Como foi combinado com o rapaz do comune, lá fui eu com o meu assessor (aliás, parecia uma comitiva real, já que fui eu, ele, a esposa dele e um senhor que de acordo com a descrição deles é alguém que será sócio dele) pra receber o "ok" dos documentos no processo e receber a liberação para fazer a minha residência (ou seja, declarar oficialmente que moro em Milano) e com isso posso então ter a tal ricevuta (um recibo de que eu entreguei o processo e que ele está em análise) e fico então esperando passar o tal vigile (o guardinha da cidade que vai verificar se eu moro mesmo aonde disse que moro) passar. Depois que esse evento solene acontecer então tenho uma confirmação do comune e enviar o kit pedindo o meu "permesso in attesa" (ou seja, uma permissão dizendo que estou legal no país até que o resultado final da cidadania saia oficialmente e meus documentos italianos sejam emitidos). Chegando lá, depois de contar em detalhes o que foi que aconteceu com o meu pescoço e como foi que eu me virei no hospital, entramos e fomos falar com o homem em questão.
O homem não foi mal educado, mas também não foi aquela simpatia. Digo isso porque ele olhou e disse que o documento de nascimento do meu avô Vicente conta com duas variações do sobrenome do meu bisavô Eduardo, e portanto, ele (meu bisavô) poderia ter usado tanto o sobrenome Scrivani (que ele nunca usou por sinal) quanto Escrivani (que ele nem sabia que tinha aparecido em algum canto e portanto, obviamente não tem nenhum documento com esse raio desse sobrenome estranho) e que, por isso, é necessário apresentar uma nova via da CNN (certidão negativa de naturalização que é obtida na internet mas que precisa ser traduzida e apostilada como todos os demais documentos, o que só pode ser feito no Brasil) e que sem isso nada feito. Tentei argumentar explicando que era impossível que ele tivesse usado esse nome, já que não existia mais nenhum outro documento que essa variação aparecesse (até porque o próprio homem do comune tinha em mãos TODOS os documentos da vida do meu bisavô) mas foi absolutamente em vão. O cara estava resoluto e me devolveu tudo. Quando estamos saindo dali, um outro funcionário o chama e curiosamente o cognome (sobrenome) dele é... o mesmo do pai da minha filha!!! Achei no mínimo ridícula a coincidência e isso me rendeu piadas o dia todo.
Fora disso, rolou toda uma correria pra que a minha tradutora (que embora não seja uma macaca gorda quebra sempre um milhão de galhos) corresse pra emitir novo documento como o rapaz do comune queria, traduzir, enviar pra apostilar e deixar pronto pra minha mãe pegar com ela no mesmo dia e deixar com os pais de um irmão da equipe que, graças ao bom Deus, estão embarcando pra cá amanhã (o que me permite pegar os documentos no domingo e voltar no comune pro próximo capítulo dessa novela na segunda-feira).
Saindo de lá, fui com a esposa do assessor tomar um cappuccino refinado na Rinascente e batemos um papo interessante. De lá, fui almoçar com uma das moças da equipe, e pela primeira vez me senti realmente útil nesse contexto, porque pude parar e sentir o que estava acontecendo, e minha oração a Deus de ser útil foi atendida: pude lembrar de coisas pelas quais eu passei e compartilhei com ela sobre o que vivi e como Deus reverteu minha situação (na verdade, como Ele me orientou pra que eu revertesse o cenário péssimo que eu enfrentava na empresa em que trabalhei e que eu mesma tinha criado em grande parte com minhas posturas) e isso foi útil para que essa moça pudesse repensar algumas atitudes suas, de modo a trazer mais alegria e tranquilidade a ela (e claro, pra mim também). Dali fomos comprar um colar cervical, e eu dei mais umas das minhas "imigrantices" (palavra que acabei de inventar pros micos que os imigrantes pagam por quererem fazer mais do que dão conta): cheguei convicta na loja, super segura, e pedi à moça pra comprar uma "rachide cervicale"... quando ela se recuperou de tanto rir (sim, ela caiu numa gargalhada profunda, não se aguentou, coitada!) ela me contou que era impossível que eu quisesse comprar algo assim, porque o que eu tinha pedido era uma coluna cervical... eu tentei disfarçar mas só pude rir com a moça, e claro, explicar que eu queria mesmo um "colare cervicale" (que era tão mais simples, não? Se tivesse chutado me sairia melhor) e papo vai, papo vem, comprei e saí de lá feliz porque, apesar do apetrecho ser branco (o que não ajuda muito na conservação da peça) ele esquenta bastante o pescoço e com isso não vou precisar usar cachecol e vou ficar bem quentinha nesse tempinho que só faz esfriar.
Depois demos uma voltinha pra espairecer na Corso Buenos Aires, a grande avenida de compras de Milano, que não se parece com a Vinte e Cinco de Março em São Paulo (acho que se parece mais com um shopping paulistano de classe média à céu aberto) e encontramos mais gente da equipe, e com isso também conheci mais uma moça nova. Comprei também uma botinha que eu acho o máximo porque ela no pé parece um sapato comum, mas onde seria o cano da bota é feito do mesmo material das polainas. Pensa então a minha alegria!!! Confesso que mesmo tendo ficado um pouquinho larga, decidi arriscar usando uma meia grossa porque, de verdade, achei a peça o máximo, e não era muito cara... enfim, comprei feliz da vida.
Fomos pra casa dela (no Loreto, no centro da cidade) e de lá fomos para a célula. Confesso que no caminho paramos em uma loja de cosméticos e essa paradinha me inspirou a considerar um produto pra alisar cabelos (o que te faz ver que realmente quando a gente tem tempo pensa em cada futilidade...) e de lá fomos pra célula, e eu fui convidada a traduzir o que foi dito para as crianças italianas. Foi tão gostoso! Apesar de eu querer estar com o nosso pastor supervisor na célula de adultos, estar naquele momento de tradução foi tudo o que pedi a Deus, e foi mega legal, até porque sairam palavras que eu nem sabia que conhecia... foi realmente o máximo! Claro, tenho que aprender ainda horrores, mas foi bom por demais!
Ao final de tudo, conheci um fotógrafo de moda da Ucraina (Ucrânia em italiano) que mora no mesmo condomínio da célula e conversamos bastante em inglês, e acabei indo conhecer o estúdio dele, o que foi excelente. Por fim ficamos de manter contato, e eu creio que ele conhecerá Jesus nesse processo e muita água ainda vai rolar debaixo dessa ponte. Veremos... o que sei é que, quando a gente começa a se organizar pra que as coisas funcionem, de fato Deus acelera os processos e coloca toda a coisa pra funcionar. E quando isso acontece, dá-lhe agitação e emoção!
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