sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Duas cidades cheias de semelhanças

Engraçado como Deus faz certas coisas... não sei se foi amor, misericórdia, graça ou um misto de tudo isso, mas Ele decidiu começar a vida missionária dessa paulistana apaixonada em uma cidade que, em diversos aspectos, é muito parecida à minha cidade de origem. Milano é, como já defini muitas vezes, a São Paulo da Itália. Curioso é que quando comecei a fazer essa comparação, definitivamente não tinha ideia do quanto ela é precisa, e como as duas cidades se parecem.
Bom, São Paulo é a cidade economicamente mais importante do Brasil, e Milano é a cidade mais importante nesse aspecto da Itália. Assim como São Paulo, Milano foi uma das primeiras cidades aqui a ser industrializada e modernizada, e por conta disso, tornou-se uma grande metrópole, que concentra não só diversos pontos culturais mas grande parte das pesquisas científicas nos séculos XIX e XX e também acaba por ser uma das cidades de maior influência no país. Fora disso, tanto São Paulo quanto Milano são cidades que parecem ser preparadas para adultos, e um dos seus pontos mais fortes é a vida noturna. A quantidade e a variedade de bares e restaurantes que se tem em ambas as cidades é absolutamente assustadora. Aqui também existem times de futebol fortes, e é por aqui que circulam diversas personalidades do mundo da moda, assim como é São Paulo no Brasil. Interessante, não?
Pois é... um outro ponto é: se tem alguma coisa que você quer encontrar nesse país, muito provavelmente vai achar por aqui. Não conheço a Itália tanto assim, mas depois de um passeio mais tranquilo hoje de noite pelo mercado (por sinal, um Carrefour... que coisa, não?), chego à conclusão de que poucas coisas não podem ser acessadas pelos milaneses, assim como acontece com os paulistanos. Por exemplo: encontrei fécula de batata, forma de fazer gelo (ok, só um tipo e em um preço que só alguém realmente apaixonado por comer aquelas pedrinhas que parecem vidro poderia encarar) e vários artigos sem glúten. Encontrei também feijão preto e latinhas de feijoada (que confesso não fazer a menor questão de experimentar, já que nem feijão preto nem feijoada me seduzem). Por fim, encontrei (e confesso que me deu até uma pontadinha de tristeza pela frigideira que larguei no Brasil) massa para tapioca. Não comprei, nem ousei tentar, mas em algum momento tentarei essa peripécia e relato por aqui no que vai dar. Já sei também por aqui em Milano aonde tomar caldo de cana e aonde posso comer um açaí (a qualidade? não tive coragem ainda de experimentar, considerando o custo de R$ 24,00 um pote pequeno... minha curiosidade não foi tão longe assim ainda). Ou seja, se tem alguma coisa diferente que se quer, por aqui é possível encontrar, especialmente se for comida.
Mas, uma outra semelhança que eu notei especialmente hoje foi em relação ao trânsito: hoje de dia aconteceu uma greve (anunciada previamente) nos metrôs, e isso fez com que muita gente saísse pelas ruas de carro (e quem foi afortunado como eu acabou escolhendo ficar pelo bairro mesmo, de modo que a greve passou apenas como mais uma notícia que se ouve por aí). E claro, ao final do dia, o trânsito tomou conta das ruas.
Pra quem esperava que gente estressada, buzinas sendo acionadas sem a menor necessidade, gente gritando e xingando efusivamente e carros alheios fechando cruzamentos fossem coisas apenas do Brasilzão, um alerta: acho que os brasileiros nesse quesito são mirins, porque por aqui, quando o povo dá pra fazer barbeiragem, os "brasilianos" ficam mesmo é no chinelo. Fora que os italianos tem uma variedade impressionante de palavrões a serem usados em inúmeras circunstâncias... em alguns momentos, parece até uma língua paralela. Em geral, são educados, mas quando perdem a linha, provam que (falta de) educação e (des)elegância não estão necessariamente ligados à geografia.
Hoje, confesso, me deu saudades das padarias de São Paulo, numerosas, com diversidades de pães, perto de casa e abertas até às dez da noite. Quando isso aconteceu, fui mesmo ao Carrefour, já que o mais próximo que existe por aqui é a Pasticeria, que é como uma padaria que funciona durante o dia apenas (mas que, graças a Deus, serve cappuccinos com ou sem chocolate... não é o máximo?). Também me deu uma pequenina nostalgia do delivery da pizzaria, já que as pizzas por aqui são tradicionais, mas nada que seja comparável às pizzas de frango com catupiry, com massas mais robustas, cheias de recheio e divisíveis em mais de dois pedaços. Contentei-me então com o meu pão de grãos, um queijo de cabra, uma espécie de patê feito apenas com azeitonas pretas picadas em pedaços minúsculos em conserva e um autêntico salame italiano, acompanhados por um pouco de chá a um preço maravilhosamente barato... Afinal de contas, uma das inúmeras semelhanças entre as duas cidades é a versatilidade de sua população, que aprende a aproveitar ao máximo aquilo que cada lugar oferece de melhor. :D

Nenhum comentário:

Postar um comentário