Bom, esse é um post isolado porque merece uma atenção toda especial. Em primeiro lugar porque é uma honra mesmo recebermos o pastor supervisor de toda a Europa em visita aqui na Itália em menos de seis meses de obra. Em segundo lugar porque, como a equipe é relativamente pequena (se comparada com a de outros países aqui), ter uma reunião estilo "petit comite" é realmente algo sensacional. Em terceiro lugar porque é uma alegria ouvir um pastor tão amado, e que eu sei que tem um zelo tão grande pela obra.
Bom, dito isso, começo registrando aqui que a mensagem que ele trouxe causou reações diferentes no povo. Para mim, por exemplo, foi um alívio completo, já que ele começou falando que a nossa prioridade máxima é entender como é o italiano, como ele vive, como pensa, como funciona, o que ele valoriza, o que despreza, e assim por diante. A segunda coisa é arrumar a maior quantidade de atividades (que não prejudiquem obviamente as nossas atividades de célula) com pessoas novas, de modo que possamos apressar esse aprendizado e de fato criar novos relacionamentos. Outra coisa é que ele deixou claro que temos que ter como prioridade nesse primeiro ano nos estabelecermos como pessoas, tendo vistos, casas, empregos e relacionamentos de amizade com as pessoas aqui. Ele comentou que, fazendo isso, o Reino será estabelecido no tempo certo.
Mas, para ser justa, a primeira coisa que ele fez foi questionar se estamos sendo adequados ao nosso contexto. O exemplo dele foi o volume do nosso louvor, afinal de contas, brasileiros em geral gostam de música e de barulho, e assim que começamos a reunião, tratamos de cantar e agradecer a Deus no volume habitual, o que o deixou realmente preocupado, já que era de noite e estávamos em um prédio residencial na Europa. E embora isso tenha chocado alguns, pra mim foi um tremendo alívio, porque desde que estava no Brasil pensava que:
a) Deus não é surdo e não precisamos gritar;
b) Esse papo de que crente que é crente faz barulho é mesmo um costume que é apenas preferência mesmo de quem começou a espalhar esse lance por aí (e eu não estou nesse time, confesso);
c) Eu sempre pensei que uma das coisas que ganha muito alguém que não conhece a Jesus é o respeito nas pequenas coisas, e o respeito ao silêncio e às regras pra mim são duas coisas que acabam fazendo bastante diferença;
d) O louvor ou o agradecimento a Deus tem muito mais a ver com aquilo que temos no coração e atitudes do que com um discurso bonito ou belas canções, porque de nada adianta cantar bem e ser um estúpido com o próximo, por exemplo, como eu fui por muito tempo.
Por conta disso, imagina a minha alegria ao ouvir o que o pastor recomendou? Nossa... quase chorei de emoção e aplaudi de pé! Fora disso, ele disse que se for necessário pra nós gritar em oração, que façamos isso com uma almofada na cara pra não escandalizar os vizinhos da casa... kkkkkk... eu achei o máximo, mas sei bem como isso vai "contra" a expectativa da maioria das pessoas. Inclusive sei que alguns ali terão tremenda dificuldade de seguir essa orientação por conta de uma vida inteira sendo "abrasileirado" nesse sentido.
Agora, o mais importante de tudo o que ele disse foi que de nada adianta fazermos tudo isso se, em primeiro lugar, não tivermos vida de Deus em nós, e isso só se consegue com entrega total, busca da presença Dele, leitura da Bíblia, compartilhar, oração e muita sensibilidade em relação àquilo que Ele quer fazer em nosso meio. Além da vida de Deus, precisamos ter plena convicção daquilo que Deus nos chamou pra fazer, e que mesmo com medo (que não só ele mesmo teve e tem às vezes, mas até Paulo teve) o negócio é seguir adiante e enfrentar o medo, na confiança de que o Senhor é quem nos chamou e vai prover. Sem isso, morremos no caminho. Ou então, estaremos aqui só para conhecermos um novo país, uma nova cultura, ter outras oportunidades de vida... e isso até é algo legítimo em termos naturais e humanos, mas nada tem a ver com a obra que o Espírito Santo de Deus está estabelecendo na Itália neste tempo.
No fim, ele comentou também sobre como lidarmos com a ansiedade dos que ficaram no Brasil, aliviando em muito o peso e a pressão (pelo menos que estava sobre mim) de dar frutos imediatamente (ninguém falou isso mas, estando eu em uma equipe que só tem líderes, e eu sendo a única a não estar nessa posição, me sinto naturalmente cobrada a ter outras posturas). Ou seja, foi memorável, e pra mim um presente dos céus que guardarei pra sempre.
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