Hoje escrevo sobre algo que definitivamente pode não parecer nada prático, mas que é absolutamente imprescindível para que as coisas se ajustem e seja possível ir além, andar dia a dia na direção correta e não se perder no meio do caminho.
Conforme os dias vão passando, muitas coisas vão acontecendo, e muitas vozes vão surgindo. Quando eu me refiro a vozes, eu falo sobre pessoas que simplesmente surgem ao seu redor e que acabam falando coisas que pensam ou esperam de você ou de outros, e que acabam de uma forma ou de outra, se você não prestar atenção, te influenciando mais do que deveriam.
Claro, é necessário ter pessoas ao seu lado, especialmente em um contexto em que tudo é tão novo. Nessa situação, quanto mais gente confiável estiver com você, mais rápida e suave será a sua caminhada. Mas como discernir quem é confiável e para que? E mais: como distinguir quando essa pessoa está sendo uma ajuda ou simplesmente mais uma opinião bem intencionada mas infrutífera?
Conversar com imigrantes como você é muito importante, e realmente bastante útil, já que sempre existe uma informação importante a ser compartilhada (dada ou recebida, ou mesmo trocada e atualizada) ou um sentimento que pode ser acalmado com um abraço solidário de alguém que está passando pelo mesmo que você, ou que já viveu algo parecido e que, de algum modo, consegue entender como você se sente. Definitivamente o ser humano é um ser criado para a socialização, e esconder-se é, de alguma forma, matar o outro e morrer para o que vale a pena nesse mundo. Mas, ao mesmo tempo, conversar com outras pessoas, sejam locais ou imigrantes, exige discernimento extra, já que tudo aquilo que é dito, no momento da ansiedade, pode ser interpretado como verdade absoluta, e muitas vezes, aquilo que foi dito é uma experiência pessoal do outro, que é intransferível e você não vai viver, ou somente uma opinião, e como se bem sabe, opinião é como mãe: cada um tem a sua, e ai daquele que achar que a minha é pior do que qualquer outra...
Tomo tempo e espaço aqui para falar sobre isso porque, conversando com imigrantes (recém chegados ou que moram há mais tempo aqui), o que ouço com mais frequência é a necessidade de conseguir lavoro (trabalho), ou ainda a questão de como uma documentação faz diferença na vida ou não, e do quanto é necessário abrir mão da sua ocupação no Brasil para assumir uma posição de trabalho mais simples porque, afinal de contas, você é imigrante, e não é um nativo, o que é uma desvantagem natural que, somada ao fato de que não conhecemos o contexto local e nem dominamos o idioma, pode nos trazer grandes complicações.
Isso é verdade? Bom, por um lado sim, evidentemente dominar o idioma é uma vantagem excelente, e fazer-se entender é essencial, mas não é um documento ou um idioma a mais que necessariamente fará alguém conseguir ou não alguma coisa nessa vida. Pelo menos, não mais do que a determinação pessoal por obter o resultado, e muito menos do que a vitória que a promessa de Deus traz sobre a vida de cada filho Seu.
O grande lance é que o imigrante tende a se juntar com outros imigrantes, que claro, compreendem "a dor e a delícia de ser quem se é", mas com essa empatia vem também a ansiedade e o desânimo que muitas vezes acomete os corações de quem acabou vindo para a Itália em busca de uma vida melhor que, no fim das contas, não chegou como se esperava... e isso acaba contaminando a gente.
Nessas horas, é essencial voltar ao fundamental, silenciar tudo o que está ao redor, e voltar-se ao seu objetivo. Como fazer isso? Trancar as portas do quarto, parar de escutar outras pessoas, deixar de lado opiniões, relaxar, conversar com Deus e aguardar que Ele indique o que de fato Ele tem para a sua vida no dia de hoje, sem ansiedade, sem agitação, sem opiniões diversas, sem letra, sem peso, sem lei, sem condenação, sem dúvida. E seguir à risca o que Ele disser.
E depois? Agradecer. Afinal de contas, um coração grato pelo que já foi dado é fundamental para que exista o ânimo necessário de ir atrás do que virá. Além do mais, um coração grato abre portas, porque o sorriso no rosto de quem é agradecido é espontâneo, e hoje em dia, infelizmente, raro, mas é exatamente ele que chama atenção e que faz com que as pessoas ao seu redor se acheguem a você do modo correto, trazendo boas oportunidades para ambos.
Por fim, nada de se intimidar porque nem todos os dias são incrivelmente divertidos ou cheios de novidade: a vida ajustada é cheia de rotinas, e nem por isso ela é ruim. Se quero uma colheita farta, preciso abandonar os receios, as opiniões alheias muitas vezes, os conceitos aprendidos e mirar no alvo. Isso é o que fará a diferença, e ela não virá de apenas um passo, mas de uma sucessão de passos na direção correta. Por isso é importante sempre avaliar se a rota está de acordo com o caminho proposto: se não estiver, pode parecer que se desviar alguns metros seja um movimento inofensivo, mas é necessário apenas um passo em falso para cair em um buraco que atrase todo o caminhar, ou até impeça que sigamos adiante. Portanto, parar e alinhar sentimentos, pensamentos e vontade é necessário sempre que sentir que algo está fora do lugar. Como dizia uma conhecida minha: "vai devagar que eu estou com pressa!"
Nenhum comentário:
Postar um comentário