Hoje começo a registrar essa mudança gigante que Deus tem promovido na minha vida por vários motivos. O primeiro deles é realmente colocar aqui as questões práticas aprendidas tanto na preparação quanto na mudança em si de país; o segundo é poder registrar pequenas impressões sobre alguns ocorridos relacionados à cultura; o terceiro é entender e ajustar expectativas (minhas e de quem vai ler, já que pretendo compartilhar com outros que se encontram na mesma situação que eu estive até aqui) e quarto, claro, é poder ter memórias desse período único na minha vida.
Atualmente tenho 36 anos vividos integralmente em São Paulo. Bom, isso sem contar as mais de 45 ou 50 semanas que passei a trabalho em Belo Horizonte, as outras tantas que passei em outras capitais do país e o mês que vivi na Europa há três meses atrás. Embora eu tenha conhecido realmente diversos lugares, como disse uma grande amiga minha, só sabe como é morar em algum canto quando a gente passa pelo menos três meses ali, adotando uma vida normal, como se fosse no seu lugar de origem. Sendo assim, vivi a vida toda em São Paulo mesmo... um lugar que é ao mesmo tempo tão peculiar e tão cheio de similaridades com tantos outros cantos do Brasil e do mundo.
Ontem de fato peguei o primeiro voo que me leva para morar em Milão, o centro financeiro da Itália, além de mundialmente ser conhecido como capital da moda. Mas, claro, esse processo de mudança não começou ontem, e nem há 3 meses (quando voltei da Europa depois de 30 dias)... ele começou mesmo há quase dois anos atrás. Não vou entrar em muitos detalhes do processo, mas vale registrar aqui algumas coisas, entre elas os passos de modo genérico, para que seja mais fácil pra quem quiser ler como referência sobre essa minha experiência se identificar:
1) Um pastor por quem tenho grande admiração e a quem não via há tempos me aborda em uma ocasião e me pergunta sobre o direito à cidadania italiana. Eu rapidamente respondo que tenho o direito e lembro-me de todas as vezes quando criança que dizia que era italiana e que em algum momento eu obteria esse reconhecimento. Lembrei também o motivo pelo qual desisti disso no meio do caminho, mas entendi que aquele era o momento de retomar o assunto (e timidamente foi o que fiz);
2) Surgiu um projeto da igreja para abrirmos uma congregação na Italia. Até então meu sonho para este ano era Bruxelas, e para isso eu tinha aprendido a falar francês. Meus conhecimentos de italiano eram básicos (pra não assumir que eram na realidade ridículos) e eu nunca tinha pensado em morar no país da bota, embora quisesse desde sempre cruzar o país um dia. Quando o projeto surgiu, arranjei uma desculpa para ir na reunião de apresentação e sondar especialmente sobre como reconhecer cidadania. No dia não tive grandes informações (até porque descobri que estávamos todos no mesmo barco e não sabíamos quase nada a respeito) mas com o passar dos meses me tornei conhecedora de vários pormenores desse processo que, escrevendo, é simples, mas na hora de executar é burocrático, chato, demorado, caro e pode inclusive em alguns casos ser absolutamente inviável. Eu particularmente contei em todo o tempo com o favor de Deus, e com o decorrer dos dias escrevo sobre isso;
3) Comecei a orar sobre isso e as pessoas começaram a me falar do assunto. De repente, parecia muito boa ideia que eu fizesse parte pra várias pessoas, menos pra mim... até porque eu tinha uma lista de circunstâncias bem específica e complicada para ser resolvida, já que além da minha mãe idosa tenho uma filha adolescente, que na ocasião morava comigo. Fora disso, tinha o emprego em que estava por quase onze anos e nenhuma outra opção de carreira por conta da falta de experiência em qualquer outra coisa e excesso de idade para o mundo corporativo para iniciar em algo novo. Quando comecei a orar, as coisas foram sendo resolvidas e hoje posso dizer que vivi (e ainda estou vivendo com a minha família) grandes milagres em relação a isso;
4) Embora eu visse sinais de que tudo isso fazia sentido, faltava-me convicção, e quando a convicção começou a brotar, enfrentei objeção severa das minhas autoridades espirituais, o que além de me assustar me frustrou em certo momento, mas me fez testar o que exatamente estava no meu coração, e com base em que eu teria a confiança de que aquilo era mesmo o que Deus tinha para mim. Fiz o que pude para envolver essas pessoas, e quando não deu mais (ao ponto de ser proibida de falar no assunto com elas), eu entreguei a Deus (o que aliás deveria ter feito desde o início), e de repente as coisas ao meu redor começaram a mudar, e os corações que antes tinham dúvidas começaram a ter certeza e me dar apoio nessa jornada (o que foi e é fundamental);
5) Apesar de tudo isso, ainda faltava o tal prazo para a mudança, e foi quando Deus enviou uma preciosa pessoa para me explicar que esse era o momento de imitar o apóstolo Pedro (eita, Pedrão, era rude mas deixou cada exemplo porreta!!!) e colocar o pé na água, crendo que Quem o convidou o sustentaria mesmo diante do impossível. Com isso, defini uma data que me parecia fazer sentido (tendo a consciência de que a data era minha e que poderia sofrer alterações) e lutei por ela;
6) Fui obrigada a lidar com minhas limitações em diversos aspectos, e saber a hora de forçar meus limites, e a hora de respeitá-los. Um dos grandes aprendizados disso tudo foi ter definido corretamente que era importante não perder o tempo da oportunidade, mas que era necessário chegar no ponto da mudança sem me destruir física e emocionalmente. Foi realmente de Deus e foi o que me permitiu chegar ao fim dessa etapa de preparação de modo muito mais sereno do que eu poderia imaginar. Deus é bom!
7) Agradecer sempre, procurando ver a mão de Deus em todo o tempo, foi essencial. Sem conseguir ver o favor do Papai e o Seu imenso Amor, eu não estaria aqui nesse aeroporto de Amsterdã começando esse relato nunca nessa vida;
8) Definir que era necessário encerrar tudo o que existia na vida no Brasil foi super importante, e parte disso foi ter o privilégio de honrar as pessoas com quem convivi e que foram tão importantes na minha vida e na vida da minha família. Isso me deu a honra de ver que muitos avançaram e tiveram suas vidas realmente ajustadas em direção ao propósito de Deus, e isso me encheu de uma alegria e um senso de missão cumprida inenarráveis;
9) Admitir que não posso mudar o coração de ninguém me fez ver que a oração é realmente a melhor e maior arma. Não que orar mude a pessoa em si, mas muda a maneira como eu a enxergo, porque a oração me deixa mais perto de Deus (perto não fisicamente mas em termos de convivência), e portanto vê-la como Ele a vê faz com que os meus pensamentos e sentimentos (e por consequência minhas atitudes) mudem em relação a essa pessoa, e isso muda tudo. Como? Simples: mesmo quando nada à minha volta muda, como eu mudei, a circunstância ganha o seu devido tamanho, e posso seguir em paz adiante;
10) Mudar de paradigmas e reconhecer e me empoderar da revelação de que sou filha amada em quem meu Pai tem prazer me fez e me faz só ter uma forma de lidar com as coisas: com fé e esperança. Quando eu entendo o tamanho, o poder e principalmente o amor do meu Papai por mim, os medos perdem sentido, as neuras, as necessidades de controle, os desejos carnais, as reações infantis... tudo isso deixa de fazer sentido. Claro que isso tem que ser vivido em todo o tempo, mas quando pinta a doideira, o negócio é voltar à Origem e resolver dentro de mim o que está desalinhado. Saber que ser íntegra em Deus é a melhor escolha para mim foi absolutamente libertador e simplificou horrores uma série de coisas dentro não só desse processo mas da minha vida como um todo.
Bom, pra quem ia fazer só um resuminho, já escrevi demais. Amanhã continuo e conto um pouco sobre como foram os dias pré-mudança e vou contando coisas sobre como a mudança de país vem acontecendo. Com isso, espero ser útil para muitos, nem que seja para distraí-los, ou oferecer umas boas risadas.
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