluindo...
Quando saí do hospital, pude então chamar o povo lá de casa pra me buscar, o que realmente foi uma benção, já que eu realmente precisava de uma carona... afinal, a cidade fica completamente deserta e não existem pontos de taxi em quase lugar algum de Milano. Fora disso, as linhas noturnas dos autobus (os ônibus) são escassas e nem sempre passam tão perto da gente. Bom, fiquei feliz demais de voltar de carro, mas confesso também que eu estava tão feliz de ir embora do hospital sem dor que se fosse necessário eu voltaria a pé pra casa sozinha, mesmo que isso demorasse duas horas ou mais.
No caminho para casa fiquei sabendo de uma discussão leve que rolou enquanto estive fora porque a moça que dorme no meu quarto resolveu lavar roupas depois da meia noite, e claro, por ser um prédio onde moram muitos idosos, o lugar é super silencioso e a lavatrice (a nossa velha conhecida máquina de lavar roupas) faz um escândalo danado, não por ser tão barulhenta assim, mas porque qualquer coisa chama atenção nesse silêncio todo, e porque aqui na Europa as pessoas definitivamente NÃO gostam de barulho em quase lugar nenhum. Basta dizer que quando um casal tem crianças, a probabilidade desse casal ter problemas para conseguir alugar uma casa é muito maior, porque ninguém quer ter como vizinhos pequenos que correm, choram, gritam e podem perturbar o ouvido alheio. Soa cruel mas é muito real por aqui.
Enfim, estava eu voltando do ospedale depois de ficar lá por oito horas mofando na sala de espera e, no retorno, escuto o relato da tal discussão e a indignação de ambos os lados (um me conta no carro, outro me conta em casa) e penso eu: "acho que eu colei chiclete na cruz...", mas na verdade, até rindo um pouco, porque no fundo, sei que estou aqui para ser luz e gostei da oportunidade de apresentar uma visão mais tranquila do conflito a todos, e eu vi que foi bem bacana o resultado.
Por fim, dormimos todos tarde, e na manhã seguinte o comune me liga dizendo que posso voltar ali pra andar com o processo de cidadania. Fiquei realmente alegre, e pude agendar pro dia seguinte, o que me deu a liberdade de ir a uma reunião que aconteceria hoje lá em Bergamo com o nosso pastor supervisor que veio do Brasil para nos ver, conhecer a obra aqui, e no meu caso, trouxe umas coisinhas que minha mãe mandou por ele (meu sabonete do rosto que tenho sentido tanta falta, uns antialérgicos e uma caixa do anti inflamatório que eu estou tomando).
Depois de dormir mais um pouco, agilizei a vida e fui com uma das irmãs da equipe para Bergamo, e ali conheci bem pouco da cidade mas entendi porque todo mundo diz que o lugar é lindo. Realmente me surpreendeu e eu pretendo voltar em breve ali.
Uma coisa que eu aprendi é que é possível ir por mais de um caminho a Bergamo saindo de Milano, mas que existem preços e tempos diferentes, e que não é porque você foi a Bergamo de transporte público que você vai voltar (porque dependendo da hora de retorno simplesmente não existem mais trens pra Milano e você vai precisar mesmo é esquentar um sofá amigo).
A última grande percepção do dia foi ver o enorme coração do pessoal da nossa equipe. Hoje a menção honrosa é em especial para o casal que nos recebeu, porque a moça, grávida de nove meses, abriu seu apartamento pra nos receber com alegria, e o rapaz, depois da reunião terminar, perto da meia noite, se dispos a trazer a galera até em casa em Milano (detalhe: chegando em casa, ele corre para o hospital porque a bolsa da esposa rompeu-se e a mais nova princesinha da equipe nasce horas depois). Não é amor demais nessa vida por nós?
No caminho para casa fiquei sabendo de uma discussão leve que rolou enquanto estive fora porque a moça que dorme no meu quarto resolveu lavar roupas depois da meia noite, e claro, por ser um prédio onde moram muitos idosos, o lugar é super silencioso e a lavatrice (a nossa velha conhecida máquina de lavar roupas) faz um escândalo danado, não por ser tão barulhenta assim, mas porque qualquer coisa chama atenção nesse silêncio todo, e porque aqui na Europa as pessoas definitivamente NÃO gostam de barulho em quase lugar nenhum. Basta dizer que quando um casal tem crianças, a probabilidade desse casal ter problemas para conseguir alugar uma casa é muito maior, porque ninguém quer ter como vizinhos pequenos que correm, choram, gritam e podem perturbar o ouvido alheio. Soa cruel mas é muito real por aqui.
Enfim, estava eu voltando do ospedale depois de ficar lá por oito horas mofando na sala de espera e, no retorno, escuto o relato da tal discussão e a indignação de ambos os lados (um me conta no carro, outro me conta em casa) e penso eu: "acho que eu colei chiclete na cruz...", mas na verdade, até rindo um pouco, porque no fundo, sei que estou aqui para ser luz e gostei da oportunidade de apresentar uma visão mais tranquila do conflito a todos, e eu vi que foi bem bacana o resultado.
Por fim, dormimos todos tarde, e na manhã seguinte o comune me liga dizendo que posso voltar ali pra andar com o processo de cidadania. Fiquei realmente alegre, e pude agendar pro dia seguinte, o que me deu a liberdade de ir a uma reunião que aconteceria hoje lá em Bergamo com o nosso pastor supervisor que veio do Brasil para nos ver, conhecer a obra aqui, e no meu caso, trouxe umas coisinhas que minha mãe mandou por ele (meu sabonete do rosto que tenho sentido tanta falta, uns antialérgicos e uma caixa do anti inflamatório que eu estou tomando).
Depois de dormir mais um pouco, agilizei a vida e fui com uma das irmãs da equipe para Bergamo, e ali conheci bem pouco da cidade mas entendi porque todo mundo diz que o lugar é lindo. Realmente me surpreendeu e eu pretendo voltar em breve ali.
Uma coisa que eu aprendi é que é possível ir por mais de um caminho a Bergamo saindo de Milano, mas que existem preços e tempos diferentes, e que não é porque você foi a Bergamo de transporte público que você vai voltar (porque dependendo da hora de retorno simplesmente não existem mais trens pra Milano e você vai precisar mesmo é esquentar um sofá amigo).
A última grande percepção do dia foi ver o enorme coração do pessoal da nossa equipe. Hoje a menção honrosa é em especial para o casal que nos recebeu, porque a moça, grávida de nove meses, abriu seu apartamento pra nos receber com alegria, e o rapaz, depois da reunião terminar, perto da meia noite, se dispos a trazer a galera até em casa em Milano (detalhe: chegando em casa, ele corre para o hospital porque a bolsa da esposa rompeu-se e a mais nova princesinha da equipe nasce horas depois). Não é amor demais nessa vida por nós?
Ospedale, omeprazolo, puntura, attesa e medichi di base
Pois é, o que ontem era apenas um desconforto intenso hoje passou a ser praticamente insuportável. Comi pouco, e o pouco que comi vomitei, e passei o dia inteiro na cama, principalmente porque a dor era tanta (e depois a fraqueza passou a ser tanta também) que honestamente eu não consegui fazer mais nada além de tentar me livrar daquilo tudo. Comer não ajudou, dormir não ajudou, e eu não quis tomar remédio por não ter muita convicção de se o problema era na cabeça ou no estômago (ou ambos). Sendo assim, resisti em casa até cerca de cinco da tarde, e quando não aguentei mais, pedi indicações pro pessoal da casa sobre o Ospedale (hospital) mais próximo.
Como aqui na casa mora um autista (que, diferente do significado em português, ele não tem problemas, mas era uma solução, já que esse termo significa "motorista") e um cuoco (sim, um cozinheiro, que ajudou porque ele mora há anos na cidade e conhecia bem aonde eu poderia ser atendida), pude contar com ajuda para ir ao local certo e de carro, sem ficar vagando pelos transportes da cidade até me localizar, ou cair num hospital pago, ou algum outro canto que eu não soubesse chegar, e isso foi benção!
Lá fomos nós no trânsito do fim de tarde pro ospedale, eu ameaçando vomitar até o que não tinha no estômago dentro do carro, e os dois fazendo o que podiam pra chegar o quanto antes ali. Fomos ao Ospedale San Paolo (não, eu não senti saudades de casa... fui ali porque escolheram para mim) e lá dei entrada às 18:00. Confesso que a minha expectativa inicial era de sair dali em umas duas horas no máximo... mas fui traída pela minha total paixão por este lugar. Demorei, ao todo, oito horas para deixar o hospital, e os exames que foram feitos foram apenas de toque, sem exames radiológicos ou de outra ordem.
Algumas coisas que aprendi: em primeiro lugar, o italiano (de qualquer classe social) e o estrangeiro que está legal no país tem direito a uma coisa chamada "tessera sanitária", que é o equivalente no Brasil a uma carteirinha do SUS, que dá direito a atendimento médico gratuito. Com ela, você pode (e em casos com o meu, deve) acionar o seu médico de base, que nada mais é do que um médico que fica responsável por acompanhar sua vida médica em geral, de modo que, exceto em casos de emergência grave, é ele quem vai te atender dando prosseguimento ao que ele já conhece do seu histórico e é quem vai te orientar como proceder com o seu mal estar, eventualmente te encaminhando a outros profissionais especializados. No fundo, é o que conhecemos no Brasil como "clínico geral", mas ao invés de irmos a um posto de saúde, ganhamos um médico específico que irá nos atender sempre. Confesso que o conceito me agrada, mas ainda não tenho direito a ele, e por isso da peleja.
Outro aprendizado é que, mesmo não podendo estar no país depois de 90 dias, o governo tem uma estrutura (lenta e meio precária, mas que funciona) para atender inclusive os ilegais e os turistas de graça, que foi o meu caso. Significa que, se eu tivesse essa necessidade e não pudesse ter documentos, não morreria sem atendimento na rua.
Outra descoberta foi que o tal codice fiscale que o consulado italiano emitiu pra mim no papel no Brasil serve sim, porque ele foi usado para o cadastro no hospital.
Uma coisa que me ocorreu e que realmente foi super importante: se você é alérgico como eu (no meu caso, a Omeprazol) é essencial saber o nome do remédio e o nome do princípio ativo ao qual você é alérgico em italiano, para evitar problemas em eventuais atendimentos médicos. Pode ser útil também saber o nome do remédio que você pode usar no lugar daquele que te provoca alergia.
Caso você tenha que ir ao hospital, leve o carregador do seu celular. Não é permitido que seu acompanhante esteja com você depois da passagem pela triagem (que costuma acontecer nos primeiros 15 minutos de atendimento no hospital). Isso significa que todo o restante do tempo ou você estará se comunicando com as pessoas pelo seu whatsapp ou você terá bastante tempo para conversar com as pessoas ao redor, orar, meditar, chorar (porque vontade dá de sobra quando você vê o tempo passando e nada mudando, e mais ainda quando você reclama da demora e o funcionário ali diz que o que você está esperando é pouco...).
Duas últimas dicas: conheça bem os seus parentes no Brasil, e pense muito bem antes de contar a eles que você está no hospital. Não estou, em hipótese alguma, sugerindo que você deixe de contar a eles que esteve no hospital, mas dependendo de quem é e como é o seu parente, avise-o apenas quando já tiver sido atendido e medicado para evitar ansiedade desnecessária, já que a distância impede uma ação mais efetiva mas ao mesmo tempo causa uma enorme sensação de impotência do outro lado, o que só piora o quadro geral. E por fim, avise SEMPRE a equipe em que você está inserido. Avise sua liderança ou pelo menos um ou dois irmãos com quem você tem mais proximidade e que você sabe que se encarregarão de avisar o restante. Além de se sentir cuidado com as mensagens e orações que todos farão (e eu senti isso na pele) você tem a certeza de que não está só e que poderá ser amparado caso tenha qualquer necessidade.
Como aqui na casa mora um autista (que, diferente do significado em português, ele não tem problemas, mas era uma solução, já que esse termo significa "motorista") e um cuoco (sim, um cozinheiro, que ajudou porque ele mora há anos na cidade e conhecia bem aonde eu poderia ser atendida), pude contar com ajuda para ir ao local certo e de carro, sem ficar vagando pelos transportes da cidade até me localizar, ou cair num hospital pago, ou algum outro canto que eu não soubesse chegar, e isso foi benção!
Lá fomos nós no trânsito do fim de tarde pro ospedale, eu ameaçando vomitar até o que não tinha no estômago dentro do carro, e os dois fazendo o que podiam pra chegar o quanto antes ali. Fomos ao Ospedale San Paolo (não, eu não senti saudades de casa... fui ali porque escolheram para mim) e lá dei entrada às 18:00. Confesso que a minha expectativa inicial era de sair dali em umas duas horas no máximo... mas fui traída pela minha total paixão por este lugar. Demorei, ao todo, oito horas para deixar o hospital, e os exames que foram feitos foram apenas de toque, sem exames radiológicos ou de outra ordem.
Algumas coisas que aprendi: em primeiro lugar, o italiano (de qualquer classe social) e o estrangeiro que está legal no país tem direito a uma coisa chamada "tessera sanitária", que é o equivalente no Brasil a uma carteirinha do SUS, que dá direito a atendimento médico gratuito. Com ela, você pode (e em casos com o meu, deve) acionar o seu médico de base, que nada mais é do que um médico que fica responsável por acompanhar sua vida médica em geral, de modo que, exceto em casos de emergência grave, é ele quem vai te atender dando prosseguimento ao que ele já conhece do seu histórico e é quem vai te orientar como proceder com o seu mal estar, eventualmente te encaminhando a outros profissionais especializados. No fundo, é o que conhecemos no Brasil como "clínico geral", mas ao invés de irmos a um posto de saúde, ganhamos um médico específico que irá nos atender sempre. Confesso que o conceito me agrada, mas ainda não tenho direito a ele, e por isso da peleja.
Outro aprendizado é que, mesmo não podendo estar no país depois de 90 dias, o governo tem uma estrutura (lenta e meio precária, mas que funciona) para atender inclusive os ilegais e os turistas de graça, que foi o meu caso. Significa que, se eu tivesse essa necessidade e não pudesse ter documentos, não morreria sem atendimento na rua.
Outra descoberta foi que o tal codice fiscale que o consulado italiano emitiu pra mim no papel no Brasil serve sim, porque ele foi usado para o cadastro no hospital.
Uma coisa que me ocorreu e que realmente foi super importante: se você é alérgico como eu (no meu caso, a Omeprazol) é essencial saber o nome do remédio e o nome do princípio ativo ao qual você é alérgico em italiano, para evitar problemas em eventuais atendimentos médicos. Pode ser útil também saber o nome do remédio que você pode usar no lugar daquele que te provoca alergia.
Caso você tenha que ir ao hospital, leve o carregador do seu celular. Não é permitido que seu acompanhante esteja com você depois da passagem pela triagem (que costuma acontecer nos primeiros 15 minutos de atendimento no hospital). Isso significa que todo o restante do tempo ou você estará se comunicando com as pessoas pelo seu whatsapp ou você terá bastante tempo para conversar com as pessoas ao redor, orar, meditar, chorar (porque vontade dá de sobra quando você vê o tempo passando e nada mudando, e mais ainda quando você reclama da demora e o funcionário ali diz que o que você está esperando é pouco...).
Duas últimas dicas: conheça bem os seus parentes no Brasil, e pense muito bem antes de contar a eles que você está no hospital. Não estou, em hipótese alguma, sugerindo que você deixe de contar a eles que esteve no hospital, mas dependendo de quem é e como é o seu parente, avise-o apenas quando já tiver sido atendido e medicado para evitar ansiedade desnecessária, já que a distância impede uma ação mais efetiva mas ao mesmo tempo causa uma enorme sensação de impotência do outro lado, o que só piora o quadro geral. E por fim, avise SEMPRE a equipe em que você está inserido. Avise sua liderança ou pelo menos um ou dois irmãos com quem você tem mais proximidade e que você sabe que se encarregarão de avisar o restante. Além de se sentir cuidado com as mensagens e orações que todos farão (e eu senti isso na pele) você tem a certeza de que não está só e que poderá ser amparado caso tenha qualquer necessidade.
terça-feira, 25 de outubro de 2016
Um domingo de novidades com sabor de missão cumprida!
Hoje tivemos o nosso primeiro encontro com Deus promovido aqui na Itália. Nesse evento, que aqui tivemos que compactar para algo em seis horas, pudemos ver o agir de Deus na vida de dez pessoas que estiveram conosco, e isso foi lindo. Bom, na verdade, eu consideraria mais uma, porque tem um senhor que sempre está conosco porque ele leva a esposa sempre às celulas, aos cultos, mas ele mesmo diz que não quer nada, mas sempre presta atenção e questiona tudo quando não entende. E mais: todos o amam, e ele sabe e sente isso, e arrisco dizer que ele se sente em casa em nosso meio. O dia que ele entender que Deus sempre esteve o cercando, ele será o cara mais apaixonado por Jesus que eu conheci neste lugar. Até lá, oremos!
Uma coisa interessante foi que me propus a fotografar e filmar, e claro, como todo primeiro evento, faltou aquele check list básico de equipamentos que eu estou cansada de saber que é necessário, mas que no fim eu acabei deixando de lado, o que não impediu muitas coisas, mas complicou pros irmãos que tem menos experiência. Combinei com eles que vou resgatar um dos check lists feitos no passado para compartilhar para sempre nos prepararmos corretamente, inclusive para os cultos, já que teremos cultos daqui em diante quinzenalmente (como o espaço não é nosso, tudo é montado e desmontado em cada dia de culto ou evento). Pra mim o filmar tem sido uma demanda cada vez mais presente, e de alguma forma eu já sabia que Deus me levaria a isso, então, me resta abraçar com unhas e dentes e seguir em frente nessa nova empreitada.
Uma outra coisa muito jóia foi conhecer o pessoal da célula de Bergamo, que eu ainda não tinha tido a oportunidade de conhecer. Nesse momento, o que mais me impressionou foi ver o quanto a igreja tem crescido em tão pouco tempo, já que em menos de quatro meses acabamos tendo 3 reuniões de célula na semana, ao passo que em alguns países da Europa, as igrejas com 3 anos contam com a participação de 100 pessoas (por aqui, somos quase 40 já em 5 meses).
Por fim de tudo, ao sair do local para voltar pra casa, senti muita dor de cabeça e um certo enjoo, e acabei, ao invés de aceitar o convite pra tomar um lanche com os irmãos no centro, indo pra casa, e piorando do mal estar, mesmo tomando aquela schweppes citrus (que sempre ajudou o estômago) e comendo algo leve. Enfim, deixei até para escrever esse relato em outro momento.
Cansada? Sim. Dolorida e enjoada? Muito. Satisfeita? Demais! É por isso que estamos aqui: para sermos instrumentos nas mãos de Deus para que uma nação inteira seja impactada com o amor Dele através de nossas vidas, e isso eu creio que hoje pudemos fazer.
Uma coisa interessante foi que me propus a fotografar e filmar, e claro, como todo primeiro evento, faltou aquele check list básico de equipamentos que eu estou cansada de saber que é necessário, mas que no fim eu acabei deixando de lado, o que não impediu muitas coisas, mas complicou pros irmãos que tem menos experiência. Combinei com eles que vou resgatar um dos check lists feitos no passado para compartilhar para sempre nos prepararmos corretamente, inclusive para os cultos, já que teremos cultos daqui em diante quinzenalmente (como o espaço não é nosso, tudo é montado e desmontado em cada dia de culto ou evento). Pra mim o filmar tem sido uma demanda cada vez mais presente, e de alguma forma eu já sabia que Deus me levaria a isso, então, me resta abraçar com unhas e dentes e seguir em frente nessa nova empreitada.
Uma outra coisa muito jóia foi conhecer o pessoal da célula de Bergamo, que eu ainda não tinha tido a oportunidade de conhecer. Nesse momento, o que mais me impressionou foi ver o quanto a igreja tem crescido em tão pouco tempo, já que em menos de quatro meses acabamos tendo 3 reuniões de célula na semana, ao passo que em alguns países da Europa, as igrejas com 3 anos contam com a participação de 100 pessoas (por aqui, somos quase 40 já em 5 meses).
Por fim de tudo, ao sair do local para voltar pra casa, senti muita dor de cabeça e um certo enjoo, e acabei, ao invés de aceitar o convite pra tomar um lanche com os irmãos no centro, indo pra casa, e piorando do mal estar, mesmo tomando aquela schweppes citrus (que sempre ajudou o estômago) e comendo algo leve. Enfim, deixei até para escrever esse relato em outro momento.
Cansada? Sim. Dolorida e enjoada? Muito. Satisfeita? Demais! É por isso que estamos aqui: para sermos instrumentos nas mãos de Deus para que uma nação inteira seja impactada com o amor Dele através de nossas vidas, e isso eu creio que hoje pudemos fazer.
sábado, 22 de outubro de 2016
Muito prazer: sou guia turística nas horas vagas!
Como um bom sábado, aproveitei e descansei. Na verdade, fazia tempos que eu não tinha uma noite de sono tão profundo, e acho que o fato de estar sentindo minha garganta começar a doer ajudou a eu ficar mais cansada, e com isso dormir um pouco mais profundamente. Tanto que nem reparei a minha colega de quarto chegar de madrugada. O que vi foi quando ela atendeu uma ligação pela manhã falando baixo, mas por estarmos muito próximas não tinha como ouvir a conversa, mas logo desliguei do assunto, virei pro lado e dormi outra vez. Foi bom poder fazer isso, e definitivamente colocar o sono em dia.
Infelizmente, os meus dias em casa tem sido mais dentro do quarto do que em qualquer outro ambiente. Isso porque tenho tido menos disposição de discutir certas coisas, e já percebi que ficar argumentando sobre religião, e ficar gastando tempo explicando que o que algumas pessoas pensam que é vida com Deus é apenas religiosidade, ou ainda só mesmo um grande engano já não é tão fácil quanto antes. Eu preciso mesmo achar um modo de ser mais paciente e doar mais meus ouvidos à lamentação alheia sobre o quanto a vida está ruim para que, no momento certo, Deus me use para dar uma palavra de esperança. Ou não: talvez Ele esteja mesmo me fazendo mais calada com aqueles que simplesmente querem reclamar, e não tem disposição de ouvir algo que, de repente exige uma mudança de postura, mas certamente vai trazer novos frutos. Sei lá, o fato é que nestes dias ando mais reservada em relação a coisas e pessoas em quem não vejo brotar o interesse verdadeiro de ter uma vida com Jesus (ou pelo menos algum interesse ou respeito pelo que eu tenho a oferecer). Por conta disso, em casa ando mais fechada mesmo.
De qualquer modo, tem seu lado bom: hoje eu assisti um programa de televisão italiano em que um apresentador vai a uma cidade e conhece quatro proprietários de restaurantes locais e eles vão conhecendo e avaliando cada um dos lugares, até que ao final um é eleito o melhor dos quatro e ganha um prêmio. Isso me fez ver que, apesar de estar começando a compreender melhor sem me cansar tanto ao me comunicar em italiano, percebo o quanto me falta pra ter um nível razoável de conversação no dia-a-dia, especialmente porque tem muita palavra que é gíria e que acaba sendo usada dependendo do ramo em que se trabalha. Isso me mostra duas coisas: o curso de italiano se faz cada dia mais urgente e sim, vou depender profundamente da Graça de Deus pra conseguir ser fluente no idioma em poucos meses. Mas, isso não me desanima, só me faz pensar que preciso rever meus planos e reajustar meus prazos de execução das coisas.
Por fim fui convidada por uma irmã da igreja a sair com ela e um rapaz que chegou faz uns dias na cidade e que amanhã embarca pra Napole. Não sei dizer como ela conheceu a mãe do rapaz, mas sei que ela acabou aceitando o pedido da mãe de levar o moço pra conhecer algumas coisas por aqui, e me chamou para ir junto. Foi um tempo bem gostoso, o rapaz é uma simpatia e é formado em gastronomia, o que nos fez ficar apostando quanto tempo ele vai levar pra desistir das emoções do Vesúvio pra abraçar o calor das mais famosas cozinhas da noite italiana aqui em Milano... também comemos bem (pra variar), e eu comi de sobremesa um biscoito que é recheado com gelato de fiori di latte (como que um sorvete de leite) coberto nas bordas de morango (mas tinha outros de nozes, pistacchio, chocolate e coco). Por fim, fui com o moço até a linha lilás e tive a oportunidade de conversarmos sobre a vida com Deus, e os motivos pelos quais estamos nesse lugar, a despeito de tudo o que deixamos para trás, pelo amor àquilo que nosso Papai de amor nos está propondo. Foi um excelente encerramento do dia, e voltando pra casa, fiquei feliz, grata a Deus, e pedindo pra que Ele envie muitas outras pessoas a quem tenhamos o privilégio de falar de Jesus, tendo como pretexto inicial dar um passeio para apresentar essa cidade linda que Deus nos permite hoje chamarmos de nossa.
Infelizmente, os meus dias em casa tem sido mais dentro do quarto do que em qualquer outro ambiente. Isso porque tenho tido menos disposição de discutir certas coisas, e já percebi que ficar argumentando sobre religião, e ficar gastando tempo explicando que o que algumas pessoas pensam que é vida com Deus é apenas religiosidade, ou ainda só mesmo um grande engano já não é tão fácil quanto antes. Eu preciso mesmo achar um modo de ser mais paciente e doar mais meus ouvidos à lamentação alheia sobre o quanto a vida está ruim para que, no momento certo, Deus me use para dar uma palavra de esperança. Ou não: talvez Ele esteja mesmo me fazendo mais calada com aqueles que simplesmente querem reclamar, e não tem disposição de ouvir algo que, de repente exige uma mudança de postura, mas certamente vai trazer novos frutos. Sei lá, o fato é que nestes dias ando mais reservada em relação a coisas e pessoas em quem não vejo brotar o interesse verdadeiro de ter uma vida com Jesus (ou pelo menos algum interesse ou respeito pelo que eu tenho a oferecer). Por conta disso, em casa ando mais fechada mesmo.
De qualquer modo, tem seu lado bom: hoje eu assisti um programa de televisão italiano em que um apresentador vai a uma cidade e conhece quatro proprietários de restaurantes locais e eles vão conhecendo e avaliando cada um dos lugares, até que ao final um é eleito o melhor dos quatro e ganha um prêmio. Isso me fez ver que, apesar de estar começando a compreender melhor sem me cansar tanto ao me comunicar em italiano, percebo o quanto me falta pra ter um nível razoável de conversação no dia-a-dia, especialmente porque tem muita palavra que é gíria e que acaba sendo usada dependendo do ramo em que se trabalha. Isso me mostra duas coisas: o curso de italiano se faz cada dia mais urgente e sim, vou depender profundamente da Graça de Deus pra conseguir ser fluente no idioma em poucos meses. Mas, isso não me desanima, só me faz pensar que preciso rever meus planos e reajustar meus prazos de execução das coisas.
Por fim fui convidada por uma irmã da igreja a sair com ela e um rapaz que chegou faz uns dias na cidade e que amanhã embarca pra Napole. Não sei dizer como ela conheceu a mãe do rapaz, mas sei que ela acabou aceitando o pedido da mãe de levar o moço pra conhecer algumas coisas por aqui, e me chamou para ir junto. Foi um tempo bem gostoso, o rapaz é uma simpatia e é formado em gastronomia, o que nos fez ficar apostando quanto tempo ele vai levar pra desistir das emoções do Vesúvio pra abraçar o calor das mais famosas cozinhas da noite italiana aqui em Milano... também comemos bem (pra variar), e eu comi de sobremesa um biscoito que é recheado com gelato de fiori di latte (como que um sorvete de leite) coberto nas bordas de morango (mas tinha outros de nozes, pistacchio, chocolate e coco). Por fim, fui com o moço até a linha lilás e tive a oportunidade de conversarmos sobre a vida com Deus, e os motivos pelos quais estamos nesse lugar, a despeito de tudo o que deixamos para trás, pelo amor àquilo que nosso Papai de amor nos está propondo. Foi um excelente encerramento do dia, e voltando pra casa, fiquei feliz, grata a Deus, e pedindo pra que Ele envie muitas outras pessoas a quem tenhamos o privilégio de falar de Jesus, tendo como pretexto inicial dar um passeio para apresentar essa cidade linda que Deus nos permite hoje chamarmos de nossa.
sexta-feira, 21 de outubro de 2016
Duas cidades cheias de semelhanças
Engraçado como Deus faz certas coisas... não sei se foi amor, misericórdia, graça ou um misto de tudo isso, mas Ele decidiu começar a vida missionária dessa paulistana apaixonada em uma cidade que, em diversos aspectos, é muito parecida à minha cidade de origem. Milano é, como já defini muitas vezes, a São Paulo da Itália. Curioso é que quando comecei a fazer essa comparação, definitivamente não tinha ideia do quanto ela é precisa, e como as duas cidades se parecem.
Bom, São Paulo é a cidade economicamente mais importante do Brasil, e Milano é a cidade mais importante nesse aspecto da Itália. Assim como São Paulo, Milano foi uma das primeiras cidades aqui a ser industrializada e modernizada, e por conta disso, tornou-se uma grande metrópole, que concentra não só diversos pontos culturais mas grande parte das pesquisas científicas nos séculos XIX e XX e também acaba por ser uma das cidades de maior influência no país. Fora disso, tanto São Paulo quanto Milano são cidades que parecem ser preparadas para adultos, e um dos seus pontos mais fortes é a vida noturna. A quantidade e a variedade de bares e restaurantes que se tem em ambas as cidades é absolutamente assustadora. Aqui também existem times de futebol fortes, e é por aqui que circulam diversas personalidades do mundo da moda, assim como é São Paulo no Brasil. Interessante, não?
Pois é... um outro ponto é: se tem alguma coisa que você quer encontrar nesse país, muito provavelmente vai achar por aqui. Não conheço a Itália tanto assim, mas depois de um passeio mais tranquilo hoje de noite pelo mercado (por sinal, um Carrefour... que coisa, não?), chego à conclusão de que poucas coisas não podem ser acessadas pelos milaneses, assim como acontece com os paulistanos. Por exemplo: encontrei fécula de batata, forma de fazer gelo (ok, só um tipo e em um preço que só alguém realmente apaixonado por comer aquelas pedrinhas que parecem vidro poderia encarar) e vários artigos sem glúten. Encontrei também feijão preto e latinhas de feijoada (que confesso não fazer a menor questão de experimentar, já que nem feijão preto nem feijoada me seduzem). Por fim, encontrei (e confesso que me deu até uma pontadinha de tristeza pela frigideira que larguei no Brasil) massa para tapioca. Não comprei, nem ousei tentar, mas em algum momento tentarei essa peripécia e relato por aqui no que vai dar. Já sei também por aqui em Milano aonde tomar caldo de cana e aonde posso comer um açaí (a qualidade? não tive coragem ainda de experimentar, considerando o custo de R$ 24,00 um pote pequeno... minha curiosidade não foi tão longe assim ainda). Ou seja, se tem alguma coisa diferente que se quer, por aqui é possível encontrar, especialmente se for comida.
Mas, uma outra semelhança que eu notei especialmente hoje foi em relação ao trânsito: hoje de dia aconteceu uma greve (anunciada previamente) nos metrôs, e isso fez com que muita gente saísse pelas ruas de carro (e quem foi afortunado como eu acabou escolhendo ficar pelo bairro mesmo, de modo que a greve passou apenas como mais uma notícia que se ouve por aí). E claro, ao final do dia, o trânsito tomou conta das ruas.
Pra quem esperava que gente estressada, buzinas sendo acionadas sem a menor necessidade, gente gritando e xingando efusivamente e carros alheios fechando cruzamentos fossem coisas apenas do Brasilzão, um alerta: acho que os brasileiros nesse quesito são mirins, porque por aqui, quando o povo dá pra fazer barbeiragem, os "brasilianos" ficam mesmo é no chinelo. Fora que os italianos tem uma variedade impressionante de palavrões a serem usados em inúmeras circunstâncias... em alguns momentos, parece até uma língua paralela. Em geral, são educados, mas quando perdem a linha, provam que (falta de) educação e (des)elegância não estão necessariamente ligados à geografia.
Hoje, confesso, me deu saudades das padarias de São Paulo, numerosas, com diversidades de pães, perto de casa e abertas até às dez da noite. Quando isso aconteceu, fui mesmo ao Carrefour, já que o mais próximo que existe por aqui é a Pasticeria, que é como uma padaria que funciona durante o dia apenas (mas que, graças a Deus, serve cappuccinos com ou sem chocolate... não é o máximo?). Também me deu uma pequenina nostalgia do delivery da pizzaria, já que as pizzas por aqui são tradicionais, mas nada que seja comparável às pizzas de frango com catupiry, com massas mais robustas, cheias de recheio e divisíveis em mais de dois pedaços. Contentei-me então com o meu pão de grãos, um queijo de cabra, uma espécie de patê feito apenas com azeitonas pretas picadas em pedaços minúsculos em conserva e um autêntico salame italiano, acompanhados por um pouco de chá a um preço maravilhosamente barato... Afinal de contas, uma das inúmeras semelhanças entre as duas cidades é a versatilidade de sua população, que aprende a aproveitar ao máximo aquilo que cada lugar oferece de melhor. :D
Bom, São Paulo é a cidade economicamente mais importante do Brasil, e Milano é a cidade mais importante nesse aspecto da Itália. Assim como São Paulo, Milano foi uma das primeiras cidades aqui a ser industrializada e modernizada, e por conta disso, tornou-se uma grande metrópole, que concentra não só diversos pontos culturais mas grande parte das pesquisas científicas nos séculos XIX e XX e também acaba por ser uma das cidades de maior influência no país. Fora disso, tanto São Paulo quanto Milano são cidades que parecem ser preparadas para adultos, e um dos seus pontos mais fortes é a vida noturna. A quantidade e a variedade de bares e restaurantes que se tem em ambas as cidades é absolutamente assustadora. Aqui também existem times de futebol fortes, e é por aqui que circulam diversas personalidades do mundo da moda, assim como é São Paulo no Brasil. Interessante, não?
Pois é... um outro ponto é: se tem alguma coisa que você quer encontrar nesse país, muito provavelmente vai achar por aqui. Não conheço a Itália tanto assim, mas depois de um passeio mais tranquilo hoje de noite pelo mercado (por sinal, um Carrefour... que coisa, não?), chego à conclusão de que poucas coisas não podem ser acessadas pelos milaneses, assim como acontece com os paulistanos. Por exemplo: encontrei fécula de batata, forma de fazer gelo (ok, só um tipo e em um preço que só alguém realmente apaixonado por comer aquelas pedrinhas que parecem vidro poderia encarar) e vários artigos sem glúten. Encontrei também feijão preto e latinhas de feijoada (que confesso não fazer a menor questão de experimentar, já que nem feijão preto nem feijoada me seduzem). Por fim, encontrei (e confesso que me deu até uma pontadinha de tristeza pela frigideira que larguei no Brasil) massa para tapioca. Não comprei, nem ousei tentar, mas em algum momento tentarei essa peripécia e relato por aqui no que vai dar. Já sei também por aqui em Milano aonde tomar caldo de cana e aonde posso comer um açaí (a qualidade? não tive coragem ainda de experimentar, considerando o custo de R$ 24,00 um pote pequeno... minha curiosidade não foi tão longe assim ainda). Ou seja, se tem alguma coisa diferente que se quer, por aqui é possível encontrar, especialmente se for comida.
Mas, uma outra semelhança que eu notei especialmente hoje foi em relação ao trânsito: hoje de dia aconteceu uma greve (anunciada previamente) nos metrôs, e isso fez com que muita gente saísse pelas ruas de carro (e quem foi afortunado como eu acabou escolhendo ficar pelo bairro mesmo, de modo que a greve passou apenas como mais uma notícia que se ouve por aí). E claro, ao final do dia, o trânsito tomou conta das ruas.Pra quem esperava que gente estressada, buzinas sendo acionadas sem a menor necessidade, gente gritando e xingando efusivamente e carros alheios fechando cruzamentos fossem coisas apenas do Brasilzão, um alerta: acho que os brasileiros nesse quesito são mirins, porque por aqui, quando o povo dá pra fazer barbeiragem, os "brasilianos" ficam mesmo é no chinelo. Fora que os italianos tem uma variedade impressionante de palavrões a serem usados em inúmeras circunstâncias... em alguns momentos, parece até uma língua paralela. Em geral, são educados, mas quando perdem a linha, provam que (falta de) educação e (des)elegância não estão necessariamente ligados à geografia.
Hoje, confesso, me deu saudades das padarias de São Paulo, numerosas, com diversidades de pães, perto de casa e abertas até às dez da noite. Quando isso aconteceu, fui mesmo ao Carrefour, já que o mais próximo que existe por aqui é a Pasticeria, que é como uma padaria que funciona durante o dia apenas (mas que, graças a Deus, serve cappuccinos com ou sem chocolate... não é o máximo?). Também me deu uma pequenina nostalgia do delivery da pizzaria, já que as pizzas por aqui são tradicionais, mas nada que seja comparável às pizzas de frango com catupiry, com massas mais robustas, cheias de recheio e divisíveis em mais de dois pedaços. Contentei-me então com o meu pão de grãos, um queijo de cabra, uma espécie de patê feito apenas com azeitonas pretas picadas em pedaços minúsculos em conserva e um autêntico salame italiano, acompanhados por um pouco de chá a um preço maravilhosamente barato... Afinal de contas, uma das inúmeras semelhanças entre as duas cidades é a versatilidade de sua população, que aprende a aproveitar ao máximo aquilo que cada lugar oferece de melhor. :D
quinta-feira, 20 de outubro de 2016
Quando existirem muitas vozes, cale todas as que são secundárias
Hoje escrevo sobre algo que definitivamente pode não parecer nada prático, mas que é absolutamente imprescindível para que as coisas se ajustem e seja possível ir além, andar dia a dia na direção correta e não se perder no meio do caminho.
Conforme os dias vão passando, muitas coisas vão acontecendo, e muitas vozes vão surgindo. Quando eu me refiro a vozes, eu falo sobre pessoas que simplesmente surgem ao seu redor e que acabam falando coisas que pensam ou esperam de você ou de outros, e que acabam de uma forma ou de outra, se você não prestar atenção, te influenciando mais do que deveriam.
Claro, é necessário ter pessoas ao seu lado, especialmente em um contexto em que tudo é tão novo. Nessa situação, quanto mais gente confiável estiver com você, mais rápida e suave será a sua caminhada. Mas como discernir quem é confiável e para que? E mais: como distinguir quando essa pessoa está sendo uma ajuda ou simplesmente mais uma opinião bem intencionada mas infrutífera?
Conversar com imigrantes como você é muito importante, e realmente bastante útil, já que sempre existe uma informação importante a ser compartilhada (dada ou recebida, ou mesmo trocada e atualizada) ou um sentimento que pode ser acalmado com um abraço solidário de alguém que está passando pelo mesmo que você, ou que já viveu algo parecido e que, de algum modo, consegue entender como você se sente. Definitivamente o ser humano é um ser criado para a socialização, e esconder-se é, de alguma forma, matar o outro e morrer para o que vale a pena nesse mundo. Mas, ao mesmo tempo, conversar com outras pessoas, sejam locais ou imigrantes, exige discernimento extra, já que tudo aquilo que é dito, no momento da ansiedade, pode ser interpretado como verdade absoluta, e muitas vezes, aquilo que foi dito é uma experiência pessoal do outro, que é intransferível e você não vai viver, ou somente uma opinião, e como se bem sabe, opinião é como mãe: cada um tem a sua, e ai daquele que achar que a minha é pior do que qualquer outra...
Tomo tempo e espaço aqui para falar sobre isso porque, conversando com imigrantes (recém chegados ou que moram há mais tempo aqui), o que ouço com mais frequência é a necessidade de conseguir lavoro (trabalho), ou ainda a questão de como uma documentação faz diferença na vida ou não, e do quanto é necessário abrir mão da sua ocupação no Brasil para assumir uma posição de trabalho mais simples porque, afinal de contas, você é imigrante, e não é um nativo, o que é uma desvantagem natural que, somada ao fato de que não conhecemos o contexto local e nem dominamos o idioma, pode nos trazer grandes complicações.
Isso é verdade? Bom, por um lado sim, evidentemente dominar o idioma é uma vantagem excelente, e fazer-se entender é essencial, mas não é um documento ou um idioma a mais que necessariamente fará alguém conseguir ou não alguma coisa nessa vida. Pelo menos, não mais do que a determinação pessoal por obter o resultado, e muito menos do que a vitória que a promessa de Deus traz sobre a vida de cada filho Seu.
O grande lance é que o imigrante tende a se juntar com outros imigrantes, que claro, compreendem "a dor e a delícia de ser quem se é", mas com essa empatia vem também a ansiedade e o desânimo que muitas vezes acomete os corações de quem acabou vindo para a Itália em busca de uma vida melhor que, no fim das contas, não chegou como se esperava... e isso acaba contaminando a gente.
Nessas horas, é essencial voltar ao fundamental, silenciar tudo o que está ao redor, e voltar-se ao seu objetivo. Como fazer isso? Trancar as portas do quarto, parar de escutar outras pessoas, deixar de lado opiniões, relaxar, conversar com Deus e aguardar que Ele indique o que de fato Ele tem para a sua vida no dia de hoje, sem ansiedade, sem agitação, sem opiniões diversas, sem letra, sem peso, sem lei, sem condenação, sem dúvida. E seguir à risca o que Ele disser.
E depois? Agradecer. Afinal de contas, um coração grato pelo que já foi dado é fundamental para que exista o ânimo necessário de ir atrás do que virá. Além do mais, um coração grato abre portas, porque o sorriso no rosto de quem é agradecido é espontâneo, e hoje em dia, infelizmente, raro, mas é exatamente ele que chama atenção e que faz com que as pessoas ao seu redor se acheguem a você do modo correto, trazendo boas oportunidades para ambos.
Por fim, nada de se intimidar porque nem todos os dias são incrivelmente divertidos ou cheios de novidade: a vida ajustada é cheia de rotinas, e nem por isso ela é ruim. Se quero uma colheita farta, preciso abandonar os receios, as opiniões alheias muitas vezes, os conceitos aprendidos e mirar no alvo. Isso é o que fará a diferença, e ela não virá de apenas um passo, mas de uma sucessão de passos na direção correta. Por isso é importante sempre avaliar se a rota está de acordo com o caminho proposto: se não estiver, pode parecer que se desviar alguns metros seja um movimento inofensivo, mas é necessário apenas um passo em falso para cair em um buraco que atrase todo o caminhar, ou até impeça que sigamos adiante. Portanto, parar e alinhar sentimentos, pensamentos e vontade é necessário sempre que sentir que algo está fora do lugar. Como dizia uma conhecida minha: "vai devagar que eu estou com pressa!"
Mais um dia de desafios
Como nem todo dia começa fácil, o meu hoje começou cheio de desafios, e assim foi até o final. Por volta das quatro da manhã, um dos nossos colegas chega na casa e acaba acordando todo mundo, o que fez com que a casa inteira tivesse uma noite toda truncada de sono, e claro, dificuldades ao levantar. Pra ajudar, durante a noite, eu acabei tendo cólicas, e esse foi o maior desafio durante o dia. E claro, cólica e sono é ruim em qualquer local e em qualquer língua. Por isso, eu acabei demorando pra sair e, ao invés de me posicionar pra fazer o que era necessário, quando acordei, tomei remédio e deitei novamente, não só pra descansar da noite mal dormida, mas também pra dar tempo do remédio fazer efeito.
Quando acordei, pude então levantar e ir conforme combinado com a moça que mora comigo, na tal Agenzia Dell'Entrate, um órgão do governo italiano que não saberia dizer bem ao certo pra que serve, mas que no momento resolverá meu problema com o codice fiscale, já que eu tenho um emitido pelo consulado italiano no Brasil mas que por aqui não serve pra nada. Ali na Agenzia Dell'Entrate eles transformam meu codice fiscale em papel em uma carteirinha (a tal tessera) e com isso posso abrir a conta pré-paga do Postale (a tal postapay) e também posso usar esse documento pra outras coisas que se façam necessárias.
Uma coisa que vi quando cheguei na Agenzia Dell'Entrate é que, assim como no Brasil, existem eventos corporativos que comprometem o atendimento ao público, e tal qual acontece lá, hoje não foi possível fazer nada, e eles estavam apenas dando informações sobre como proceder. Isso também me fez pensar que ser imigrante é pagar sempre pela sua própria ignorância, porque se eu soubesse dessa necessidade e dessa opção antes, eu já estaria provavelmente com esse assunto resolvido.
Minha dica então pra quem vem a seguir é: depois de chegar em Milano, as primeiras coisas a se fazer são a tessera da ATM (o cartão para metrô, trem e ônibus) considerando a sua idade e o local de moradia e circulação (dependendo da área urbana que se queira circular o preço varia e a tarifa pode ser desde 25 euros pra estudantes e menores de 26 anos até 85 euros pra quem é adulto, não estudante e que more fora do perímetro urbano de Milano), a compra do chip para o celular (e de imediato optar por um plano pré-pago de internet porque isso é algo que usa-se praticamente o tempo todo) e a ida a Agenzia Dell'Entrate para resolver a coisa do codice fiscale na tessera porque, com isso, é possível fazer a tal postapay e não ficar preocupado com dinheiro em moeda, ou ficar usando cartão com IOF e tarifas bancárias no Brasil.

Depois dessa passagem rápida pela burocracia, tempo de fazer um passeio aproveitando as coisas boas da cidade, e claro, entre elas, comer bem e ver as coisas bonitas que Milano tem para oferecer. E sendo a capital da moda, nada mais justo do que dar uma passadinha em algumas lojas para olhar ideias, ver coisa e gente bonita, sonhar, e depois tomar um cafezinho delicioso com um docinho (que eu deveria ter deixado pra outro dia porque ando comendo mais do que o ideal) e arejar a vida. Encontrei um lugar em que são vendidas algumas coisas mais alternativas, como tintas para cabelo com cores realmente ousadas, capacetes pra lá de descolados, tênis cheios de estilo e muito mais coisinhas que eu acho definitivamente sensacionais! Ok, talvez eu não usasse boa parte delas, mas é o tipo de influência fashion que eu acho que se deve respirar numa cidade tão cheia de estilos e de história na busca do que é belo.
Voltando pra casa, tempo de descansar um pouco e recuperar a noite mal dormida. E quando se mora em casa com muita gente diferente é assim: quando dá, o negócio é aproveitar e dormir porque nunca se sabe se a próxima noite será boa. Além do mais, se irritar com os outros não só não resolve como também causa mais confusão e mais chance de ter problemas nos dias seguintes, então o lance é agradecer a Deus pelos momentos que Ele concecer de tranquilidade e fazer com que eles sejam bem aproveitados. Como estava todo mundo cansado, todo mundo dormiu e foi a maior paz. Foi o suficiente para que eu pudesse me preparar para o melhor momento das minhas semanas aqui: a célula. Ontem fizemos homenagem pro nosso lider querido, e foi ótimo porque através desse momento Deus falou bastante ali, e também nos momentos de oração, o que deu uma excelente renovada no que faltava pra tudo ficar melhor.
Por sinal, ontem conheci um rapaz venezuelano que foi a primeira vez na célula (nem sei de onde ele saiu) e conversamos em italiano. Foi ótimo porque estou ficando menos tímida para tentar falar cada vez mais na lingua local, o que ajuda por demais, afinal de contas, não quero chegar no final do ano e ver que não aprendi nada e que continuo com dificuldade de viver por aqui. Pra mim, uma questão de honra (e que eu tenho visto que não é só neurose, é realmente questão de ter as melhores opções e oportunidades) é dominar o idioma. Sem isso, e sendo nascida fora daqui, eu (e qualquer outro imigrante) fica condenado a empregos mais pesados, com menor paga e que não abrem tantas portas. Deus faz milagres, claro, mas a nossa parte precisa ser feita, e eu estou agora caçando um curso de italiano que, em nome de Jesus, vou encontrar em breve.
Quando acordei, pude então levantar e ir conforme combinado com a moça que mora comigo, na tal Agenzia Dell'Entrate, um órgão do governo italiano que não saberia dizer bem ao certo pra que serve, mas que no momento resolverá meu problema com o codice fiscale, já que eu tenho um emitido pelo consulado italiano no Brasil mas que por aqui não serve pra nada. Ali na Agenzia Dell'Entrate eles transformam meu codice fiscale em papel em uma carteirinha (a tal tessera) e com isso posso abrir a conta pré-paga do Postale (a tal postapay) e também posso usar esse documento pra outras coisas que se façam necessárias.
Uma coisa que vi quando cheguei na Agenzia Dell'Entrate é que, assim como no Brasil, existem eventos corporativos que comprometem o atendimento ao público, e tal qual acontece lá, hoje não foi possível fazer nada, e eles estavam apenas dando informações sobre como proceder. Isso também me fez pensar que ser imigrante é pagar sempre pela sua própria ignorância, porque se eu soubesse dessa necessidade e dessa opção antes, eu já estaria provavelmente com esse assunto resolvido.
Minha dica então pra quem vem a seguir é: depois de chegar em Milano, as primeiras coisas a se fazer são a tessera da ATM (o cartão para metrô, trem e ônibus) considerando a sua idade e o local de moradia e circulação (dependendo da área urbana que se queira circular o preço varia e a tarifa pode ser desde 25 euros pra estudantes e menores de 26 anos até 85 euros pra quem é adulto, não estudante e que more fora do perímetro urbano de Milano), a compra do chip para o celular (e de imediato optar por um plano pré-pago de internet porque isso é algo que usa-se praticamente o tempo todo) e a ida a Agenzia Dell'Entrate para resolver a coisa do codice fiscale na tessera porque, com isso, é possível fazer a tal postapay e não ficar preocupado com dinheiro em moeda, ou ficar usando cartão com IOF e tarifas bancárias no Brasil.

Depois dessa passagem rápida pela burocracia, tempo de fazer um passeio aproveitando as coisas boas da cidade, e claro, entre elas, comer bem e ver as coisas bonitas que Milano tem para oferecer. E sendo a capital da moda, nada mais justo do que dar uma passadinha em algumas lojas para olhar ideias, ver coisa e gente bonita, sonhar, e depois tomar um cafezinho delicioso com um docinho (que eu deveria ter deixado pra outro dia porque ando comendo mais do que o ideal) e arejar a vida. Encontrei um lugar em que são vendidas algumas coisas mais alternativas, como tintas para cabelo com cores realmente ousadas, capacetes pra lá de descolados, tênis cheios de estilo e muito mais coisinhas que eu acho definitivamente sensacionais! Ok, talvez eu não usasse boa parte delas, mas é o tipo de influência fashion que eu acho que se deve respirar numa cidade tão cheia de estilos e de história na busca do que é belo.Voltando pra casa, tempo de descansar um pouco e recuperar a noite mal dormida. E quando se mora em casa com muita gente diferente é assim: quando dá, o negócio é aproveitar e dormir porque nunca se sabe se a próxima noite será boa. Além do mais, se irritar com os outros não só não resolve como também causa mais confusão e mais chance de ter problemas nos dias seguintes, então o lance é agradecer a Deus pelos momentos que Ele concecer de tranquilidade e fazer com que eles sejam bem aproveitados. Como estava todo mundo cansado, todo mundo dormiu e foi a maior paz. Foi o suficiente para que eu pudesse me preparar para o melhor momento das minhas semanas aqui: a célula. Ontem fizemos homenagem pro nosso lider querido, e foi ótimo porque através desse momento Deus falou bastante ali, e também nos momentos de oração, o que deu uma excelente renovada no que faltava pra tudo ficar melhor.
Por sinal, ontem conheci um rapaz venezuelano que foi a primeira vez na célula (nem sei de onde ele saiu) e conversamos em italiano. Foi ótimo porque estou ficando menos tímida para tentar falar cada vez mais na lingua local, o que ajuda por demais, afinal de contas, não quero chegar no final do ano e ver que não aprendi nada e que continuo com dificuldade de viver por aqui. Pra mim, uma questão de honra (e que eu tenho visto que não é só neurose, é realmente questão de ter as melhores opções e oportunidades) é dominar o idioma. Sem isso, e sendo nascida fora daqui, eu (e qualquer outro imigrante) fica condenado a empregos mais pesados, com menor paga e que não abrem tantas portas. Deus faz milagres, claro, mas a nossa parte precisa ser feita, e eu estou agora caçando um curso de italiano que, em nome de Jesus, vou encontrar em breve.
terça-feira, 18 de outubro de 2016
Andando mais que notícia ruim...
Hoje foi dia de rodar, rodar e rodar pela Zona 4 de Milano. Fui a uma série de lugares, e procurei mil coisas, entre elas casa com um amigo, tentei abrir uma conta pré-paga na PosteItaliane (que é o equivalente aos Correios por aqui) sem sucesso porque simplesmente os caras não conseguem aceitar o meu codice fiscale que o consulado italiano em São Paulo emitiu no papel não serve pra abertura de uma conta pré-paga mas também não conseguem justificar porque raios eu preciso de qualquer jeito ter o codice fiscale na tessera (que é uma carteirinha, ou seja, é o mesmíssimo número, emitido pelo mesmíssimo governo, mas é num cartão plástico e não em um papel). Enfim, canseira e enfado, deixa isso pra lá por hoje porque realmente depois de conversar em 3 agências eu decidi não me irritar e deixar pra pensar nisso amanhã.
Mas, fica a dica: o tal codice fiscale que o consulado italiano emitiu no papel pra quem foi até lá no Brasil serve mais ou menos por aqui. Por quê? Não se sabe dizer exatamente, mas alguns dizem que ele é provisório (?) e não pode ser usado para abrir uma conta pré-paga (!). Turistas também não podem ter contas pré-pagas aqui, portanto ou eles usam contas em seus países de origem acessíveis por aqui ou carregam seu dinheiro por onde quer que andem junto a si para evitar sustos. E sim, por aqui, pode ser mais seguro andar com o dinheiro do que deixar em um armário sem chave, porque o índice de assaltos é quase nulo, mas furtos eventualmente acontecem, como em toda grande metrópole. Por isso, não se engane: em horário de metrô cheio, o bom e velho hábito de manter a bolsa pra frente é válido. Fechar bolsos e bolsas também pode ser uma boa prática. Não vemos furtos assim tão frequentemente, mas eles acontecem e não custa evitar.
Por sinal, o momento inusitado do dia ficou por conta da ida a uma feira de rua (que eu lamento não ter feito fotos): eu e meu amigo paramos em uma das diversas bancas que vendem roupas (novas e usadas) e ficamos olhando as roupas, buscando preços... e quando percebemos, a dona italiana da barraca começa a gritar e nos expulsar dali alegando que estamos atrapalhando e que vamos roubar algo dela (?) e que aquele não é o nosso espaço... eu fiquei em choque, triste por ela, mas tive a oportunidade de ver que mais uma vez, esse é um momento e essa situação é um convite para que eu continue a fazer o certo mesmo quando a pessoa não o faz: ao invés de gritar, de xingar ou de perder a paciência, eu a abençoei e pude comentar com meu amigo que só vamos mudar a vida dela quando ela perceber que esse tipo de coisa não leva a nada, e que portanto, o que muda a vida das pessoas é a compreensão, o amor e a oração. Pode até não ter mudado a vida do meu amigo hoje, mas sei que do meu lado (além de aprender que quando a barraca é de um italiano o negócio é demorar o mínimo possível sem ficar pegando nas coisas) fica a tranquilidade de poder ver o quanto Deus mudou minha vida e como é possível fazer dessa mudança que Ele fez em mim algo bom na vida dos outros.
Mas, fica a dica: o tal codice fiscale que o consulado italiano emitiu no papel pra quem foi até lá no Brasil serve mais ou menos por aqui. Por quê? Não se sabe dizer exatamente, mas alguns dizem que ele é provisório (?) e não pode ser usado para abrir uma conta pré-paga (!). Turistas também não podem ter contas pré-pagas aqui, portanto ou eles usam contas em seus países de origem acessíveis por aqui ou carregam seu dinheiro por onde quer que andem junto a si para evitar sustos. E sim, por aqui, pode ser mais seguro andar com o dinheiro do que deixar em um armário sem chave, porque o índice de assaltos é quase nulo, mas furtos eventualmente acontecem, como em toda grande metrópole. Por isso, não se engane: em horário de metrô cheio, o bom e velho hábito de manter a bolsa pra frente é válido. Fechar bolsos e bolsas também pode ser uma boa prática. Não vemos furtos assim tão frequentemente, mas eles acontecem e não custa evitar.
Por sinal, o momento inusitado do dia ficou por conta da ida a uma feira de rua (que eu lamento não ter feito fotos): eu e meu amigo paramos em uma das diversas bancas que vendem roupas (novas e usadas) e ficamos olhando as roupas, buscando preços... e quando percebemos, a dona italiana da barraca começa a gritar e nos expulsar dali alegando que estamos atrapalhando e que vamos roubar algo dela (?) e que aquele não é o nosso espaço... eu fiquei em choque, triste por ela, mas tive a oportunidade de ver que mais uma vez, esse é um momento e essa situação é um convite para que eu continue a fazer o certo mesmo quando a pessoa não o faz: ao invés de gritar, de xingar ou de perder a paciência, eu a abençoei e pude comentar com meu amigo que só vamos mudar a vida dela quando ela perceber que esse tipo de coisa não leva a nada, e que portanto, o que muda a vida das pessoas é a compreensão, o amor e a oração. Pode até não ter mudado a vida do meu amigo hoje, mas sei que do meu lado (além de aprender que quando a barraca é de um italiano o negócio é demorar o mínimo possível sem ficar pegando nas coisas) fica a tranquilidade de poder ver o quanto Deus mudou minha vida e como é possível fazer dessa mudança que Ele fez em mim algo bom na vida dos outros.
segunda-feira, 17 de outubro de 2016
Experimentando o amor do Pai
Hoje foi daqueles dias em que você pode prever como vão começar mas não tem ideia de como terminariam... e foi benção!
Em primeiro lugar, quando vim pra cá em junho, acabei conhecendo aqui uma moça que é de uma de nossas igrejas no Brasil, da cidade de São Caetano do Sul, e através dela fiquei conhecendo virtualmente sua amiga de escola que é brasileira e mora aqui há anos, a Renata. Isso aconteceu porque essa moça, a Allyne, ficou hospedada na casa da amiga e como andamos eu e a Allyne muito juntas por aqui, a Renata acabou fazendo contato comigo pra saber da amiga e prestar assistência. Dali em diante, conversamos em várias ocasiões mas não tínhamos nos conhecido pessoalmente. Ficamos apenas na intenção e na promessa de que, quando eu voltasse, nos veríamos.
A vida foi seguindo (tanto de lá quanto de cá) e num dado momento, a Renata me conta que está precisando de um documento no Brasil para que a sua cidadania por casamento seja reconhecida. Como eu estava lá e não me custava nada, eu resolvi ir atrás (era coisa simples, um atestado de antecedentes criminais) e preparei o documento pra ela. Fomos nos falando e assim que ficou pronto (alguns dias antes de eu voltar pra cá) combinamos que assim que eu chegasse eu entregaria pra ela a documentação e tomaríamos um café.
Demorou mas no fim das contas ontem conseguimos nos encontrar, e o que era para ser um café pela manhã transformou-se em uma pequena viagem à cidade em que ela mora (próxima de Milano) e também em almoço, lanche da tarde, visita ao PosteItaliane e também a uma amiga dela fantástica, a Regina.
Com isso, conheci um outro canto da região de Milano, e vi um pedaço em que moram diversas famílias imigrantes de vários lugares. É curioso porque tem uma cara completamente diferente da de Milano, não só pelo povo mas principalmente pelas construções mais atuais, mas ao mesmo tempo menos conservadas, e também pela cara de família que o local tem (diferente de Milano, que tem aquela cara cosmopolita de Sampa).
Apesar de ficar presa em um elevador (o que honestamente eu detestei porque já não sou fã de elevador), o dia foi excelente, e eu conheci pessoas amáveis, maravilhosas e me senti extremamente amada por Deus ao conhecer esse povo abençoado e tão acolhedor. Por sinal, tanto a Renata quanto a Regina são lindas, e eu nem sei bem porque não disse isso a elas, mas foi mesmo presente de Deus conhecê-las.
Felizmente para a família da Renata, eles estão de mudança amanhã para a Nova Zelândia, e eu pude desfrutar super pouco dessa companhia linda deles, mas felizmente pra mim, uma semente foi plantada, e eu notei que conheci pessoas super valorosas e que certamente Deus não colocou no meu caminho em vão.
Em primeiro lugar, quando vim pra cá em junho, acabei conhecendo aqui uma moça que é de uma de nossas igrejas no Brasil, da cidade de São Caetano do Sul, e através dela fiquei conhecendo virtualmente sua amiga de escola que é brasileira e mora aqui há anos, a Renata. Isso aconteceu porque essa moça, a Allyne, ficou hospedada na casa da amiga e como andamos eu e a Allyne muito juntas por aqui, a Renata acabou fazendo contato comigo pra saber da amiga e prestar assistência. Dali em diante, conversamos em várias ocasiões mas não tínhamos nos conhecido pessoalmente. Ficamos apenas na intenção e na promessa de que, quando eu voltasse, nos veríamos.
A vida foi seguindo (tanto de lá quanto de cá) e num dado momento, a Renata me conta que está precisando de um documento no Brasil para que a sua cidadania por casamento seja reconhecida. Como eu estava lá e não me custava nada, eu resolvi ir atrás (era coisa simples, um atestado de antecedentes criminais) e preparei o documento pra ela. Fomos nos falando e assim que ficou pronto (alguns dias antes de eu voltar pra cá) combinamos que assim que eu chegasse eu entregaria pra ela a documentação e tomaríamos um café.
Demorou mas no fim das contas ontem conseguimos nos encontrar, e o que era para ser um café pela manhã transformou-se em uma pequena viagem à cidade em que ela mora (próxima de Milano) e também em almoço, lanche da tarde, visita ao PosteItaliane e também a uma amiga dela fantástica, a Regina.
Com isso, conheci um outro canto da região de Milano, e vi um pedaço em que moram diversas famílias imigrantes de vários lugares. É curioso porque tem uma cara completamente diferente da de Milano, não só pelo povo mas principalmente pelas construções mais atuais, mas ao mesmo tempo menos conservadas, e também pela cara de família que o local tem (diferente de Milano, que tem aquela cara cosmopolita de Sampa).
Apesar de ficar presa em um elevador (o que honestamente eu detestei porque já não sou fã de elevador), o dia foi excelente, e eu conheci pessoas amáveis, maravilhosas e me senti extremamente amada por Deus ao conhecer esse povo abençoado e tão acolhedor. Por sinal, tanto a Renata quanto a Regina são lindas, e eu nem sei bem porque não disse isso a elas, mas foi mesmo presente de Deus conhecê-las.
Felizmente para a família da Renata, eles estão de mudança amanhã para a Nova Zelândia, e eu pude desfrutar super pouco dessa companhia linda deles, mas felizmente pra mim, uma semente foi plantada, e eu notei que conheci pessoas super valorosas e que certamente Deus não colocou no meu caminho em vão.
Nada como pesquisar melhor o assunto antes de decidir
Pois é, hoje eu tirei a manhã pra resolver a vida, lavando roupas, o cabelo e organizando alguns pontos, já que parou de chover e deu até uma esquentadinha... isso foi realmente ótimo e eu não sei quando vai rolar de novo, então não podia perder a oportunidade, não é mesmo? Fora disso, não tinha planos inicialmente, então achei melhor mesmo sossegar um pouco e fazer as coisas de manutenção do cotidiano, porque nem sempre é possível, mas sempre é necessário. Aqui em casa temos aquela lavatrice (ou máquina de lavar no bom e velho português) que parece um eletrodoméstico da Barbie: ela é pequena e abre pela frente, dando a impressão de que é quase de brinquedo, mas até que cumpre bem sua função. O cuidado é para usar a medida certa de sabão ou mesmo de ammorbidente (o nosso querido amaciante de roupas). Uma coisa que vale mencionar é que, como em geral não existem lavanderias nos apartamentos, as lava-roupas ficam nos banheiros ou nas cozinhas mesmo, como se fosse uma lava-louças. Zero crise porque não muda a vida de ninguém esse equipamento nesses lugares; o que pega mesmo é não termos aquele cantinho especial para estender as roupas com mais espaço. Bom, para quem curte fazer uma fritura isso pode ser mesmo um problema porque, em geral, quase não existem casas e os apartamentos costumam ser bem pequenos, o que complica o processo de cozinhar coisas com cheiros fortes quando a roupa está secando. Para isso, o melhor é levar as roupas para o quarto, o que no meu caso aqui é sem problemas porque o quarto tem uma varandinha e, se está menos frio, colocamos ali as roupas - quando chove ou esfria, trazemos para dentro do quarto.
Por sinal, ligaram o aquecimento das casas ontem a partir das duas da tarde e realmente parece que a coisa faz diferença. De lá para cá vivemos uma situação um tanto estranha porque, ao mesmo tempo que o riscaldamento (aquecimento) foi ligado, o clima esquentou um pouco, e parou de chover, então agora, inesperadamente passamos calor nos ambientes fechados. Eu fico feliz porque não tenho parentescos com pinguins e acho o máximo poder usar camisetas em casa.
De tarde me chamaram pra ir a um shopping próximo de Milano mas acabamos não indo porque ficou tarde. Entre o tempo em que ficamos no plano e que saímos pra passear, eu acabei passando no supermercado, e descobri duas coisas: a primeira é que o removedor de esmaltes chama-se "solvente per ugnie" e vende-se normalmente em mercados e farmácias, como no Brasil; e a segunda é que no mercado vendem pastinhas de dentes que, claro, não custam o assalto que paguei ontem pela pasta que comprei... tem até as Colgate que eu detesto e que são bem mais baratas, e num momento de aperto serão mesmo a salvação. Isso me fez lembrar da minha mãe que sempre que ia às compras passava nos dois mercados que tem perto de casa, olhava os folhetos e comparava preços e só depois comprava o que queria (ou o que estava em preço que valesse a pena o estoque). Hoje ela não faz mais isso porque as coisas mudaram e também porque acho que, com a idade, ela perdeu um bom tanto da paciência que ela tinha para certas coisas... mas agora eu vejo que eu terei que adotar esse hábito mais vezes, já que mesmo sendo baratas as coisas do cotidiano por aqui, realmente não tem como ficar comprando as coisas no primeiro lugar que se vê.
Da mesma forma, ao final do dia, fui com uma irmã e dois irmãos pro Duomo passear, já que um dos irmãozinhos queria comprar um casaco. Eu achei a oportunidade interessante porque além de ser uma pessoa nova no meu convívio, ele é um cara mais fashionista, e isso poderia me dar ideias novas... e lá fui eu ousada, cheia de coragem e disposição pra olhar roupas. Até procurei um vestido de frio pra comprar, mas entendi que isso quase não existe (só na minha cabeça praticamente, porque em geral as pessoas usam vestidos de tecido fininho e casacões, e quando chegam nos ambientes, elas tiram os casacos e seguem as vidas felizes e aquecidas delas) e acabei meio que deixando de lado essa intenção. Por outro lado, comprei um gorrinho lindo de lã que me deixou mega contente, e conheci lojas novas com peças interessantes a preços acessíveis. Já o meu irmãozinho ficou feliz e triste (assim como eu com a pasta de dentes): teve seu desejo atendido, mas por conta da ansiedade e do senso de urgência descalibrado, acabou comprando um casaco por um preço consideravelmente maior do que o que achamos em seguida.
Por fim, vi na prática que não é só quando se trata de compras que esse cuidado precisa ser tomado, porque afinal de contas, quando a gente ouve uma coisa de alguém e não busca mais informações, a gente pode tender a classificar ou julgar uma situação de modo errôneo, causando alguns males que definitivamente poderiam e deveriam ser evitados... ou seja, o grande aprendizado é que não se pode ter preguiça na vida com Deus: antes de qualquer decisão, a oração, a calma e a pesquisa nos lugares certos são sempre as melhores práticas mesmo.
Por sinal, ligaram o aquecimento das casas ontem a partir das duas da tarde e realmente parece que a coisa faz diferença. De lá para cá vivemos uma situação um tanto estranha porque, ao mesmo tempo que o riscaldamento (aquecimento) foi ligado, o clima esquentou um pouco, e parou de chover, então agora, inesperadamente passamos calor nos ambientes fechados. Eu fico feliz porque não tenho parentescos com pinguins e acho o máximo poder usar camisetas em casa.
De tarde me chamaram pra ir a um shopping próximo de Milano mas acabamos não indo porque ficou tarde. Entre o tempo em que ficamos no plano e que saímos pra passear, eu acabei passando no supermercado, e descobri duas coisas: a primeira é que o removedor de esmaltes chama-se "solvente per ugnie" e vende-se normalmente em mercados e farmácias, como no Brasil; e a segunda é que no mercado vendem pastinhas de dentes que, claro, não custam o assalto que paguei ontem pela pasta que comprei... tem até as Colgate que eu detesto e que são bem mais baratas, e num momento de aperto serão mesmo a salvação. Isso me fez lembrar da minha mãe que sempre que ia às compras passava nos dois mercados que tem perto de casa, olhava os folhetos e comparava preços e só depois comprava o que queria (ou o que estava em preço que valesse a pena o estoque). Hoje ela não faz mais isso porque as coisas mudaram e também porque acho que, com a idade, ela perdeu um bom tanto da paciência que ela tinha para certas coisas... mas agora eu vejo que eu terei que adotar esse hábito mais vezes, já que mesmo sendo baratas as coisas do cotidiano por aqui, realmente não tem como ficar comprando as coisas no primeiro lugar que se vê.
Da mesma forma, ao final do dia, fui com uma irmã e dois irmãos pro Duomo passear, já que um dos irmãozinhos queria comprar um casaco. Eu achei a oportunidade interessante porque além de ser uma pessoa nova no meu convívio, ele é um cara mais fashionista, e isso poderia me dar ideias novas... e lá fui eu ousada, cheia de coragem e disposição pra olhar roupas. Até procurei um vestido de frio pra comprar, mas entendi que isso quase não existe (só na minha cabeça praticamente, porque em geral as pessoas usam vestidos de tecido fininho e casacões, e quando chegam nos ambientes, elas tiram os casacos e seguem as vidas felizes e aquecidas delas) e acabei meio que deixando de lado essa intenção. Por outro lado, comprei um gorrinho lindo de lã que me deixou mega contente, e conheci lojas novas com peças interessantes a preços acessíveis. Já o meu irmãozinho ficou feliz e triste (assim como eu com a pasta de dentes): teve seu desejo atendido, mas por conta da ansiedade e do senso de urgência descalibrado, acabou comprando um casaco por um preço consideravelmente maior do que o que achamos em seguida.
Por fim, vi na prática que não é só quando se trata de compras que esse cuidado precisa ser tomado, porque afinal de contas, quando a gente ouve uma coisa de alguém e não busca mais informações, a gente pode tender a classificar ou julgar uma situação de modo errôneo, causando alguns males que definitivamente poderiam e deveriam ser evitados... ou seja, o grande aprendizado é que não se pode ter preguiça na vida com Deus: antes de qualquer decisão, a oração, a calma e a pesquisa nos lugares certos são sempre as melhores práticas mesmo.
sábado, 15 de outubro de 2016
Estranhezas da imigração
Hoje o dia começou sem escovar os dentes simplesmente porque a pasta de dentes acabou e eu achei que tinha outra na mala e, claro, eu estava enganada! Sendo assim, fiz o que tinha a fazer em casa e no caminho pro metrô entrei na farmácia e comprei uma nova pasta de dentes. Se fosse no Brasil isso não teria nada de excepcional, mas aqui achei a coisa toda no mínimo diferente, e resolvi relatar.
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| Quase o preço de um rim! |
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| O tal benjamin |
Mais uma coisa que é diferente (pelo menos pra mim) aqui do que no Brasil é a telefonia celular: embora a conexão 4G funcione inclusive dentro de qualquer metrô ou trem e quase nunca a pessoa fique sem conexão, aqui percebo o quanto eu consumo de internet. Isso porque no Brasil meu plano era pós-pago e com um limite grande, e mesmo que eu não tivesse uma interrupção do uso dos dados automática ao conectar em uma rede wifi, eu não sentia isso. Por aqui, a vida é outra, e por não desligar essa troca de dados, já fiquei sem créditos duas vezes. O jeito vai ser mesmo fazer um planinho básico por aqui, mas ele não vai rolar provavelmente até o final deste mês, por conta de não ter documento ainda para tal ousadia. Bom, na realidade, estou assumindo que seja assim, mas não tentei fazer isso. Quem sabe fico inspirada e na segunda eu tento e conto pra vocês?
Mais uma coisa que eu vi que é meio óbvia quando a gente para pra pensar mas que pra mim foi surpresa (porque obviamente eu nunca tinha me questionado sobre isso) é a quantidade de horas de diferença entre o Brasil e a Itália. A primeira resposta que sempre me ocorreu foi: "aqui são cinco horas a mais do que no Brasil", e na verdade, não está errado. Mas, hoje me dei conta de que, dependendo da época do ano, isso não é verdade. Entre hoje e amanhã começa o horário de verão em São Paulo, e com isso a diferença diminui em uma hora (veja bem, não estou considerando nessa comparação outras regiões do Brasil... e pra falar a verdade, nem quero pensar porque é coisa demais a essa altura da vida para mim). Mas isso é tudo? Claro que não! Ao final do mês, por alguma razão ainda desconhecida por mim, a Itália também sofre uma mudança no horário, e com isso atrasamos nossos relógios em uma hora também, o que significa que a partir de novembro estaremos apenas há 3 horas de vantagem dos paulistas... como diriam os mineiros, coisa doida, sô!
Pois é... depois de tantas descobertas, acho melhor dormir (e deixar meu notebook feliz recarregando a sua bateria com a fonte conectada no benjamin/ T/ adaptador que eu achei hoje de manhã)!
sexta-feira, 14 de outubro de 2016
O tempo e o lugar de cada coisa
Uma coisa que eu ainda sofro por aqui (e confesso que sofri menos da outra vez mas agora está bem mais complicado de lidar) é o tempo que se demora pra ir de um lugar a outro. Aliás, conhecer a cidade é um privilégio que facilita demais a vida, mas é realmente para alguém que mora há mais tempo. Não adianta ter a ilusão de que em uma semana será possível acertar todas as coisas, e muitas vezes, vejo que os mapas ainda me atrapalham e eu perco tempo e o rumo pra chegar em alguns pontos.
Por exemplo: eu me propus a ir a uma escola de italiano para estrangeiros para me inscrever em um curso que começará na próxima semana e é gratuito. Como eu moro há menos de 200 metros do metrô e a escola fica a duas fermatas (nome italiano para estação) na mesma linha, eu não demoraria mais do que meia hora para chegar tranquilamente ao local... isso se eu não tivesse me perdido e, com a chuva, gastado muito mais tempo do que o previsto para chegar na tal estação, de modo que simplesmente não cheguei à tempo na escola e por isso não consegui me inscrever. Esse foi o único contratempo? Claro que não! Aqui na casa, quando posso, converso em italiano com outros brasileiros, mas hoje soube por um rapaz aqui que outro dos nossos colegas riu de nós porque estávamos falando um pouco do que sabíamos para treinar. Feliz ou infelizmente, esse moço com quem eu conversava deixou claro que essa é uma necessidade de todos e que, caso ele ache bobagem, é só ele não fazer isso. Eu confesso que fiquei feliz e chocada, porque o mesmo cara que criticou faz curso de italiano. Vai entender...
Mais uma coisa: aqui existem quatro linhas de metrô, e em alguns pontos uma interliga com a outra. Eu moro atualmente perto da linha amarela, e em algum ponto lá na frente cruzo com as demais (nesse sentido, ela parece com a linha amarela em Sampa, já que é a linha que liga todas as demais na cidade). O ponto é que, por exemplo, para sair daqui e ir a um lugar poucos quilômetros ao lado, tenho que pegar a linha amarela, depois a vermelha, depois a verde e fazer quase um quadrado completo, o que por mais rápido que seja demora muito mais do que se fosse possível ir reto. De novo, parecido com o que se enfrenta em Sampa para sair da Vila Mariana e ir ao Brooklin: se fosse possível descer direto, seria quase uma linha reta, mas como não dá, pega a linha verde, vai até a Consolação, entra na linha amarela, vai até Pinheiros e pega o trem... e assim a vida segue. Às vezes parece mesmo que continuo na terra da garoa.
Outra semelhança é a impressionante mudança que a cidade sofre quando chove. O trânsito nas ruas fica consideravelmente mais lento, alguns bueiros inundam, os metrôs ficam mais lentos e todo mundo acaba carregando seu guardachuva e eventualmente molhando o outro no metrô, trem ou ônibus. Sim, isso acontece em qualquer lugar (eu acho), mas foi curioso, por exemplo, ver como eu acabei ficando por 25 minutos na fila do mercado para passar pelo caixa. Não sei se foi troca de turno ou se o povo fica mais lento mesmo no frio, mas fiquei sinceramente abismada com a quantidade de gente no mercado às duas da tarde e com a quantidade (pequena) de funcionários nos caixas atendendo naquele momento. E isso honestamente eu via raramente acontecer no Patropi.
Existem diferenças: por aqui não existem motoboys, e nem grandes e largas avenidas como a 23 de maio ou as marginais Pinheiros ou Tietê. Por sinal, as motos são usadas, mas eu não vi ninguém fazendo entrega de moto para lugar algum. Outra coisa que vê-se até que bastante é ciclista (claro que com chuva isso muda completamente) e a bicicleta em uma cidade plana como Milano não é apenas um método de se exercitar, e sim um meio de transporte bem comum, usado inclusive por muitos senhores e senhoras bem vestidos. As ciclovias, quando existem, nem são tão cheias, até porque as pessoas parecem respeitar mais em relação ao espaço alheio, mas por outro lado, se você ficar no caminho de alguém, seja dirigindo um carro, seja na calçada, seja na ciclovia, tenha a certeza de que você ouvirá no mínimo um palavrão em alto e bom som, se não muitos, e vários serão acompanhados de gestos e você os entenderá quase que completamente, mesmo que tenha chegado no dia anterior na cidade. Linguagem universal é realmente algo muito forte.
O italiano em geral liga bastante para a aparência, então, é fácil identificar um estrangeiro (como eu): muitos casacos que não combinam entre si, a maioria deles inclusive esportivo, sapatos funcionais que não são tão bonitos assim, gorros e outros apetrechos que os locais se recusam a usar porque estraga o visual (e que eu não ligo a mínima, até porque eu já não ligava pra isso no Brasil, com esse frio aqui estou me preocupando menos ainda por agora). Mas, com o tempo, é importante começar a mudar a maneira de se vestir: eles infelizmente tem o mesmo hábito ruim do brasileiro de julgar os outros pelas roupas e sapatos, e isso pode fechar portas pra você de modo que você nem sonha que esteja acontecendo... sim, Deus abre portas conforme a vontade Dele, mas se até o apóstolo Paulo adequou seus costumes ao local em que estava para poder assemelhar-se ao povo e passar princípios, que dirá nós, pequenos ainda na fé e na caminhada? Boas estratégias precisam ser reconhecidas e imitadas. O outro lado da moeda é que, conforme a pessoa abraça essa necessidade, às vezes pende para o lado de valorizar demais tudo isso, e acaba perdendo o olhar de compaixão, misericórdia e graça que Deus procura e deseja dividir conosco a cada momento. Pra mim, inclusive, esse é um dos maiores desafios do missionário até o momento...
Por exemplo: eu me propus a ir a uma escola de italiano para estrangeiros para me inscrever em um curso que começará na próxima semana e é gratuito. Como eu moro há menos de 200 metros do metrô e a escola fica a duas fermatas (nome italiano para estação) na mesma linha, eu não demoraria mais do que meia hora para chegar tranquilamente ao local... isso se eu não tivesse me perdido e, com a chuva, gastado muito mais tempo do que o previsto para chegar na tal estação, de modo que simplesmente não cheguei à tempo na escola e por isso não consegui me inscrever. Esse foi o único contratempo? Claro que não! Aqui na casa, quando posso, converso em italiano com outros brasileiros, mas hoje soube por um rapaz aqui que outro dos nossos colegas riu de nós porque estávamos falando um pouco do que sabíamos para treinar. Feliz ou infelizmente, esse moço com quem eu conversava deixou claro que essa é uma necessidade de todos e que, caso ele ache bobagem, é só ele não fazer isso. Eu confesso que fiquei feliz e chocada, porque o mesmo cara que criticou faz curso de italiano. Vai entender...
Mais uma coisa: aqui existem quatro linhas de metrô, e em alguns pontos uma interliga com a outra. Eu moro atualmente perto da linha amarela, e em algum ponto lá na frente cruzo com as demais (nesse sentido, ela parece com a linha amarela em Sampa, já que é a linha que liga todas as demais na cidade). O ponto é que, por exemplo, para sair daqui e ir a um lugar poucos quilômetros ao lado, tenho que pegar a linha amarela, depois a vermelha, depois a verde e fazer quase um quadrado completo, o que por mais rápido que seja demora muito mais do que se fosse possível ir reto. De novo, parecido com o que se enfrenta em Sampa para sair da Vila Mariana e ir ao Brooklin: se fosse possível descer direto, seria quase uma linha reta, mas como não dá, pega a linha verde, vai até a Consolação, entra na linha amarela, vai até Pinheiros e pega o trem... e assim a vida segue. Às vezes parece mesmo que continuo na terra da garoa.
Outra semelhança é a impressionante mudança que a cidade sofre quando chove. O trânsito nas ruas fica consideravelmente mais lento, alguns bueiros inundam, os metrôs ficam mais lentos e todo mundo acaba carregando seu guardachuva e eventualmente molhando o outro no metrô, trem ou ônibus. Sim, isso acontece em qualquer lugar (eu acho), mas foi curioso, por exemplo, ver como eu acabei ficando por 25 minutos na fila do mercado para passar pelo caixa. Não sei se foi troca de turno ou se o povo fica mais lento mesmo no frio, mas fiquei sinceramente abismada com a quantidade de gente no mercado às duas da tarde e com a quantidade (pequena) de funcionários nos caixas atendendo naquele momento. E isso honestamente eu via raramente acontecer no Patropi.
Existem diferenças: por aqui não existem motoboys, e nem grandes e largas avenidas como a 23 de maio ou as marginais Pinheiros ou Tietê. Por sinal, as motos são usadas, mas eu não vi ninguém fazendo entrega de moto para lugar algum. Outra coisa que vê-se até que bastante é ciclista (claro que com chuva isso muda completamente) e a bicicleta em uma cidade plana como Milano não é apenas um método de se exercitar, e sim um meio de transporte bem comum, usado inclusive por muitos senhores e senhoras bem vestidos. As ciclovias, quando existem, nem são tão cheias, até porque as pessoas parecem respeitar mais em relação ao espaço alheio, mas por outro lado, se você ficar no caminho de alguém, seja dirigindo um carro, seja na calçada, seja na ciclovia, tenha a certeza de que você ouvirá no mínimo um palavrão em alto e bom som, se não muitos, e vários serão acompanhados de gestos e você os entenderá quase que completamente, mesmo que tenha chegado no dia anterior na cidade. Linguagem universal é realmente algo muito forte.
O italiano em geral liga bastante para a aparência, então, é fácil identificar um estrangeiro (como eu): muitos casacos que não combinam entre si, a maioria deles inclusive esportivo, sapatos funcionais que não são tão bonitos assim, gorros e outros apetrechos que os locais se recusam a usar porque estraga o visual (e que eu não ligo a mínima, até porque eu já não ligava pra isso no Brasil, com esse frio aqui estou me preocupando menos ainda por agora). Mas, com o tempo, é importante começar a mudar a maneira de se vestir: eles infelizmente tem o mesmo hábito ruim do brasileiro de julgar os outros pelas roupas e sapatos, e isso pode fechar portas pra você de modo que você nem sonha que esteja acontecendo... sim, Deus abre portas conforme a vontade Dele, mas se até o apóstolo Paulo adequou seus costumes ao local em que estava para poder assemelhar-se ao povo e passar princípios, que dirá nós, pequenos ainda na fé e na caminhada? Boas estratégias precisam ser reconhecidas e imitadas. O outro lado da moeda é que, conforme a pessoa abraça essa necessidade, às vezes pende para o lado de valorizar demais tudo isso, e acaba perdendo o olhar de compaixão, misericórdia e graça que Deus procura e deseja dividir conosco a cada momento. Pra mim, inclusive, esse é um dos maiores desafios do missionário até o momento...
quinta-feira, 13 de outubro de 2016
Questões práticas sobre o frio
Ok, eu sei, deve mesmo ser chato ler quase todos os dias sobre o frio, mas sinceramente vejo o quanto isso tem nos trazido contratempos, então vamos falar mais sobre esse assunto.
Em primeiro lugar, roupas impermeáveis... elas ajudam por demais, não só porque cortam o vento mas também porque secam rápido, o que nesse clima enjoado é uma benção, já que as casas em geral não tem lavanderia e nem espaço digno para secar roupas. Isso significa que quando mais o tecido da sua roupa ajudar no processo, mais chances você terá de precisar de menos roupas para passar pelo período todo do frio.
Outra coisa foi que eu tomei uma decisão no Brasil que, em princípio achei arriscada, mas confesso que foi uma das melhores coisas que fiz: deixei minhas toalhas felpudas e trouxe toalhas de montanhismo, que dobradas são minúsculas (pouco maiores do que uma mão fechada) e que são altamente absorventes e de secagem extremamente rápida. Eu realmente não esperava que elas funcionassem tão bem, mas posso dizer? É o que tem salvado o banho nosso (no caso, o meu) de cada dia (sim, eu tomo banho todos os dias, e quase todos os brasileiros que conheço que vivem no exterior mantém esse hábito).
Mais um detalhe: para quem não está acostumado com o frio (quase todos os brasileiros), gorros, cachecóis, polainas ou sapatos de cano alto e casacos corta vento são itens essenciais para o vestuário. Isso sem falar naquilo que o povo aqui chama de "cuffie", que nada mais é do que aquela tiarinha peluda que cobre as orelhas e evita que o ser humano tenha essa parte cartilaginosa do seu corpo para o gelo.
Para dormir, o piumino (que é o edredon deles) é um bom começo, mas nem de longe é a solução para os seus problemas: meias, calças felpudas, blusas idem e um cobertorzinho intermediário entre você e o piumino fazem muita diferença. Não seja tímido e faça uso de tudo o que dispuser. Um cobertor mais fino felpudinho custa cerca de oito euros se você pesquisar bem, e o investimento vale cada centavo.
Tomar água parece uma coisa sem sentido, mas não é. Vejo o quanto tomar muita água e comer frutas e verduras tem feito diferença em certas pessoas que se esforçam em manter esses hábitos. Quanto mais líquido se toma, mais o corpo consegue eliminar eventuais tranqueiras que tenha absorvido. Portanto, compre seu carrinho de feira e vá regularmente ao mercado comprar suas garrafinhas de água (até porque tomar a água da torneira que vem cheia de calcário não resolve de nada).
Por fim, faça muito uso de chás, cafés e outras bebidas quentinhas, mas tome realmente cuidado com o lance de consumir algo assim e sair imediatamente na rua. Parece coisa da vovó, mas antes de ter preconceito, saiba que aquela idosinha que gerou seu pai ou sua mãe tinham razão. Não dê chance para o azar e seja uma pessoa muito mais saudável nesse período de frio na Europa.
Em primeiro lugar, roupas impermeáveis... elas ajudam por demais, não só porque cortam o vento mas também porque secam rápido, o que nesse clima enjoado é uma benção, já que as casas em geral não tem lavanderia e nem espaço digno para secar roupas. Isso significa que quando mais o tecido da sua roupa ajudar no processo, mais chances você terá de precisar de menos roupas para passar pelo período todo do frio.
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| Toalhinha salvadora |
Mais um detalhe: para quem não está acostumado com o frio (quase todos os brasileiros), gorros, cachecóis, polainas ou sapatos de cano alto e casacos corta vento são itens essenciais para o vestuário. Isso sem falar naquilo que o povo aqui chama de "cuffie", que nada mais é do que aquela tiarinha peluda que cobre as orelhas e evita que o ser humano tenha essa parte cartilaginosa do seu corpo para o gelo.
Para dormir, o piumino (que é o edredon deles) é um bom começo, mas nem de longe é a solução para os seus problemas: meias, calças felpudas, blusas idem e um cobertorzinho intermediário entre você e o piumino fazem muita diferença. Não seja tímido e faça uso de tudo o que dispuser. Um cobertor mais fino felpudinho custa cerca de oito euros se você pesquisar bem, e o investimento vale cada centavo.
Tomar água parece uma coisa sem sentido, mas não é. Vejo o quanto tomar muita água e comer frutas e verduras tem feito diferença em certas pessoas que se esforçam em manter esses hábitos. Quanto mais líquido se toma, mais o corpo consegue eliminar eventuais tranqueiras que tenha absorvido. Portanto, compre seu carrinho de feira e vá regularmente ao mercado comprar suas garrafinhas de água (até porque tomar a água da torneira que vem cheia de calcário não resolve de nada).
Por fim, faça muito uso de chás, cafés e outras bebidas quentinhas, mas tome realmente cuidado com o lance de consumir algo assim e sair imediatamente na rua. Parece coisa da vovó, mas antes de ter preconceito, saiba que aquela idosinha que gerou seu pai ou sua mãe tinham razão. Não dê chance para o azar e seja uma pessoa muito mais saudável nesse período de frio na Europa.
Sempre que possível esteja bem acompanhado
Como fazia o He-man ao final de cada um dos seus episódios do seu desenho, vamos ver o que aprendemos hoje: sim, é melhor estar só do que mal acompanhado, mas sempre que possível, esteja bem acompanhado, especialmente se você for um missionário em terra estrangeira.
Conforme o tempo vai esfriando, é fácil olhar para o céu cinzento e ficar desanimado, e isso vai trazendo aquela vontadinha natural de deitar debaixo das cobertas e assistir qualquer porcaria na TV por uma tarde inteira, e claro, a coragem de sair na rua vai se esvaindo se você deixar. Mas lembre-se firmemente que Deus não te tirou de sua terra natal para você deitar em berço esplêndido por mais do que oito horas diárias... portanto, coragem! Mesmo que no momento você não tenha absolutamente nada para fazer, arrume-se, saia de casa e procure estar com os seus irmãos na fé. Além deles poderem ser instrumentos de Deus na sua vida para te dar palavras de ânimo, você também os ouve e percebe que todos estão passando por desafios, e ao mesmo tempo, ambos podem compartilhar estratégias para que essa pasmaceira que tenta nos aprisionar seja vencida diariamente.
Uma outra coisa é que, uma vez que estamos isolados, aquela máxima torna-se completamente verdadeira: reino dividido não resiste. Sendo assim, a grande estratégia para qualquer equipe de sucesso é saber andar junta, é poder seguir em frente, até porque, como diz a própria Bíblia, nas horas boas fazemos amigos, e no aperto ganhamos os irmãos.
Por aqui embora a temperatura estivesse hoje por volta de uns 10 graus, a sensação términa certamente era menor porque choveu e o tempo úmido não ajuda as pessoas a se sentirem confortáveis. Para completar o cenário, o aquecimento das casas ainda não foi ligado (isso acontece apenas depois de amanhã) então esse é um dos períodos mais gelados do ano, já que os ambientes fechados estão quase tão "aconchegantes" quanto os abertos.
Uma coisa é ótima: tendo boas companhias (e deixo claro aqui que boa companhia é alguém que te leva pra mais perto do seu propósito) a vida fica mais colorida, e o céu cinzento nem é mais notado. Seja para comer, para rir, para chorar, para compartilhar aprendizado ou apenas para orar com você, procure sempre quem está na mesma situação, e tenha a certeza de que dois ou três ficam sempre mais firmes do que apenas um só.
Engana-se que a vida na Itália é simples ou fácil. Obviamente, os lindos lugares e a boa comida ajudam em muito a adaptação, mas os desafios com a cultura, com o idioma, com a burocracia, com o clima, e claro, com a mentalidade do italiano não podem ser ignorados. São gigantes que, dia a dia, dependendo da graça de Deus, vamos vencendo. E parte dessa graça é poder contar com aqueles que Deus te concede o privilégio de conviver nessa mesma caminhada.
Conforme o tempo vai esfriando, é fácil olhar para o céu cinzento e ficar desanimado, e isso vai trazendo aquela vontadinha natural de deitar debaixo das cobertas e assistir qualquer porcaria na TV por uma tarde inteira, e claro, a coragem de sair na rua vai se esvaindo se você deixar. Mas lembre-se firmemente que Deus não te tirou de sua terra natal para você deitar em berço esplêndido por mais do que oito horas diárias... portanto, coragem! Mesmo que no momento você não tenha absolutamente nada para fazer, arrume-se, saia de casa e procure estar com os seus irmãos na fé. Além deles poderem ser instrumentos de Deus na sua vida para te dar palavras de ânimo, você também os ouve e percebe que todos estão passando por desafios, e ao mesmo tempo, ambos podem compartilhar estratégias para que essa pasmaceira que tenta nos aprisionar seja vencida diariamente.
Uma outra coisa é que, uma vez que estamos isolados, aquela máxima torna-se completamente verdadeira: reino dividido não resiste. Sendo assim, a grande estratégia para qualquer equipe de sucesso é saber andar junta, é poder seguir em frente, até porque, como diz a própria Bíblia, nas horas boas fazemos amigos, e no aperto ganhamos os irmãos.
Por aqui embora a temperatura estivesse hoje por volta de uns 10 graus, a sensação términa certamente era menor porque choveu e o tempo úmido não ajuda as pessoas a se sentirem confortáveis. Para completar o cenário, o aquecimento das casas ainda não foi ligado (isso acontece apenas depois de amanhã) então esse é um dos períodos mais gelados do ano, já que os ambientes fechados estão quase tão "aconchegantes" quanto os abertos.
Uma coisa é ótima: tendo boas companhias (e deixo claro aqui que boa companhia é alguém que te leva pra mais perto do seu propósito) a vida fica mais colorida, e o céu cinzento nem é mais notado. Seja para comer, para rir, para chorar, para compartilhar aprendizado ou apenas para orar com você, procure sempre quem está na mesma situação, e tenha a certeza de que dois ou três ficam sempre mais firmes do que apenas um só.
Engana-se que a vida na Itália é simples ou fácil. Obviamente, os lindos lugares e a boa comida ajudam em muito a adaptação, mas os desafios com a cultura, com o idioma, com a burocracia, com o clima, e claro, com a mentalidade do italiano não podem ser ignorados. São gigantes que, dia a dia, dependendo da graça de Deus, vamos vencendo. E parte dessa graça é poder contar com aqueles que Deus te concede o privilégio de conviver nessa mesma caminhada.
quarta-feira, 12 de outubro de 2016
Mais um passo nessa caminhada italiana que me está proposta
Hoje, mais uma vez, fui com a assessora na comune. Desta vez, fomos dar entrada no pedido de reconhecimento da minha cidadania italiana, e claro, foi dia de esperar, esperar e esperar... mas, valeu muito a pena!
Em primeiro lugar, devo dizer mais uma vez que de fato o povo por aqui é mesmo meio atrapalhado no serviço público. Vê-se que ir a um órgão e ter que voltar mais de uma vez (ou várias) para tentar concluir o mesmo processo, ou ainda ver um funcionário público reclamando do trabalho do outro (e ambos tendo razão no que foi feito) é algo relativamente comum. Aliás, é um enorme desafio para nós não nos envolvermos nesse espírito de reclamação e abençoarmos à pessoa que nos atende, e sorrir, e agradecer a Deus por todo o tempo gasto em cada lugar, cada órgão, cada situação, porque afinal de contas, quem manda aqui é o Espírito Santo, e não nós mesmos (pelo menos deveria, não é correto?).
Em segundo lugar, é fundamental comemorar cada etapa vencida nesse processo longo, demorado, cansativo e cheio de questões e para muitos, de reviravolta. No meu caso, graças a Deus que até tem sido bastante tranquilo, e mesmo com todas as questões envolvidas, o Senhor tem demonstrado Seu cuidado em todo o tempo.
A ida ao comune é, por si só, uma aventura. Isso porque para saber onde fica cada coisa, e para acertar o horário de funcionamento das coisas, e saber como raios chegar e dizer a coisa certa na hora certa.. confrsso que exige um tipo de conhecimento que estando no Brasil não é possível obter-se. Por isso até, muitos (ou quase todos os brasileiros) vem a Itália e recorrem aos assessores, que é um tipo de serviço que não é exatamente legal, mas também não parece ser condenável, já que sabe-se largamente por aqui que isso é feito, e claro, muitas vezes, sem esse serviço, o brasileiro nunca teria sua cidadania reconhecida, a começar porque simplesmente não é tão simples conhecer um italiano "davvero" que te ajude ocm as coisas todas, menos ainda um que te assine um documento dizendo que você mora na casa dele (o que é absolutamente necessário para dar entrada no processo de cidadania). Aliás, quem não é cidadão europeu não consegue alugar um lugar para morar, a não ser que seja via Airbnb (método seguro mas caro que permite que sejam escolhidos imóveis ou apenas o que eles chamam de "posto letto" pela internet, antes mesmo de sair de casa no Brasil, mas que cobra por toda a estrutura e só pode ser pago via cartão de crédito), e esse sistema não te dá a condição de receber do proprietário a assinatura dos documentos corretos dizendo que você é residente no país. Então, fica aquela coisa: preciso da residência para ser cidadã, mas só consigo ser reconhecida como cidadã se tenho residência... e com isso, o imigrante é meio que jogado nas mãos de processos paralelos, para não dizer que em alguns casos são mesmo ilegais, e fazem com que realmente não se tenha a chance que no Brasil o imigrante possui. Provável que por isso dizem que o Brasil é mesmo uma mãe para todos, e infelizmente, hoje penso que é uma mãe desprezada, já que seus filhos cuidam tão mal dela... (mas isso é papo para outro momento).
Algumas coisas eu percebi que fizeram diferença nessa minha visita: a primeira foi que eu levei alguém comigo que fala italiano (não exatamente fluente mas sabe fazer tudo o que se faz necessário) e isso ajudou muito, já que não faltou informação e em nenhum momento fiquei sem saber o rumo das coisas; a segunda foi que eu mesma conheço um tanto razoável da lingua local e, mesmo não falando muito, consigo até me fazer entender, já que muitas das coisas que a moça do comune conversou foi comigo mesma, e foi em italiano, o que passou a ela segurança; e a terceira foi que ela fez um comentário que, na hora, me pareceu bobo, mas que depois, ligando com o que eu já comecei a ver da mentalidade do italiano, fez com que ela me tratasse de modo mais prestativo: ao ver meu passaporte, ela reparou que eu tenho alguns carimbos, e comentou que eu viajo muito... isso pra ela, mais do que um comentário vazio significava que ela estava ali dizendo que eu sou alguém que vou e volto, tenho passagem sem problemas por fronteiras, e não sou uma ignorante qualquer, e que aos olhos dela não sou uma simples imigrante que veio arriscar a vida num lance maluco. A sensação que deu foi que até aquele momento ela era como uma estadunidense que me olhava como que para aqueles mexicanos que arriscam a vida a atravessar para os Estados Unidos através dos coiotes, correndo o risco de morrer para buscar uma vida melhor, e a partir dali ela passou a ver, quase que instantaneamente, uma francesa eu sua sala: alguém que não é de seu país, mas que não precisa daquele visto para sobreviver ou ter condições de criar algo para o futuro. E essa mudança de postura me impressionou porque ela é compatível com o que tenho visto sobre os valores que regem os italianos (talvez até os europeus em geral) que é o apego à cultura, ao sucesso profissional, ao status, ao dinheiro e à independência.
Apesar de tudo isso, a vida na Europa tem sim o seu lado glamouroso que é acessível a todos: para comemorar que a entrada dos documentos foi feita, fomos tomar um cappuccino em um lugar chamado "Rinascente", que é uma loja das melhores marcas do mundo, e que no topo tem um espaço de alimentação com coisas lindíssimas e sofisticadas... e o cappuccino custou dois euros (o que equivale a um café na Starbucks em São Paulo, ou menos), mas com a diferença de estar ali no mesmo lugar que qualquer outro cidadão ou visitante, aproveitando o que a cidade tem de melhor.
E com isso, a vida na Itália segue: um dia de contar moedas, um dia de tomar café nos lugares elegantes... e com batalhas gigantescas não só pelas vidas que Deus nos coloca para cuidar, mas pela nossa própria, contra a fácil corrupção do nosso coração enganável e volúvel.
Em primeiro lugar, devo dizer mais uma vez que de fato o povo por aqui é mesmo meio atrapalhado no serviço público. Vê-se que ir a um órgão e ter que voltar mais de uma vez (ou várias) para tentar concluir o mesmo processo, ou ainda ver um funcionário público reclamando do trabalho do outro (e ambos tendo razão no que foi feito) é algo relativamente comum. Aliás, é um enorme desafio para nós não nos envolvermos nesse espírito de reclamação e abençoarmos à pessoa que nos atende, e sorrir, e agradecer a Deus por todo o tempo gasto em cada lugar, cada órgão, cada situação, porque afinal de contas, quem manda aqui é o Espírito Santo, e não nós mesmos (pelo menos deveria, não é correto?).
Em segundo lugar, é fundamental comemorar cada etapa vencida nesse processo longo, demorado, cansativo e cheio de questões e para muitos, de reviravolta. No meu caso, graças a Deus que até tem sido bastante tranquilo, e mesmo com todas as questões envolvidas, o Senhor tem demonstrado Seu cuidado em todo o tempo.
A ida ao comune é, por si só, uma aventura. Isso porque para saber onde fica cada coisa, e para acertar o horário de funcionamento das coisas, e saber como raios chegar e dizer a coisa certa na hora certa.. confrsso que exige um tipo de conhecimento que estando no Brasil não é possível obter-se. Por isso até, muitos (ou quase todos os brasileiros) vem a Itália e recorrem aos assessores, que é um tipo de serviço que não é exatamente legal, mas também não parece ser condenável, já que sabe-se largamente por aqui que isso é feito, e claro, muitas vezes, sem esse serviço, o brasileiro nunca teria sua cidadania reconhecida, a começar porque simplesmente não é tão simples conhecer um italiano "davvero" que te ajude ocm as coisas todas, menos ainda um que te assine um documento dizendo que você mora na casa dele (o que é absolutamente necessário para dar entrada no processo de cidadania). Aliás, quem não é cidadão europeu não consegue alugar um lugar para morar, a não ser que seja via Airbnb (método seguro mas caro que permite que sejam escolhidos imóveis ou apenas o que eles chamam de "posto letto" pela internet, antes mesmo de sair de casa no Brasil, mas que cobra por toda a estrutura e só pode ser pago via cartão de crédito), e esse sistema não te dá a condição de receber do proprietário a assinatura dos documentos corretos dizendo que você é residente no país. Então, fica aquela coisa: preciso da residência para ser cidadã, mas só consigo ser reconhecida como cidadã se tenho residência... e com isso, o imigrante é meio que jogado nas mãos de processos paralelos, para não dizer que em alguns casos são mesmo ilegais, e fazem com que realmente não se tenha a chance que no Brasil o imigrante possui. Provável que por isso dizem que o Brasil é mesmo uma mãe para todos, e infelizmente, hoje penso que é uma mãe desprezada, já que seus filhos cuidam tão mal dela... (mas isso é papo para outro momento).
Algumas coisas eu percebi que fizeram diferença nessa minha visita: a primeira foi que eu levei alguém comigo que fala italiano (não exatamente fluente mas sabe fazer tudo o que se faz necessário) e isso ajudou muito, já que não faltou informação e em nenhum momento fiquei sem saber o rumo das coisas; a segunda foi que eu mesma conheço um tanto razoável da lingua local e, mesmo não falando muito, consigo até me fazer entender, já que muitas das coisas que a moça do comune conversou foi comigo mesma, e foi em italiano, o que passou a ela segurança; e a terceira foi que ela fez um comentário que, na hora, me pareceu bobo, mas que depois, ligando com o que eu já comecei a ver da mentalidade do italiano, fez com que ela me tratasse de modo mais prestativo: ao ver meu passaporte, ela reparou que eu tenho alguns carimbos, e comentou que eu viajo muito... isso pra ela, mais do que um comentário vazio significava que ela estava ali dizendo que eu sou alguém que vou e volto, tenho passagem sem problemas por fronteiras, e não sou uma ignorante qualquer, e que aos olhos dela não sou uma simples imigrante que veio arriscar a vida num lance maluco. A sensação que deu foi que até aquele momento ela era como uma estadunidense que me olhava como que para aqueles mexicanos que arriscam a vida a atravessar para os Estados Unidos através dos coiotes, correndo o risco de morrer para buscar uma vida melhor, e a partir dali ela passou a ver, quase que instantaneamente, uma francesa eu sua sala: alguém que não é de seu país, mas que não precisa daquele visto para sobreviver ou ter condições de criar algo para o futuro. E essa mudança de postura me impressionou porque ela é compatível com o que tenho visto sobre os valores que regem os italianos (talvez até os europeus em geral) que é o apego à cultura, ao sucesso profissional, ao status, ao dinheiro e à independência.
Apesar de tudo isso, a vida na Europa tem sim o seu lado glamouroso que é acessível a todos: para comemorar que a entrada dos documentos foi feita, fomos tomar um cappuccino em um lugar chamado "Rinascente", que é uma loja das melhores marcas do mundo, e que no topo tem um espaço de alimentação com coisas lindíssimas e sofisticadas... e o cappuccino custou dois euros (o que equivale a um café na Starbucks em São Paulo, ou menos), mas com a diferença de estar ali no mesmo lugar que qualquer outro cidadão ou visitante, aproveitando o que a cidade tem de melhor.
E com isso, a vida na Itália segue: um dia de contar moedas, um dia de tomar café nos lugares elegantes... e com batalhas gigantescas não só pelas vidas que Deus nos coloca para cuidar, mas pela nossa própria, contra a fácil corrupção do nosso coração enganável e volúvel.
terça-feira, 11 de outubro de 2016
O problema não é o frio: o problema é a sua falta de roupa...
Pois é, o frio começou a dar as caras por aqui. Pra mim, a coisa anda preta, afinal de contas, eu mesma sempre achei que quando ficava uma temperatura mais baixa do que dezoito graus o tempo já não estava mais dentro do aceitável... imagina então em um lugar em que neva, como raios eu me sinto?
E lavar o cabelo, como fica com essa temperatura em seis graus durante a tarde e com essa água cheia de calcário? Claro, depois que a gente aprende que a água é assim e que existem produtos que vão ajudar você a cuidar do cabelo (que no meu caso até foi beneficiado pela água local) a vida fica mais simples, mas até lá... bom, só choradeira e muito pente quebrado. Ah, e sempre: é fundamental fazer uma amizade profunda com o secador de cabelos.
Exagero? Negativo! Foi por não ter o tal do assiugacapelli (assiuga = "enxugador" / capelli = "cabelos") que eu fiquei resfriada pra caramba na semana anterior. Fora que, se você é como eu e está acostumado a andar com touquinha de lã na cabeça, a minha sugestão é já fazer uma coleção e trazer na mala, porque aqui, além de termos realmente quatro estações, o tempo não muda como em São Paulo. Ou seja, se um dia estiver frio, fica em paz que no dia seguinte vai continuar frio (ou vai piorar).
Mas... e como fazem os milhões de europeus e outros povos que moram em lugares assim que neva no inverno? E como fazem os trocentos brasileiros que imigram pra cá para não viraram picolé de açaí, tapioca, cana, mandioca e outros produtos típicos do Patropi? Bom, eles aprendem a comprar roupas. E esse é o aprendizado maior do dia: não existe frio demais hoje em dia, e sim a roupa inadequada.
Claro, não adianta nada você ter mil coisas para vestir e sair para rolar na neve porque imagino que mesmo com a ajuda de toda a cobertura tecnológica que o "abbigliamento" fornece atualmente em algum nível isso não vai ser o suficiente e a sua roupa vai te deixar na mão. Afinal de contas, mesmo hoje em dia existem pessoas que congelam em montanhas e que acabam pagando alto preço por, mesmo completamente preparadas, enfrentarem condições rígidas demais por muito tempo.
Mas calma missionário para a Itália, esse não será o seu caso! Mesmo estando no Norte do país, perto dos Alpes Suiços e de muita friaca, definitivamente aqui não é a Sibéria e com a roupa certa você sobreviverá. Como eu sei? Simples: estou aprendendo a comprar roupas e me adaptar.
Sim, nestes dias tenho batido bastante cabeça, e não sofro mais porque estou tendo o privilégio de conviver com pessoas que já estão por aqui há mais tempo e sabem como certas coisas funcionam. Com isso, a tal Decathlon (loja esportiva que é quase irrelevante em São Paulo) passa a se tornar a queridinha de nós, tupiniquins, por oferecer roupas completas a preços relativamente acessíveis, e que garantem a sobrevivência geral da missionariada! O importante é saber procurar, mas posso afirmar que é possível sim fazer compras e sair na rua curtindo apenas o visual do frio, sem se sentir um camelo no Alaska.
A primeira coisa que posso dizer é que esquentar os pés faz uma tremenda diferença. Então, eu posso com toda a satisfação contar que a melhor aquisição que fiz foi uma botinha de cano longo com aquecimento por dentro e impermeável própria pra neve. Ela não é assim o último lançamento em termos de design de moda, e definitivamente não combina com várias coisas, mas e a satisfação de chegar em casa com os seus pés inteiros, como descrever??? É de Deus demais!
Hoje também fui lá na Decathlon de novo, dessa vez para comprar mais blusas de segunda pele com fleece (um tecido meio flanelado que no Brasil parecia quentinho e aqui é quase uma camiseta) e um casacão de verdade quente mesmo, e claro, calças, porque as pernas também fazem parte do templo do Espírito Santo e não podem ser ignoradas. Olha, posso falar que já usei o casaco e é realmente pra igreja glorificar de pé!
Brincadeiras à parte, o conteúdo é sério. Se você pretende vir à Europa na época de frio (e fique atento porque a previsão do tempo diz que este será o inverno mais rigoroso dos últimos cem anos) prepare-se: sapatos impermeáveis, casacos corta-vento com muitos pelinhos, segunda pele de fleece, luvas... nada disso será exagero. Por sinal, compre sem medo e venha com eles na sua mala. E não se preocupe em trazer muitas coisas de verão: quando começar a esquentar você compra por aqui nas liquidações e segue a vida.
Para as meninas, dois avisos: primeiro que as tomadas são todas 220V, portanto se aquele seu secador de cabelos maravilhoso é 100V, está na hora de doá-lo para aquela irmã que sempre pede emprestado e não tem condições de comprar um pra si mesma; segundo que por aqui os cosméticos (desde shampoo até as frescuras mais diversas) costumam ser melhores e mais baratas do que no Brasil, portanto não gaste seu espaço precioso na mala com isso, a não ser que sejam produtos que sejam feitos com ingredientes realmente brasileiros (como o tal negócio que vi da L'Occitane au Brèsil que é feito de orucum ou algo do gênero) ou se você for afrodescendente (porque o mercado aqui carece mesmo de coisas especializadas e sua vida pode ser mesmo mais complicada com o que se oferece por aqui).
De resto, renda-se ao clima do local e aproveite para aprender a lidar com tudo o que a Itália pode oferecer (alegrias e desafios... aliás, principalmente os desafios), fazendo sua vida mais feliz.
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| Assiugacapelli |
Exagero? Negativo! Foi por não ter o tal do assiugacapelli (assiuga = "enxugador" / capelli = "cabelos") que eu fiquei resfriada pra caramba na semana anterior. Fora que, se você é como eu e está acostumado a andar com touquinha de lã na cabeça, a minha sugestão é já fazer uma coleção e trazer na mala, porque aqui, além de termos realmente quatro estações, o tempo não muda como em São Paulo. Ou seja, se um dia estiver frio, fica em paz que no dia seguinte vai continuar frio (ou vai piorar).
Mas... e como fazem os milhões de europeus e outros povos que moram em lugares assim que neva no inverno? E como fazem os trocentos brasileiros que imigram pra cá para não viraram picolé de açaí, tapioca, cana, mandioca e outros produtos típicos do Patropi? Bom, eles aprendem a comprar roupas. E esse é o aprendizado maior do dia: não existe frio demais hoje em dia, e sim a roupa inadequada.
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| Minha fiel escudeira |
Mas calma missionário para a Itália, esse não será o seu caso! Mesmo estando no Norte do país, perto dos Alpes Suiços e de muita friaca, definitivamente aqui não é a Sibéria e com a roupa certa você sobreviverá. Como eu sei? Simples: estou aprendendo a comprar roupas e me adaptar.
Sim, nestes dias tenho batido bastante cabeça, e não sofro mais porque estou tendo o privilégio de conviver com pessoas que já estão por aqui há mais tempo e sabem como certas coisas funcionam. Com isso, a tal Decathlon (loja esportiva que é quase irrelevante em São Paulo) passa a se tornar a queridinha de nós, tupiniquins, por oferecer roupas completas a preços relativamente acessíveis, e que garantem a sobrevivência geral da missionariada! O importante é saber procurar, mas posso afirmar que é possível sim fazer compras e sair na rua curtindo apenas o visual do frio, sem se sentir um camelo no Alaska.
A primeira coisa que posso dizer é que esquentar os pés faz uma tremenda diferença. Então, eu posso com toda a satisfação contar que a melhor aquisição que fiz foi uma botinha de cano longo com aquecimento por dentro e impermeável própria pra neve. Ela não é assim o último lançamento em termos de design de moda, e definitivamente não combina com várias coisas, mas e a satisfação de chegar em casa com os seus pés inteiros, como descrever??? É de Deus demais!
Hoje também fui lá na Decathlon de novo, dessa vez para comprar mais blusas de segunda pele com fleece (um tecido meio flanelado que no Brasil parecia quentinho e aqui é quase uma camiseta) e um casacão de verdade quente mesmo, e claro, calças, porque as pernas também fazem parte do templo do Espírito Santo e não podem ser ignoradas. Olha, posso falar que já usei o casaco e é realmente pra igreja glorificar de pé!
Brincadeiras à parte, o conteúdo é sério. Se você pretende vir à Europa na época de frio (e fique atento porque a previsão do tempo diz que este será o inverno mais rigoroso dos últimos cem anos) prepare-se: sapatos impermeáveis, casacos corta-vento com muitos pelinhos, segunda pele de fleece, luvas... nada disso será exagero. Por sinal, compre sem medo e venha com eles na sua mala. E não se preocupe em trazer muitas coisas de verão: quando começar a esquentar você compra por aqui nas liquidações e segue a vida.
Para as meninas, dois avisos: primeiro que as tomadas são todas 220V, portanto se aquele seu secador de cabelos maravilhoso é 100V, está na hora de doá-lo para aquela irmã que sempre pede emprestado e não tem condições de comprar um pra si mesma; segundo que por aqui os cosméticos (desde shampoo até as frescuras mais diversas) costumam ser melhores e mais baratas do que no Brasil, portanto não gaste seu espaço precioso na mala com isso, a não ser que sejam produtos que sejam feitos com ingredientes realmente brasileiros (como o tal negócio que vi da L'Occitane au Brèsil que é feito de orucum ou algo do gênero) ou se você for afrodescendente (porque o mercado aqui carece mesmo de coisas especializadas e sua vida pode ser mesmo mais complicada com o que se oferece por aqui).
De resto, renda-se ao clima do local e aproveite para aprender a lidar com tudo o que a Itália pode oferecer (alegrias e desafios... aliás, principalmente os desafios), fazendo sua vida mais feliz.
domingo, 9 de outubro de 2016
Desabafo
E claro, nem tudo são flores. Afinal de contas, não estamos aqui à passeio, e as pressões começam a vir.
As pressões do que acontece na Italia (questões colocadas pelo inimigo para nos confundir, permitidas por Deus para que tenhamos um crescimento e avançar na fé) começam a surgir, e como o mundo e a vida das pessoas não parou no Brasil, saber de longe que algumas coisas que seriam fundamentais começaram a quebrar é realmente complicado.
Fora disso, quantas coisas surgem por aqui mesmo permitidas por Deus para que tenhamos certeza do que temos em nossos corações? Quantas coisas tão sonhadas que parecem ter acontecido de repente, mas se mantemos os olhos naquilo que Deus tem construído em nós, vemos que é apenas uma fração do que é bom, perfeito e agradável?
Em momentos em que estamos em um lugar distante, com pessoas desconhecidas, que podem ser as mais bem intencionadas do mundo, sempre temos desafios ainda maiores. Nessas horas, o lance é recorrer mesmo à Deus, e através Dele buscarmos ajuda naqueles que Ele apontar como adequados para a missão.
Claro que o Senhor levanta Seus anjos em qualquer lugar, e claro também que ele pode e vai usar quem estiver à mão, inclusive pessoas que não necessariamente tem a ver com sua vida diretamente ou que estarão contigo para todo o sempre, mas pode ser também que nasçam nessas horas relacionamentos que durarão para sempre... nunca se sabe os desdobramentos de cada atitude que tomamos.
A minha sensação é de que é necessário muito discernimento e muita firmeza espiritual para que algumas coisas simplesmente não nos abalem, e se posso dizer desde já é que não é nada bom que alguém vá a uma missão sozinho. Definitivamente ter cristãos ao lado é fundamental, especialmente se a pessoa está em sua primeira missão. Deus capacita? Sem dúvida! Deus cuida? De todos os modos, mas a prudência e a sabedoria ajudam em muito ao missionário a não se meter em enrascadas.
No demais, vale ressaltar que esse friozinho afetou a coisa toda e eu fiquei com um resfriado chato pra caramba... nariz entupido, dores no corpo... mas aos poucos vou melhorando e tudo vai ficando bem, até mais fácil, já que uns queridos aqui da casa me fizeram uma boa comida e me deram um remedinho excelente! Nada como bom sustento e descanso... e é com isso que termino e deixo mais relatos para o dia de amanhã!
As pressões do que acontece na Italia (questões colocadas pelo inimigo para nos confundir, permitidas por Deus para que tenhamos um crescimento e avançar na fé) começam a surgir, e como o mundo e a vida das pessoas não parou no Brasil, saber de longe que algumas coisas que seriam fundamentais começaram a quebrar é realmente complicado.
Fora disso, quantas coisas surgem por aqui mesmo permitidas por Deus para que tenhamos certeza do que temos em nossos corações? Quantas coisas tão sonhadas que parecem ter acontecido de repente, mas se mantemos os olhos naquilo que Deus tem construído em nós, vemos que é apenas uma fração do que é bom, perfeito e agradável?
Em momentos em que estamos em um lugar distante, com pessoas desconhecidas, que podem ser as mais bem intencionadas do mundo, sempre temos desafios ainda maiores. Nessas horas, o lance é recorrer mesmo à Deus, e através Dele buscarmos ajuda naqueles que Ele apontar como adequados para a missão.
Claro que o Senhor levanta Seus anjos em qualquer lugar, e claro também que ele pode e vai usar quem estiver à mão, inclusive pessoas que não necessariamente tem a ver com sua vida diretamente ou que estarão contigo para todo o sempre, mas pode ser também que nasçam nessas horas relacionamentos que durarão para sempre... nunca se sabe os desdobramentos de cada atitude que tomamos.
A minha sensação é de que é necessário muito discernimento e muita firmeza espiritual para que algumas coisas simplesmente não nos abalem, e se posso dizer desde já é que não é nada bom que alguém vá a uma missão sozinho. Definitivamente ter cristãos ao lado é fundamental, especialmente se a pessoa está em sua primeira missão. Deus capacita? Sem dúvida! Deus cuida? De todos os modos, mas a prudência e a sabedoria ajudam em muito ao missionário a não se meter em enrascadas.
No demais, vale ressaltar que esse friozinho afetou a coisa toda e eu fiquei com um resfriado chato pra caramba... nariz entupido, dores no corpo... mas aos poucos vou melhorando e tudo vai ficando bem, até mais fácil, já que uns queridos aqui da casa me fizeram uma boa comida e me deram um remedinho excelente! Nada como bom sustento e descanso... e é com isso que termino e deixo mais relatos para o dia de amanhã!
sábado, 8 de outubro de 2016
Dia de desarmar
Hoje o dia foi no mínimo curioso: ao mesmo tempo em que eu tive um dia muito bom, tive também um tempo em que comecei a ver o quanto de coisas que aconteceram no Brasil nos últimos tempos e que, de verdade, me afetaram mas eu deixei de lado para não me paralizarem. Isso me permitiu seguir até aqui, mas por outro lado me fez acumular uma série de coisas pelas quais ainda eu não tinha chorado e nem desanuviado. Com isso, senti hoje que a pressão estava grande e que eu precisava relaxar. E chorei, chorei e chorei...
Claro, começar a ver que as coisas estão acontecendo no Brasil e que não tenho nenhum controle é bom (por saber que Deus está no controle) mas é ruim porque a nossa necessidade natural e humana de controle ficam "ofendidas" e lidar com isso é necessário mas é um desafio. A melhor coisa nessa hora (e na verdade em todas as outras) é colocar-se diante de Deus realmente fazendo valer o versículo que fala sobre apresentar toda ansiedade em oração (Filipenses 4:6-7). Isso funciona de verdade porque além de saber que quem está escutando seu clamor é Alguém confiável, podemos ter a certeza de que o nosso Papai amoroso não nos deixará sem resposta e sem direção. Ele NUNCA nos deixa à deriva nesse oceano que é o mundo.
Outro aprendizado é manter a calma e buscar sabedoria para lidar com os desafios do dia. Vejo o quanto algumas vezes a comunicação pode ser tão difícil entre as pessoas, e é complicado se nos mantemos dentro da nossa perspectiva e com o nosso olhar ao "medir" o que o outro diz. Não adianta: especialmente em uma cultura diferente, as pessoas pensam diferente e avaliam as coisas sob outra ótica, e não resolve nada adotar o mesmo estilo de pensamento que se tinha no Brasil porque simplesmente aqui ele não faz o menor sentido.
Aos poucos também, voltando ao lado prático da coisa, percebe-se como é cheio de detalhes o nosso cotidiano. Lidamos com tantas coisas, precisamos controlar tantas coisas durante a vida... e só notamos mesmo a quantidade de situações com as quais precisamos nos preocupar quando paramos e temos que mudar de contexto por inteiro, criando uma nova vida completa em outro lugar que funciona completamente diferente. Por exemplo? Aqui as leis são diferentes, os bancos não funcionam da mesma forma, o correio tem outro horário (assim como os órgãos públicos) e claro, as coisas são divididas de modo diverso. Uma situação: no Brasil, só encontramos vitaminas pra comprar em farmácias; já aqui, as vitaminas são vendidas nos mercados como o Carrefour e outros que existem por aqui. A telefonia meio que funciona da mesma forma, mas é diferente quando vemos que a internet funciona bem melhor. Por outro lado, ver brasileiros oferecendo esmaltes Impala (que custam no Brasil cerca de R$ 2,50) por 3 euros (ou seja, quatro vezes mais) é no mínimo curioso (pra não dizer revoltante, já que por aqui existem esmaltes muito melhores e mais variados por esse preço). Realmente aproveitadores existem em todo o lugar, mas o lance é mesmo procurar as coisas boas e seguir com base naquilo que Deus tem mostrado.
Sim, por aqui come-se muito bem, e eu que ri do meu líder de célula que só comia miojo no Brasil e está aprendendo a cozinhar um monte de coisas, estou amargando a fase de engolir o que ri e comer cebola, arroz com feijão e outras coisas que nunca tive o hábito, simplesmente porque tenho me colocado em posição de desfrutar do que me é oferecido sem preconceitos (na questão culinária) e tenho descoberto coisas incríveis. Além do mais, claro, procuro retribuir o cuidado que as pessoas que Deus coloca ao meu lado tem me oferecido com atitudes que posso tomar e que espero que contribuam. Hoje é muito mais simples viver em comunidade, mesmo com pessoas desconhecidas. Devo isso, claro, a Deus e também à algumas amigas que Deus me colocou pra conviver, entre elas a maravilhosa amiga da Armenia, com quem dividi o quarto na metade do ano quando estive aqui. Sim, em cada detalhe Deus tem me cuidado de modo sensacional.
Uma coisa que assusta aqui é o frio: é impossível viver sem secador de cabelos, até porque quando o tempo vai esfriando não tem jeito de sair de casa de cabelos molhados. Quer dizer, ter tem... tanto que o fiz e comecei a ficar resfriada... vamos ver no que isso vai dar, ainda mais não sabendo direito como procurar ajuda caso eu realmente precise de atendimento (o que acho um exagero mas é bom saber caso seja necessário).
De qualquer modo, Deus flui e traz o sustento em todos os sentidos, limpando o coração das aflições e trazendo alegria sempre que ela ameaça faltar. Ah, um detalhe bobo mas que pode fazer diferença em relação à temperatura: algumas casas tem janelas que realmente vedam o interior, mantendo a temperatura interna. Eu confesso que elas são mesmo uma benção e fazem toda a diferença. Já os metrôs são aquecidos mesmo e passa-se um calor maluco quando na rua precisamos de mais casacos... essa é a minha vida europeia: dia a dia novas descobertas, e a vida do Brasil vai, de uma forma ou de outra, ficando para trás.
Claro, começar a ver que as coisas estão acontecendo no Brasil e que não tenho nenhum controle é bom (por saber que Deus está no controle) mas é ruim porque a nossa necessidade natural e humana de controle ficam "ofendidas" e lidar com isso é necessário mas é um desafio. A melhor coisa nessa hora (e na verdade em todas as outras) é colocar-se diante de Deus realmente fazendo valer o versículo que fala sobre apresentar toda ansiedade em oração (Filipenses 4:6-7). Isso funciona de verdade porque além de saber que quem está escutando seu clamor é Alguém confiável, podemos ter a certeza de que o nosso Papai amoroso não nos deixará sem resposta e sem direção. Ele NUNCA nos deixa à deriva nesse oceano que é o mundo.
Outro aprendizado é manter a calma e buscar sabedoria para lidar com os desafios do dia. Vejo o quanto algumas vezes a comunicação pode ser tão difícil entre as pessoas, e é complicado se nos mantemos dentro da nossa perspectiva e com o nosso olhar ao "medir" o que o outro diz. Não adianta: especialmente em uma cultura diferente, as pessoas pensam diferente e avaliam as coisas sob outra ótica, e não resolve nada adotar o mesmo estilo de pensamento que se tinha no Brasil porque simplesmente aqui ele não faz o menor sentido.
Aos poucos também, voltando ao lado prático da coisa, percebe-se como é cheio de detalhes o nosso cotidiano. Lidamos com tantas coisas, precisamos controlar tantas coisas durante a vida... e só notamos mesmo a quantidade de situações com as quais precisamos nos preocupar quando paramos e temos que mudar de contexto por inteiro, criando uma nova vida completa em outro lugar que funciona completamente diferente. Por exemplo? Aqui as leis são diferentes, os bancos não funcionam da mesma forma, o correio tem outro horário (assim como os órgãos públicos) e claro, as coisas são divididas de modo diverso. Uma situação: no Brasil, só encontramos vitaminas pra comprar em farmácias; já aqui, as vitaminas são vendidas nos mercados como o Carrefour e outros que existem por aqui. A telefonia meio que funciona da mesma forma, mas é diferente quando vemos que a internet funciona bem melhor. Por outro lado, ver brasileiros oferecendo esmaltes Impala (que custam no Brasil cerca de R$ 2,50) por 3 euros (ou seja, quatro vezes mais) é no mínimo curioso (pra não dizer revoltante, já que por aqui existem esmaltes muito melhores e mais variados por esse preço). Realmente aproveitadores existem em todo o lugar, mas o lance é mesmo procurar as coisas boas e seguir com base naquilo que Deus tem mostrado.
Sim, por aqui come-se muito bem, e eu que ri do meu líder de célula que só comia miojo no Brasil e está aprendendo a cozinhar um monte de coisas, estou amargando a fase de engolir o que ri e comer cebola, arroz com feijão e outras coisas que nunca tive o hábito, simplesmente porque tenho me colocado em posição de desfrutar do que me é oferecido sem preconceitos (na questão culinária) e tenho descoberto coisas incríveis. Além do mais, claro, procuro retribuir o cuidado que as pessoas que Deus coloca ao meu lado tem me oferecido com atitudes que posso tomar e que espero que contribuam. Hoje é muito mais simples viver em comunidade, mesmo com pessoas desconhecidas. Devo isso, claro, a Deus e também à algumas amigas que Deus me colocou pra conviver, entre elas a maravilhosa amiga da Armenia, com quem dividi o quarto na metade do ano quando estive aqui. Sim, em cada detalhe Deus tem me cuidado de modo sensacional.
Uma coisa que assusta aqui é o frio: é impossível viver sem secador de cabelos, até porque quando o tempo vai esfriando não tem jeito de sair de casa de cabelos molhados. Quer dizer, ter tem... tanto que o fiz e comecei a ficar resfriada... vamos ver no que isso vai dar, ainda mais não sabendo direito como procurar ajuda caso eu realmente precise de atendimento (o que acho um exagero mas é bom saber caso seja necessário).
De qualquer modo, Deus flui e traz o sustento em todos os sentidos, limpando o coração das aflições e trazendo alegria sempre que ela ameaça faltar. Ah, um detalhe bobo mas que pode fazer diferença em relação à temperatura: algumas casas tem janelas que realmente vedam o interior, mantendo a temperatura interna. Eu confesso que elas são mesmo uma benção e fazem toda a diferença. Já os metrôs são aquecidos mesmo e passa-se um calor maluco quando na rua precisamos de mais casacos... essa é a minha vida europeia: dia a dia novas descobertas, e a vida do Brasil vai, de uma forma ou de outra, ficando para trás.
sexta-feira, 7 de outubro de 2016
Os anjos de Deus para nós
O Senhor é bom, e em todo o tempo Ele quer nos amar mais do que profundamente. Isso significa que, mesmo quando não entendemos ainda (e na verdade nunca vamos entender totalmente a profundidade, a altura, a largura e a intensidade do amor do Papai por nós) a medida que deveríamos ter entendido sobre o quanto Deus nos ama, Ele continua a nos amar primeiro, e isso é tudo de bom.
Por exemplo, hoje foi dia de ir no primeiro órgão público da Italia, a questura. E para quem acha que a correria no Brasil aos cartórios é massante (para não ser deselegante com a definição), fique em paz: essa fase de burocracia no Brasil é apenas uma preparação para enfrentar com elegância tudo o que se pode enfrentar com a burocracia italiana, que definitivamente é de chorar (e não é de rir).
Não quero falar mal do país no qual minha família se originou, mas realmente a falta de informação, de coerência e principalmente de boa vontade em certas ocasiões é no mínimo frustrante, e pode fazer qualquer ser humano um pouquinho menos animado se irritar profundamente, levando alguns até a perderem a linha de verdade (o que entende-se rapidamente que é absolutamente inútil, já que isso só faz com que eles tenham mais má vontade ainda, atrapalhando todo o processo).
O fato é que:
a) Ao sair para fazer algo em um órgão público, vá com sapatos confortáveis (nem sempre tem lugar para sentar nas longas horas de espera), leve água (porque bebedouros podem simplesmente não existir) e um lanchinho (porque afinal de contas, saco vazio não para em pé);
b) Levar um livro pode ser útil, mas pode também te distrair da marcação cerrada que se faz necessário para que o atendimento ocorra no menor tempo possível;
c) Orar ao Senhor para que proveja um anjo tradutor e com conhecimento dos processos é fundamental.
E aí entro no aprendizado maior do dia: o Senhor nunca nos deixa sós e nos provê sempre o necessário, o que pode ser desde um ônibus no horário certo, uma informação adicional que veio milagrosamente, ou simplesmente uma pessoa que se disponha a estar contigo na necessidade, garantindo que tudo seja da melhor forma. Ao invés de nos preocuparmos com o que virá, seria mais correto e mais honesto da nossa parte simplesmente agradecermos a Ele tudo o que Ele já preparou, e pedirmos a Ele que nos mostre qual é o próximo passo, curtindo o trajeto como uma criança procura a próxima pista de uma rodada de caça ao tesouro.
Por exemplo, hoje foi dia de ir no primeiro órgão público da Italia, a questura. E para quem acha que a correria no Brasil aos cartórios é massante (para não ser deselegante com a definição), fique em paz: essa fase de burocracia no Brasil é apenas uma preparação para enfrentar com elegância tudo o que se pode enfrentar com a burocracia italiana, que definitivamente é de chorar (e não é de rir).
Não quero falar mal do país no qual minha família se originou, mas realmente a falta de informação, de coerência e principalmente de boa vontade em certas ocasiões é no mínimo frustrante, e pode fazer qualquer ser humano um pouquinho menos animado se irritar profundamente, levando alguns até a perderem a linha de verdade (o que entende-se rapidamente que é absolutamente inútil, já que isso só faz com que eles tenham mais má vontade ainda, atrapalhando todo o processo).
O fato é que:
a) Ao sair para fazer algo em um órgão público, vá com sapatos confortáveis (nem sempre tem lugar para sentar nas longas horas de espera), leve água (porque bebedouros podem simplesmente não existir) e um lanchinho (porque afinal de contas, saco vazio não para em pé);
b) Levar um livro pode ser útil, mas pode também te distrair da marcação cerrada que se faz necessário para que o atendimento ocorra no menor tempo possível;
c) Orar ao Senhor para que proveja um anjo tradutor e com conhecimento dos processos é fundamental.
E aí entro no aprendizado maior do dia: o Senhor nunca nos deixa sós e nos provê sempre o necessário, o que pode ser desde um ônibus no horário certo, uma informação adicional que veio milagrosamente, ou simplesmente uma pessoa que se disponha a estar contigo na necessidade, garantindo que tudo seja da melhor forma. Ao invés de nos preocuparmos com o que virá, seria mais correto e mais honesto da nossa parte simplesmente agradecermos a Ele tudo o que Ele já preparou, e pedirmos a Ele que nos mostre qual é o próximo passo, curtindo o trajeto como uma criança procura a próxima pista de uma rodada de caça ao tesouro.
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