quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Um dia do amor fluindo...

Quando saí do hospital, pude então chamar o povo lá de casa pra me buscar, o que realmente foi uma benção, já que eu realmente precisava de uma carona... afinal, a cidade fica completamente deserta e não existem pontos de taxi em quase lugar algum de Milano. Fora disso, as linhas noturnas dos autobus (os ônibus) são escassas e nem sempre passam tão perto da gente. Bom, fiquei feliz demais de voltar de carro, mas confesso também que eu estava tão feliz de ir embora do hospital sem dor que se fosse necessário eu voltaria a pé pra casa sozinha, mesmo que isso demorasse duas horas ou mais.
No caminho para casa fiquei sabendo de uma discussão leve que rolou enquanto estive fora porque a moça que dorme no meu quarto resolveu lavar roupas depois da meia noite, e claro, por ser um prédio onde moram muitos idosos, o lugar é super silencioso e a lavatrice (a nossa velha conhecida máquina de lavar roupas) faz um escândalo danado, não por ser tão barulhenta assim, mas porque qualquer coisa chama atenção nesse silêncio todo, e porque aqui na Europa as pessoas definitivamente NÃO gostam de barulho em quase lugar nenhum. Basta dizer que quando um casal tem crianças, a probabilidade desse casal ter problemas para conseguir alugar uma casa é muito maior, porque ninguém quer ter como vizinhos pequenos que correm, choram, gritam e podem perturbar o ouvido alheio. Soa cruel mas é muito real por aqui.
Enfim, estava eu voltando do ospedale depois de ficar lá por oito horas mofando na sala de espera e, no retorno, escuto o relato da tal discussão e a indignação de ambos os lados (um me conta no carro, outro me conta em casa) e penso eu: "acho que eu colei chiclete na cruz...", mas na verdade, até rindo um pouco, porque no fundo, sei que estou aqui para ser luz e gostei da oportunidade de apresentar uma visão mais tranquila do conflito a todos, e eu vi que foi bem bacana o resultado.
Por fim, dormimos todos tarde, e na manhã seguinte o comune me liga dizendo que posso voltar ali pra andar com o processo de cidadania. Fiquei realmente alegre, e pude agendar pro dia seguinte, o que me deu a liberdade de ir a uma reunião que aconteceria hoje lá em Bergamo com o nosso pastor supervisor que veio do Brasil para nos ver, conhecer a obra aqui, e no meu caso, trouxe umas coisinhas que minha mãe mandou por ele (meu sabonete do rosto que tenho sentido tanta falta, uns antialérgicos e uma caixa do anti inflamatório que eu estou tomando).
Depois de dormir mais um pouco, agilizei a vida e fui com uma das irmãs da equipe para Bergamo, e ali conheci bem pouco da cidade mas entendi porque todo mundo diz que o lugar é lindo. Realmente me surpreendeu e eu pretendo voltar em breve ali.
Uma coisa que eu aprendi é que é possível ir por mais de um caminho a Bergamo saindo de Milano, mas que existem preços e tempos diferentes, e que não é porque você foi a Bergamo de transporte público que você vai voltar (porque dependendo da hora de retorno simplesmente não existem mais trens pra Milano e você vai precisar mesmo é esquentar um sofá amigo).
A última grande percepção do dia foi ver o enorme coração do pessoal da nossa equipe. Hoje a menção honrosa é em especial para o casal que nos recebeu, porque a moça, grávida de nove meses, abriu seu apartamento pra nos receber com alegria, e o rapaz, depois da reunião terminar, perto da meia noite, se dispos a trazer a galera até em casa em Milano (detalhe: chegando em casa, ele corre para o hospital porque a bolsa da esposa rompeu-se e a mais nova princesinha da equipe nasce horas depois). Não é amor demais nessa vida por nós?

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