Na verdade, cheguei ontem em Milano, no final da noite, mas sinceramente, depois de mais de 24 horas viajando, era realmente complicado sentar pra escrever qualquer coisa... mas, como também comecei os relatos ontem, me dei a liberdade de continuar o "capítulo 2" no dia seguinte.
Bom, primeiro que chegar em casa (e casa aqui é um conceito que vejo que Deus realmente mudou muito nesses últimos tempos, porque se há quatro anos, casa era aonde ficavam as coisas que eu comprei, aquelas coisas que eu poderia deixar em um canto e na volta estariam no mesmo lugar, hoje casa é aquele lugar aonde Deus escolhe para eu estar no momento) é sensacional. A sensação de estar no lugar certo aplaca a ansiedade, e mesmo o cansaço não consegue disfarçar a alegria que invade o ser, mesmo quando o que foi deixado para trás é realmente relevante (no meu caso, deixei no Brasil minha filha, meu bem maior - que vem me visitar apenas no próximo ano - e minha mãe - que virá assim que seja possível, o que imagino que seja por volta de fevereiro).
Segundo que Deus me amou por demais (e eu sei que isso definitivamente NÃO é o padrão de chegada de um missionário) através da minha mãe, que me deu um presente lindo: reservou a minha primeira noite em um hotel bem simples mas bastante bom logo do lado da estação central de Milano, o que me fez chegar logo no local para dormir e me permitiu ter uma noite sensacional, e um café da manhã bem gostoso.
Terceiro que entrei em contato com o meu assessor da cidadania e pedi (conforme a dica que recebi de um amigo) para que ele me pegasse no hotel e me levasse para a casa que ele providenciou, o que me permitiu carregar de carro as três malas e a mochila pesada que eu trouxe. Fora disso, teoricamente eu deveria ter duas companheiras de quarto mas por alguma razão (e não posso comentar porque acho ruim dizer algo sobre pessoas que não conheci e das quais não pude ouvir a versão) elas foram embora. Isso significa que eu ficarei no quarto sozinha, e isso pode ser bastante bom.
Além disso, curiosamente, Deus me colocou numa casa de pessoas que vieram para obter a cidadania italiana, mas que por fim ouve-se louvores a Deus o dia todo, e existe gente sedenta por Cristo, o que é mesmo uma alegria enorme. A casa tem outro ritmo, tem outra pegada do que eu esperava, e claro, as confusões e os sustos devem acontecer, mas sabendo que estamos no meio de pessoas que buscam a Deus é um presente enorme.
Deus tem me cercado de pessoas no mínimo interessantes. Claro, tudo o que vivemos na presença de Deus tem desdobramentos, e muitas vezes nos damos conta dos frutos muito tempo depois. Deixemos essa água rolar debaixo da ponte.
Outra coisa boa foi ver que eu já conheci uma moça que está morando em Milano mas que não conhece Jesus, e eu a conheci porque ela precisava que alguém trouxesse um documento do Brasil para cá e eu me dispus (confesso que muito mais pela vontade de conhecê-la e falar de Jesus do que realmente por conta do documento) e acredito que nos próximos dias vamos ter um tempo no almoço. Decidi isso simplesmente porque eu entendo que é para isso que vim pra cá, então vou pra cima mesmo.
Uma curiosidade prática: existe na Europa um tipo de coberta (como se fosse um edredon) chamado piumino (que é feito de plumas e quase assa o ser humano no frio) cujo uso é feito com um tipo de "fronhão" chamado copripiumino (depois de uns dias de uso, o lance é lavar essa peça pra que a coberta continue "usável"). Aprendizados:
a) Todo mundo aqui precisa ter um desses pelo menos, com mais de um copripiumino;
b) Eles tem tamanhos diversos, mesmo para cama de solteiro (se você comprar um piumino maior do que o copripiumino vc não conseguirá usar um com o outro);
c) Existe piumino de tudo quanto é preço, desde 8 euros no Carrefour (sim, temos Carrefour por aqui) até 50 euros (de maior qualidade) no Ikea (sonho de artigos para casa da galera por aqui, uma espécie de Etna/ TokStok da Europa)
O que mais posso dizer do momento: mercados são mesmo muito diversificados, e assim como no Brasil você tem mercados mais baratos e mais caros, e tem coisas que são melhores em um lugar do que no outro... o lance, assim como no Brasil, é não ter preguiça e pesquisar. O que facilita aqui é que a cidade é plana, então é muito mais tranquilo do que em cidades (como São Paulo) em que para se deslocar é necessário enfrentar várias ladeiras.
Por fim, posso dizer que, uma vez que a gente se dispõe a estar no centro da vontade de Deus, a gente é absolutamente amado e mimado pelo Papai. Na verdade, o grande problema é que a gente não vive isso regularmente, por nos deixarmos levar por coisas do cotidiano ou de menor importância, e por isso ainda ficamos assustados com aquilo que Ele tem feito em nós... que sirva de lição para mim (e para quem quiser se apropriar desse aprendizado) que sempre é tempo de confiarmos plenamente no Amor que tudo pode e que sempre fará o melhor para nós quando permitirmos.
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