terça-feira, 8 de novembro de 2016

O preço da ignorância

Caramba, como se paga um preço alto por estar em um novo contexto e muitas vezes não ter a quem perguntar certas coisas, não? Como, por exemplo, é caro o tempo gasto, o esforço dispendido, o dinheiro investido em algo que é necessário mas que, por não sabermos a forma certa, acabamos tendo que sempre dar algo mais (correndo o risco de não ter exatamente o desejado).
Hoje, por exemplo, chegou um cara novo na casa. Porque sei que ele acabou de chegar do Brasil e conversando soube que ele não fala o italiano, comecei a conversar com ele e contar um pouco da vida por aqui. Fiz um lanche pra nós e fomos falando sobre o que eu já vi que funciona, e o que não é tão simples (embora pareça inicialmente ridículo) e, de repente, ele abre a garrafinha de água que comprou e nota que ela tem água frizzante (que é o nome em italiano da "água com gás"). O lance é que ele detesta essa água e comprou uma dúzia delas... imagina a alegria dele ao ver que esse primeiro deslize por ignorar o idioma é um prenúncio do que virá nos próximos meses...
Para consolá-lo, compartilhei que hoje tive que torcer as roupas que lavei na mão, já que no ciclo normal de lavagem elas não ficaram bem centrifugadas. Mas aí você me pergunta: por que raios você não tentou centrifugar de novo? Pois é... eu tentei, e pelo que vi nas "instruções" da lavatrice (máquina de lavar) tinha mesmo um modo só pra isso, mas pergunta se ele funcionou? Perguntei então a uma pessoa da equipe pelo whatsapp se ela sabia como fazer... e a resposta foi que ela se compadecia muito da minha próxima tarefa, que seria torcer as roupas (que incluíam um cobertor) na mão. Ou seja, eu mesma paguei pela ignorância de não saber usar o equipamento e não ter a quem perguntar (que soubesse).
Muitas vezes também isso acaba acontecendo porque nos limitamos por orgulho, por imprudência ou mesmo por falta de oportunidade, e isso nos complica a vida por demais. Por exemplo, hoje dando as primeiras instruções sobre como algumas coisas funcionam, sobre que aplicativos no celular podem ser úteis, como pegar metrô, como comprar comida, que tipo de mercado funciona melhor ou pior, vi o quanto claramente já aprendi, mas também vi o quanto tem um custo abrir caminho para outros. Sim, o preço é mais alto, mas a satisfação é proporcional, e eu fico feliz de ver que posso ajudar algumas pessoas com o pouco que tenho aprendido por aqui. Aliás, espero com esses relatos ajudar muito mais gente de um modo mais prático, já que pra algumas coisas a desinformação impera por aqui.
Por exemplo, hoje contei pro rapaz que por aqui o povo não joga papel higiênico na lixeira, deixando-a apenas para artigos como absorventes. Ele ficou meio chocado porque não consegue entender como o povo prefere lidar com canos entupidos do que com cestinhos cheios de papel (nojento, é verdade, mas em uma proporção muito menor do que o que os esgotos podem proporcionar quando entupidos). A conversa foi embora, e foi interessante ver a percepção de quem está chegando agora. E eu entendi que, uma vez estando aqui, preciso ajudar outros que ainda estão por vir, e que mais do que nunca, é importante me preparar para receber outros, sejam visitantes, sejam futuros moradores, sejam apenas italianos que fiquem por aqui por pouco tempo. Dessa forma, espero poder expressar o cuidado de Jesus com aqueles que, perdidos, nem sempre tem o necessário a dar para pagar esse preço tão alto que a ignorância cobra.

Chineses, coreanos e a língua do P

Quando a gente muda pra um país com outro idioma, a gente se sente como que tendo uma língua única, exclusiva, e se sente muito mais à vontade para expor um montes de coisas que não o faria em público em sua terra natal. Coisas como "nossa, que fedido!" ou "caramba, não tem como ser mais rápido?" que muitas vezes as pessoas pensam mas não tem coragem de verbalizar porque acham que vão escandalizar ou ofender, e acabam guardando pra si mesmas, mas que, em uma terra de língua estranha, acabam sendo verbalizadas, já que o primeiro pensamento é "ninguém vai entender mesmo..."
O grande lance é que hoje em dia existem tantas pessoas rodando o mundo de tantas formas, por tantos motivos, e em tantas ocasiões que não tem como garantir que a pessoa ao seu lado não fala a sua língua. Ou seja, no fim das contas, ao invés da gente estar mesmo falando uma espécie de língua secreta, a gente está mesmo é se acabando e se achando super importante falando algo como a infantil "língua do P". Aquela mesmo, que a gente achava que era super secreta e que só a gente entendia, mas que no fim todo mundo estava entendendo e fingia que não só pra não magoar os nossos sentimentos ingênuos sobre o nosso "segredo".
O grande problema disso é que, em primeiro lugar, somos adultos, e faz sentido agirmos como tal. E ser adulto é, em princípio, assumir uma postura madura de que é necessário cuidar para que os outros sintam-se acolhidos pela sua presença, e não repelidos. Claro que esse é um conceito meu que está relacionado a procurar expressar o amor de Cristo. Não podemos julgar os outros, e na verdade, todo cristão tem por missão geral incluir o próximo no amor do Pai, e isso só pode acontecer quando a pessoa se sente acolhida, amada de verdade, e não é falando um outro idioma perto dela que isso vai acontecer. Isso não pode ser confundido com procurar agradar a qualquer custo, porque isso é outro papo, mas definitivamente passa por se preocupar com o sentimento alheio em relação aos nossos usos e costumes, nossos hábitos e nossa cultura, sem deixar de lado nossos princípios.
Um parêntese: quando fui a Londres pela primeira vez, eu não tinha compreensão de que falava inglês de modo tão desembaraçado quanto falo, e por isso era muito tímida, e tudo o que eu tinha a dizer eu pedia pra pessoa ao meu lado (por alguns dias, até que eu cansei e tentei por mim mesma, e no fim foi a melhor coisa que fiz). Nesse tempo em que eu dependia de outros, eu comecei a me lembrar daqueles chineses e coreanos que estão espalhados por São Paulo, e que falam a sua própria língua, independente de quem esteja do lado. Acho que isso traz uma segurança de se sentir livre, e ao mesmo tempo, o conforto de saber que não vai dizer nada que não queria para quem é mais próximo de você. Por outro lado, soa muito rude da parte deles, e gera sempre uma desconfiança que não ajuda em nada.
Entendendo os dois lados, claro que fico entre a cruz e a caldeirinha, mas sendo bem honesta comigo mesma, e com o que viemos fazer aqui, precisamos a todo custo falar apenas em italiano pelas ruas. Não adianta usar desculpas: elas só atrapalham e adiam aquilo que nos propusemos a fazer, que é anunciar (portanto, falar) as Boas Novas do Senhor!

domingo, 6 de novembro de 2016

Um mês de Italia - primeiro balanço

E de repente, passou um mês. Ok, eu sei que não escrevi tudo na ordem, mas decidi que é melhor escrever mesmo fora de ordem do que simplesmente deixar passar. Aliás, eu contei aqui que nos últimos dias não tenho mantido a ordem pra ser honesta com quem venha a ler, mas é o tipo da coisa que se eu não conto, pouca gente (ou quase ninguém) vai notar, e de verdade, eu poderia cumprir meu papel assim. Mas, isso nos leva ao primeiro aprendizado do período.
Uma das coisas que vejo como fundamentais pra que isso funcione é o fato de ter alguém pra prestar contas. Viver no exterior, morar "sozinha", não ter pessoas ao redor em situações fundamentais, nos dá uma liberdade que, pra quem nunca teve, pode ser benção ou maldição. Exagero? Talvez, mas pense nas vezes em que você, morando sozinho, decidiu não ir ao supermercado simplesmente porque podia não ir. E lembre-se quantas dessas vezes algumas horas depois você se arrependeu da decisão simplesmente porque lembrou em um momento prático de que seu papel higiênico acabou, e que ir ao mercado não era apenas um passeio para adquirir gordices... ter a quem prestar contas (claro, não do papel higiênico mas em geral) pode ajudar demais a pessoa a se organizar, se forçando a ser alguém que sempre considera um outro alguém na sua rotina, o que faz com que sua visão saia do seu próprio umbigo e as coisas funcionem melhor pra todo mundo.
Outra coisa: o italiano (brasileiro que mora na Italia costuma ter o mesmo hábito) gosta de reclamar e ponto. Não importa se você tem motivos ou não, o barato é reclamar de alguma coisa. Se não tiver nada, o italiano é capaz de reclamar (mesmo que discretamente) da sua sombra, ou de que esqueceu de algo, ou simplesmente de qualquer nuance que ele mesmo possa considerar pra reclamar. Isso é uma escolha cultural, e não é reclamando do hábito deles de reclamar que vamos mudar alguma coisa. Portanto, identificar isso e sempre levar em oração a Deus é fundamental para não se tornar também alguém que fica preso em reclamações constantes.
Uma coisa que assusta (pra mim pelo menos) é como a cidade muda com as estações. No verão, o sol nasce muito cedo e demora loucamente para se por (o que me traz uma alegria imensurável no coração), mas vai avançando o outono, e você percebe que 17:30 já está tão escuro em Milano quanto estaria às 22 em São Paulo. Estranhíssimo, e é algo que, pra mim, é o mais difícil até o momento de lidar com elegância. Isso sempre me confunde o cérebro, e eu acabo achando que está muito mais tarde do que de fato está. Então me meto numa atividade no computador, e quando vou ver, está muito mais tarde do que eu gostaria. Com isso ainda não aprendi a lidar do jeito adequado. Veremos no balanço do próximo mês.
De resto, por enquanto, a chuva já não me incomoda como me incomodava em São Paulo (e mesmo não tendo carro uso a capa de chuva e minha botinha própria para a neve e fico sequinha e feliz) e o frio idem. Isso realmente é uma vitória e tanto pra quem tinha vontade de chorar só de ouvir que a temperatura ia ser menor do que 17 graus em Sampa. Na verdade, pra mim uma enorme conquista!
Morar em um lugar com pessoas desconhecidas tem seus desafios, mas percebo também que quando Deus nos coloca num contexto, a paz interior de estar no lugar certo acaba substituindo o restante, e mesmo os desconfortos são dribláveis.
Amo uma série de coisas da culinária aqui, mas senti falta de tapioca, até que achei um lugar pra comprar e descobri que por aqui é quase impossível não encontrar algo que se queira muito de verdade, e com isso também foi mais simples fazer adaptação da alimentação. Isso e o fato de que achei com menos dificuldade itens sem gluten para comprar no mercado, o que realmente tem me ajudado muito.
Lidar com a falta da família e de alguns queridos é uma constante, e é algo que não pode se tornar um fardo. Ao mesmo tempo que é preciso queimar a ponte com o passado (no sentido de olhar daqui em diante apenas) tem certas notícias que vem do Brasil que abalam, e é essencial saber entregá-las a Deus e buscar ajuda com pessoas confiáveis pra lidar de modo sereno e firme, deixando na posição correta tudo o que acontece aqui e lá.
Por fim, os dias aqui passam rápido demais, praticamente voam, e esse é um desafio tenso porque, quando se vai ver, já passou o dia, já passou a hora, e o resultado prático pode ser frustrante. Aprender a lidar com o tempo é fundamental e com certeza fará toda a diferença nesse processo daqui em diante. Ainda tenho muito a aprender nesse sentido, mas confio que Deus trará o necessário para que tudo corra bem.
Sendo assim, os primeiros 30 dias pra mim foram excepcionais. Saldo final: fora a coluna cervical machucada, só ganhos, seja pelas alegrias, seja pelos aprendizados. Agradeço a Deus por esse primeiro mês de muitos, pelo primeiro mês de uma nova etapa da minha vida, graças a Deus!

Mais um pouco sobre Roma

Em tudo o que nos dispomos a fazer acabamos, se dermos a chance, aprendendo uma lição em Deus. Pra mim, honestamente, fazendo um balanço, o aprendizado maior foi mesmo ver que é possível ver Deus em todas as coisas, e que a minha alegria não pode estar nas coisas que acontecem, ou mesmo nas orações que Deus responde com o "sim" que espero, ou nos livramentos que Ele me permite viver. A minha alegria, acima de tudo, está (ou deveria estar) no caráter Dele, no amor Dele que me amou primeiro, mesmo antes de eu nascer. Nada, absolutamente nada deveria mudar essa percepção do amor Dele por mim em momento algum.
Na sexta-feira, ou seja, do primeiro para o segundo dia de Roma, comecei o dia mal. Isso porque quase não dormi nada, passei mal a noite toda (provavelmente com algo que comi) e não consegui dormir quase nada, no máximo uma hora e meia. Isso em geral costuma acabar com a minha disposição, mas eu sabia que esse não era o momento para ficar indisposta, afinal, quando mesmo poderei voltar ali? Pois é, essa até pode ser uma boa razão, mas não é a razão correta. Isso porque, se for assim, no dia em que eu não dormir bem e estiver em casa (ou em um canto menos confortável que isso), significa que tenho motivos pra me sentir mal? Hum... não, porque Deus é bom e me amou primeiro de qualquer modo, e porque não cai um fio de cabelo da minha cabeça sem a permissão e o conhecimento Dele. Seguindo o dia, comi pouco no café-da-manhã maravilhoso do hotel, o que me deixou meio chateada de não poder aproveitar aquela dádiva, mas era melhor do que estragar mais a coisa toda. Escolhas...
Saímos pra passear, e como comentei, gastamos um tempo precioso de conhecer lugares que queríamos conversando com um guia turístico que além de cometer práticas abusivas não nos ajudou em nada. Com isso ficamos sem tempo para conhecer a Capela Cistina, e é a segunda vez que vou a Roma e não consigo entrar pelo mesmo motivo.
Seguimos para o Colosseo (conhecido como Coliseu em português) e ao chegar ali conversamos com uma senhora que vendia o passeio guiado e falava em português brasileiro (o que pode fazer total diferença por aqui). Claro que quando comprei, entendi que o guia também falava português, e claro, o guia falava... espanhol... e me veio uma vontade tão intensa de chorar que pelos primeiros dez minutos eu não entendi praticamente nada do que ele disse. Sim, eu sei, eu preciso decidir não detestar mais esse idioma, mas até lá a vida segue e eu preciso aprender que a alegria não pode estar em ter que ouvir um idioma que eu gosto. Então, me decido a curtir a visita, e quando estou ali no meio do passeio, meu "amigo" Morelli do comune de Milano me liga dizendo que faltou um carimbo em um documento qualquer meu e isso me desanimou de novo... que chatice esse processo, cheio de vai e vem, coisa mais burocrática, demorada e chata! Enfim, a minha alegria não pode estar relacionada ao bom atendimento do serviço público da Itália (até porque acho que se depender disso serei infeliz com uma certa frequência), então decido lidar com isso quando é mais adequado: na segunda-feira. E sigo na visita.
Termina aquela primeira parte e estou caindo de fome, não só porque não dormi e comi pouco, mas porque me esvaziei durante a noite... enfim, sem mais detalhes, procuramos algo para eu comer, e o que eu encontrei foi um sanduichinho caro e bem sem gosto. Sim, encheu um pouco a barriga, mas serviu pra lembrar que a comida não pode ser a minha fonte de satisfação também, já que como pra viver e não o contrário.
Seguimos para o próximo passeio guiado e a segunda guia também fala espanhol, mas mais baixo e com um sotaque italiano esquisitíssimo, o que é bem estranho, lembrando um carioca tentando falar outro idioma... claro, na linha de não se irritar com o espanhol, sigo decidindo que aquilo não me afeta, e vamos adiante curtindo o passeio. Ao final, demoramos pra achar a saída da parte de ruínas de Roma, e rodamos um bom tanto. Eu estava cansada, e a unha do meu dedo do meio do pé direito começou a reclamar junto com o calor, mas e daí, quem nunca teve uma unha mal cortada irritando? Sigo grata pela oportunidade de ver tudo o que Paulo e outros apóstolos (e claro, Jesus) viram ali na antiguidade, e sigo sonhando acordada com o que era Roma naquela época de Cristo.
Ao terminarmos ali, a fome pega firme e realmente precisamos achar um canto pra comer. Entramos no metrô rindo e fazendo piadas e comentário sobre coisas até tristes que ouvimos, como por exemplo, os tipos de execução dos condenados no Colosseo, e decidimos seguir não pra direção do hotel, mas pro lado oposto, pra comer em um lugar que parecia legal. Quando saímos do metrô e eu começo a andar, noto que meu celular não está mais ali... e de repente, não só estou no prejuízo material como acabei de perder todas as fotos da viagem. Isso me deixou triste, e como eu estava com fome, não foi nada legal, mas eu entendi que o celular compra-se outro, e que dinheiro trabalha-se para ganhar e seguir a vida, e portanto nada deveria abalar aquele momento. Seguimos pro lugar em que decidimos comer, e realmente foi uma decepção, até porque não conseguimos comer nada ali... e a fome foi apertando, e com o horário também apertado, começou a surgir a possibilidade de não dar tempo de comer nada antes de embarcar no ônibus de volta. Então, decidi que não sofreria por antecedência, e mesmo querendo desistir da viagem de ônibus e comprar outro bilhete pra voltar de trem mais tarde (com um prejuízo enorme caso escolhesse essa opção), resolvi seguir adiante feliz porque, no fim das contas, Deus me ama e sinceramente, tudo o que preciso eu tenho, e aquilo não deveria ter o poder de me fazer perder a alegria.
Quando chegamos no hotel, pegamos as coisas e corremos pelo metrô lotado e mal cheiroso de Roma. Chegamos na estação e o que deu tempo foi de comprar 3 saquinhos de batatas fritas e duas garrafas de água, que foram alegremente consumidos no retorno dentro do ônibus. Ao entrarmos, vi que ele estaria bastante vazio pelas próximas 3 horas, e decidi esticar minhas pernas e aproveitar, comendo as batatinhas como se estivesse no sofá de casa. Até uma cobertinha que comprei na ida foi bem útil pro momento, e aquilo restaurou meu ânimo, e eu cheguei à conclusão de que mais uma vez deveria agradecer a Deus, e não ser tão dura comigo mesma, já que ainda habito nesse corpo de carne e sangue. E curti feliz minha viagem de oito horas em que por apenas 2 tive alguém ao meu lado. Mesmo chegando bem tarde e enfrentando um frio cruel dentro do ônibus nas duas horas finais, foi excelente perceber que Deus sempre nos ama, e eu cheguei em casa e descansei.
O resultado disso? Bom, coisas boas e coisas ruins acontecem. O ponto é: como eu decido lidar com cada uma das coisas muda tudo. Nesse dia em especial eu decidi lidar com gratidão e com a certeza de que Deus estava cuidando de tudo, e de fato, estava mesmo. Se eu tivesse decidido permanecer chateada, eu teria sucumbido e acabado com a viagem da irmãzinha, que no fim acho que conseguiu curtir bastante. Eu teria acabado com a minha viagem também, e eu curti bastante. Ou seja, as coisas do externo aconteceram, mas a tristeza teve pouco espaço, e minha vida seguiu bem, e feliz com Jesus. Melhor escolha!!!

sábado, 5 de novembro de 2016

Aprendizados sobre Roma

Pois é, me meti a ir a um lugar com terremotos bem perto dali. E sim, saí viva. E mais: foi sensacional! Claro, não dei a louca e saí decidida a me enfiar num canto que teve terremotos próximos só pela emoção de brincar de roleta russa, até porque, como sempre "brinco", tenho uma filha pra criar e ainda filhos a fazer, então não posso me meter em qualquer encrenca. O fato é que um irmão da equipe tinha ido bem recentemente a Roma porque precisou resolver uma questão e com isso acabou confirmando que as coisas por ali estavam absolutamente normais, e com isso, aceitei o convite dessa irmã que, em princípio, foi para ter uma reunião de trabalho, mas acabou tendo bastante tempo livre e foi uma companhia excelente!
Como ela foi primeiro no dia anterior, eu encarei um trem bala saindo de Milano Centrale na quinta de manhã cedo. Isso foi bom porque, considerando a situação atual da minha coluna cervical, menos horas sentada sempre são um alívio. Além disso, o trem não balança e não pega buracos (por sinal, por aqui, nem os ônibus passam por isso quase), e isso ajuda demais a não enfrentar solavancos e ter uma viagem mais sossegada.
E esse é o lado muito gostoso de quem mora na Europa: é possível ir a uma série de lugares gastando bem pouco e curtindo horrores, vendo a história da humanidade, conhecendo cultura, aproveitando o país, e ao mesmo tempo entendendo que isso faz parte da vida do europeu comum. Sim, fazer missões na Europa dá ao missionário essa oportunidade, e sim, é bom demais poder dar uma esticadinha de um ou dois dias em uma cidade próxima para conhecer algo histórico ou simplesmente bonito mesmo. Por aqui, são duas coisas que existem às pencas.
Uma coisa que não muda na Itália (tem em Roma e tem em Milano pelo menos, só muda o formato): gente que abusa da ignorância alheia pra vender coisas pros turistas a preços absurdos e que, no fundo, não são exatamente o que deveriam ser. Em Milano, sempre é possível ver alguns africanos (e não é preconceito, são só eles quem fazem isso por aqui de verdade) vendendo as tais "fitinhas" (que na verdade são uns fiapos de algodão bem dos vagabundos) que, num primeiro momento (pelo discurso deles) você acha que são gratuitas, mas que em poucos segundos depois de permitirem que sejam amarradas ao seu pulso, tornam-se o centímetro de tecido mais caro do planeta. Em Roma o truque é diferente, e existem guias turísticos que querem te cobrar 50 euros pra fazer um passeio no Colosseo (mais conhecido pelos brasileiros como Coliseu) cujo bilhete de entrada custa 12 euros. E quando você pede pra negociar? Bom, eles não gostam, e se você pede pra pensar, eles dizem que não te deixam nem anotar o telefone pra tentar comprar mais tarde... fiquei chocada!
O hotel foi um presente de Deus à parte. Essa irmã conseguiu (naquelas coisas que só Deus explica) uma tarifa de 66 euros em um quarto que normalmente cobra-se 350 euros a diária. Ou seja: realmente presentaço do Papai! O hotel é ótimo, e embora a entrada pareça estranha (ele fica em um condomínio residencial) e o elevador acompanhe a arquitetura da cidade (aparenta ser milenar), as acomodações são excelentes, a cama ótima, o banheiro maravilhoso e tem até uns mimos pra quem se hospeda, como pantufinhas e coisinhas normais de hotel bem feitinhas (sabonetes, shampoos e coisas afins).
Cuidados por aqui? Bom, primeiro que é possível gastar um absurdo ou gastar bem pouquinho, desde que haja planejamento para a viagem. Segundo que fazer o que for possível andando é mais agradável do que pegar o metrô em Roma: eu não entendi bem mas por aqui o odor não é dos melhores (e eu não sinto cheiro mas... às vezes é inevitável) e a conservação é realmente precária do metrô. Em compensação, o que se faz ao ar livre é excelente, e a vista compensa cada quarteirão de sola gasta. Terceiro: não deixe seu celular à vista, meio que dando bobeira... nos avisaram e eu, que sempre presto atenção e cuido dele com carinho, tive o meu furtado no metrô em um momento de distração. Ou seja, não tem assalto à mão armada mas tem furto sim e acontece quando menos se espera.
Agora, por que visitar outros lugares na Itália estando em missões aqui? Além do aspecto cultural da coisa toda, para o cristão tem algo que fascina: quando se lê a Bíblia depois de visitar Roma, algumas coisas ficam quase que em 3D na imaginação, porque é muito mais fácil dar cor, movimento, cara e contexto para certas coisas que, por exemplo, o apóstolo Paulo descreve. Experiência simplesmente insubstituível!

terça-feira, 1 de novembro de 2016

A descoberta de uma preciosidade e muito mais

Hoje foi o dia em que planejei pra estar mais em casa, fazer mais coisas domésticas, e procurar organizar um pouco melhor a vida. Além de ter que lavar roupas, era necessário organizar algumas coisas na cozinha, já que o cozinheiro e o motorista se mudaram de casa e deixaram algumas coisas a organizar por aqui. Também era dia de fazer compras, e eu precisava mesmo definir algumas coisas, já que preciso mudar a alimentação e me organizar pra cozinhar mais vezes.
Mas, apesar disso, decidi que buscaria subsídios para começar a traduzir o material da igreja, e claro, precisaria mesmo de um dicionário de português para o italiano pra me auxiliar. Pensei também em comprar um dicionário em italiano mesmo pra aprender o significado de várias palavras e, ao mesmo tempo, procurar sinônimos que me ajudem. E comecei a procurar uma livraria pra isso. Pensei, pensei... e lembrei que pertinho do Duomo tem uma livraria, mas não sabia se era boa, e pedi uma indicação pra uma amiga aqui. Ela me confirmou e lá fui eu no centro da cidade pra fazer compras na livraria de material.
Chegando lá encontrei os dicionários que queria e pude também achar um livrinho que achei bem bacana. Ele se chama "io parlo brasiliano" e ensina aos italianos como falar em "brasileiro" uma série de coisas básicas do dia a dia, o que é bem legal pra quem mora aqui também, já que é só fazer o caminho inverso e ver que muita coisa pode ajudar. Fiquei feliz porque com ele posso ajudar uma pessoa por aqui que está com mais dificuldades no idioma, e assim eu treino também e todos seguimos melhor nessa jornada. Pronto, comprei ele, e também mais umas coisinhas. Quando vi, estava procurando a sessão de livros cristãos... e nada! Conversei então com o vendedor, que me explicou que os livros que eles têm estão classificados como religiosos, e que na maioria dos casos não existem vendas deles mesmo em livrarias comuns. Sendo assim, ele começou a procurar no seu sistema um livro que pedi do autor Joshua Harris e, apesar de não ter encontrado, ele me indicou uma livraria evangélica na cidade... eu achei um verdadeiro milagre, e lá fui eu até o meu mais recente achado. Que alegria!!! Encontrei o último exemplar de "Eu disse adeus ao namoro" em italiano, e comprei também um livro do Watchman Nee... fiquei tão feliz que me deu até vontade de ter uma livraria também.
Bom, saindo dali, voltei pra casa tão feliz e contente... e pude depois encontrar uma irmã aqui da equipe, e fomos ver uma algumas coisas, e acabamos vindo pra minha casa e depois fomos ao mercado. No caminho, encontro árvores com todas as folhas amareladas ou alaranjadas, com aquele tom incrível que só o autunno (outono) pode trazer à folhagem... e não resisti: registrei aquele momento. Confesso que, ao olhar aquela imagem, entendi o que Deus tem trazido para este tempo: apesar da beleza das folhas amareladas, com aquele tom que parece ouro, celebrando tudo o que foi vivido até o momento, existe a expectativa de que elas sejam descartadas e aos poucos, novas folhas (ou experiências) venham pra renovar completamente esse ciclo. Sim, no meio disso tudo tem o inverno, mas sei que até ele é passageiro, e necessário. Aquela imagem me trouxe uma paz e uma plenitude em Deus que até então eu não tinha sentido. E fiquei feliz como nunca de estar aqui.

domingo, 30 de outubro de 2016

Se eu acreditasse em Karma...

Como foi combinado com o rapaz do comune, lá fui eu com o meu assessor (aliás, parecia uma comitiva real, já que fui eu, ele, a esposa dele e um senhor que de acordo com a descrição deles é alguém que será sócio dele) pra receber o "ok" dos documentos no processo e receber a liberação para fazer a minha residência (ou seja, declarar oficialmente que moro em Milano) e com isso posso então ter a tal ricevuta (um recibo de que eu entreguei o processo e que ele está em análise) e fico então esperando passar o tal vigile (o guardinha da cidade que vai verificar se eu moro mesmo aonde disse que moro) passar. Depois que esse evento solene acontecer então tenho uma confirmação do comune e enviar o kit pedindo o meu "permesso in attesa" (ou seja, uma permissão dizendo que estou legal no país até que o resultado final da cidadania saia oficialmente e meus documentos italianos sejam emitidos). Chegando lá, depois de contar em detalhes o que foi que aconteceu com o meu pescoço e como foi que eu me virei no hospital, entramos e fomos falar com o homem em questão.
O homem não foi mal educado, mas também não foi aquela simpatia. Digo isso porque ele olhou e disse que o documento de nascimento do meu avô Vicente conta com duas variações do sobrenome do meu bisavô Eduardo, e portanto, ele (meu bisavô) poderia ter usado tanto o sobrenome Scrivani (que ele nunca usou por sinal) quanto Escrivani (que ele nem sabia que tinha aparecido em algum canto e portanto, obviamente não tem nenhum documento com esse raio desse sobrenome estranho) e que, por isso, é necessário apresentar uma nova via da CNN (certidão negativa de naturalização que é obtida na internet mas que precisa ser traduzida e apostilada como todos os demais documentos, o que só pode ser feito no Brasil) e que sem isso nada feito. Tentei argumentar explicando que era impossível que ele tivesse usado esse nome, já que não existia mais nenhum outro documento que essa variação aparecesse (até porque o próprio homem do comune tinha em mãos TODOS os documentos da vida do meu bisavô) mas foi absolutamente em vão. O cara estava resoluto e me devolveu tudo. Quando estamos saindo dali, um outro funcionário o chama e curiosamente o cognome (sobrenome) dele é... o mesmo do pai da minha filha!!! Achei no mínimo ridícula a coincidência e isso me rendeu piadas o dia todo.
Fora disso, rolou toda uma correria pra que a minha tradutora (que embora não seja uma macaca gorda quebra sempre um milhão de galhos) corresse pra emitir novo documento como o rapaz do comune queria, traduzir, enviar pra apostilar e deixar pronto pra minha mãe pegar com ela no mesmo dia e deixar com os pais de um irmão da equipe que, graças ao bom Deus, estão embarcando pra cá amanhã (o que me permite pegar os documentos no domingo e voltar no comune pro próximo capítulo dessa novela na segunda-feira).
Saindo de lá, fui com a esposa do assessor tomar um cappuccino refinado na Rinascente e batemos um papo interessante. De lá, fui almoçar com uma das moças da equipe, e pela primeira vez me senti realmente útil nesse contexto, porque pude parar e sentir o que estava acontecendo, e minha oração a Deus de ser útil foi atendida: pude lembrar de coisas pelas quais eu passei e compartilhei com ela sobre o que vivi e como Deus reverteu minha situação (na verdade, como Ele me orientou pra que eu revertesse o cenário péssimo que eu enfrentava na empresa em que trabalhei e que eu mesma tinha criado em grande parte com minhas posturas) e isso foi útil para que essa moça pudesse repensar algumas atitudes suas, de modo a trazer mais alegria e tranquilidade a ela (e claro, pra mim também). Dali fomos comprar um colar cervical, e eu dei mais umas das minhas "imigrantices" (palavra que acabei de inventar pros micos que os imigrantes pagam por quererem fazer mais do que dão conta): cheguei convicta na loja, super segura, e pedi à moça pra comprar uma "rachide cervicale"... quando ela se recuperou de tanto rir (sim, ela caiu numa gargalhada profunda, não se aguentou, coitada!) ela me contou que era impossível que eu quisesse comprar algo assim, porque o que eu tinha pedido era uma coluna cervical... eu tentei disfarçar mas só pude rir com a moça, e claro, explicar que eu queria mesmo um "colare cervicale" (que era tão mais simples, não? Se tivesse chutado me sairia melhor) e papo vai, papo vem, comprei e saí de lá feliz porque, apesar do apetrecho ser branco (o que não ajuda muito na conservação da peça) ele esquenta bastante o pescoço e com isso não vou precisar usar cachecol e vou ficar bem quentinha nesse tempinho que só faz esfriar.
Depois demos uma voltinha pra espairecer na Corso Buenos Aires, a grande avenida de compras de Milano, que não se parece com a Vinte e Cinco de Março em São Paulo (acho que se parece mais com um shopping paulistano de classe média à céu aberto) e encontramos mais gente da equipe, e com isso também conheci mais uma moça nova. Comprei também uma botinha que eu acho o máximo porque ela no pé parece um sapato comum, mas onde seria o cano da bota é feito do mesmo material das polainas. Pensa então a minha alegria!!! Confesso que mesmo tendo ficado um pouquinho larga, decidi arriscar usando uma meia grossa porque, de verdade, achei a peça o máximo, e não era muito cara... enfim, comprei feliz da vida.
Fomos pra casa dela (no Loreto, no centro da cidade) e de lá fomos para a célula. Confesso que no caminho paramos em uma loja de cosméticos e essa paradinha me inspirou a considerar um produto pra alisar cabelos (o que te faz ver que realmente quando a gente tem tempo pensa em cada futilidade...) e de lá fomos pra célula, e eu fui convidada a traduzir o que foi dito para as crianças italianas. Foi tão gostoso! Apesar de eu querer estar com o nosso pastor supervisor na célula de adultos, estar naquele momento de tradução foi tudo o que pedi a Deus, e foi mega legal, até porque sairam palavras que eu nem sabia que conhecia... foi realmente o máximo! Claro, tenho que aprender ainda horrores, mas foi bom por demais!
Ao final de tudo, conheci um fotógrafo de moda da Ucraina (Ucrânia em italiano) que mora no mesmo condomínio da célula e conversamos bastante em inglês, e acabei indo conhecer o estúdio dele, o que foi excelente. Por fim ficamos de manter contato, e eu creio que ele conhecerá Jesus nesse processo e muita água ainda vai rolar debaixo dessa ponte. Veremos... o que sei é que, quando a gente começa a se organizar pra que as coisas funcionem, de fato Deus acelera os processos e coloca toda a coisa pra funcionar. E quando isso acontece, dá-lhe agitação e emoção!

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

A reunião com nosso supervisor

Bom, esse é um post isolado porque merece uma atenção toda especial. Em primeiro lugar porque é uma honra mesmo recebermos o pastor supervisor de toda a Europa em visita aqui na Itália em menos de seis meses de obra. Em segundo lugar porque, como a equipe é relativamente pequena (se comparada com a de outros países aqui), ter uma reunião estilo "petit comite" é realmente algo sensacional. Em terceiro lugar porque é uma alegria ouvir um pastor tão amado, e que eu sei que tem um zelo tão grande pela obra.
Bom, dito isso, começo registrando aqui que a mensagem que ele trouxe causou reações diferentes no povo. Para mim, por exemplo, foi um alívio completo, já que ele começou falando que a nossa prioridade máxima é entender como é o italiano, como ele vive, como pensa, como funciona, o que ele valoriza, o que despreza, e assim por diante. A segunda coisa é arrumar a maior quantidade de atividades (que não prejudiquem obviamente as nossas atividades de célula) com pessoas novas, de modo que possamos apressar esse aprendizado e de fato criar novos relacionamentos. Outra coisa é que ele deixou claro que temos que ter como prioridade nesse primeiro ano nos estabelecermos como pessoas, tendo vistos, casas, empregos e relacionamentos de amizade com as pessoas aqui. Ele comentou que, fazendo isso, o Reino será estabelecido no tempo certo.
Mas, para ser justa, a primeira coisa que ele fez foi questionar se estamos sendo adequados ao nosso contexto. O exemplo dele foi o volume do nosso louvor, afinal de contas, brasileiros em geral gostam de música e de barulho, e assim que começamos a reunião, tratamos de cantar e agradecer a Deus no volume habitual, o que o deixou realmente preocupado, já que era de noite e estávamos em um prédio residencial na Europa. E embora isso tenha chocado alguns, pra mim foi um tremendo alívio, porque desde que estava no Brasil pensava que:
a) Deus não é surdo e não precisamos gritar;
b) Esse papo de que crente que é crente faz barulho é mesmo um costume que é apenas preferência mesmo de quem começou a espalhar esse lance por aí (e eu não estou nesse time, confesso);
c) Eu sempre pensei que uma das coisas que ganha muito alguém que não conhece a Jesus é o respeito nas pequenas coisas, e o respeito ao silêncio e às regras pra mim são duas coisas que acabam fazendo bastante diferença;
d) O louvor ou o agradecimento a Deus tem muito mais a ver com aquilo que temos no coração e atitudes do que com um discurso bonito ou belas canções, porque de nada adianta cantar bem e ser um estúpido com o próximo, por exemplo, como eu fui por muito tempo.
Por conta disso, imagina a minha alegria ao ouvir o que o pastor recomendou? Nossa... quase chorei de emoção e aplaudi de pé! Fora disso, ele disse que se for necessário pra nós gritar em oração, que façamos isso com uma almofada na cara pra não escandalizar os vizinhos da casa... kkkkkk... eu achei o máximo, mas sei bem como isso vai "contra" a expectativa da maioria das pessoas. Inclusive sei que alguns ali terão tremenda dificuldade de seguir essa orientação por conta de uma vida inteira sendo "abrasileirado" nesse sentido.
Agora, o mais importante de tudo o que ele disse foi que de nada adianta fazermos tudo isso se, em primeiro lugar, não tivermos vida de Deus em nós, e isso só se consegue com entrega total, busca da presença Dele, leitura da Bíblia, compartilhar, oração e muita sensibilidade em relação àquilo que Ele quer fazer em nosso meio. Além da vida de Deus, precisamos ter plena convicção daquilo que Deus nos chamou pra fazer, e que mesmo com medo (que não só ele mesmo teve e tem às vezes, mas até Paulo teve) o negócio é seguir adiante e enfrentar o medo, na confiança de que o Senhor é quem nos chamou e vai prover. Sem isso, morremos no caminho. Ou então, estaremos aqui só para conhecermos um novo país, uma nova cultura, ter outras oportunidades de vida... e isso até é algo legítimo em termos naturais e humanos, mas nada tem a ver com a obra que o Espírito Santo de Deus está estabelecendo na Itália neste tempo.
No fim, ele comentou também sobre como lidarmos com a ansiedade dos que ficaram no Brasil, aliviando em muito o peso e a pressão (pelo menos que estava sobre mim) de dar frutos imediatamente (ninguém falou isso mas, estando eu em uma equipe que só tem líderes, e eu sendo a única a não estar nessa posição, me sinto naturalmente cobrada a ter outras posturas). Ou seja, foi memorável, e pra mim um presente dos céus que guardarei pra sempre.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Um dia do amor fluindo...

Quando saí do hospital, pude então chamar o povo lá de casa pra me buscar, o que realmente foi uma benção, já que eu realmente precisava de uma carona... afinal, a cidade fica completamente deserta e não existem pontos de taxi em quase lugar algum de Milano. Fora disso, as linhas noturnas dos autobus (os ônibus) são escassas e nem sempre passam tão perto da gente. Bom, fiquei feliz demais de voltar de carro, mas confesso também que eu estava tão feliz de ir embora do hospital sem dor que se fosse necessário eu voltaria a pé pra casa sozinha, mesmo que isso demorasse duas horas ou mais.
No caminho para casa fiquei sabendo de uma discussão leve que rolou enquanto estive fora porque a moça que dorme no meu quarto resolveu lavar roupas depois da meia noite, e claro, por ser um prédio onde moram muitos idosos, o lugar é super silencioso e a lavatrice (a nossa velha conhecida máquina de lavar roupas) faz um escândalo danado, não por ser tão barulhenta assim, mas porque qualquer coisa chama atenção nesse silêncio todo, e porque aqui na Europa as pessoas definitivamente NÃO gostam de barulho em quase lugar nenhum. Basta dizer que quando um casal tem crianças, a probabilidade desse casal ter problemas para conseguir alugar uma casa é muito maior, porque ninguém quer ter como vizinhos pequenos que correm, choram, gritam e podem perturbar o ouvido alheio. Soa cruel mas é muito real por aqui.
Enfim, estava eu voltando do ospedale depois de ficar lá por oito horas mofando na sala de espera e, no retorno, escuto o relato da tal discussão e a indignação de ambos os lados (um me conta no carro, outro me conta em casa) e penso eu: "acho que eu colei chiclete na cruz...", mas na verdade, até rindo um pouco, porque no fundo, sei que estou aqui para ser luz e gostei da oportunidade de apresentar uma visão mais tranquila do conflito a todos, e eu vi que foi bem bacana o resultado.
Por fim, dormimos todos tarde, e na manhã seguinte o comune me liga dizendo que posso voltar ali pra andar com o processo de cidadania. Fiquei realmente alegre, e pude agendar pro dia seguinte, o que me deu a liberdade de ir a uma reunião que aconteceria hoje lá em Bergamo com o nosso pastor supervisor que veio do Brasil para nos ver, conhecer a obra aqui, e no meu caso, trouxe umas coisinhas que minha mãe mandou por ele (meu sabonete do rosto que tenho sentido tanta falta, uns antialérgicos e uma caixa do anti inflamatório que eu estou tomando).
Depois de dormir mais um pouco, agilizei a vida e fui com uma das irmãs da equipe para Bergamo, e ali conheci bem pouco da cidade mas entendi porque todo mundo diz que o lugar é lindo. Realmente me surpreendeu e eu pretendo voltar em breve ali.
Uma coisa que eu aprendi é que é possível ir por mais de um caminho a Bergamo saindo de Milano, mas que existem preços e tempos diferentes, e que não é porque você foi a Bergamo de transporte público que você vai voltar (porque dependendo da hora de retorno simplesmente não existem mais trens pra Milano e você vai precisar mesmo é esquentar um sofá amigo).
A última grande percepção do dia foi ver o enorme coração do pessoal da nossa equipe. Hoje a menção honrosa é em especial para o casal que nos recebeu, porque a moça, grávida de nove meses, abriu seu apartamento pra nos receber com alegria, e o rapaz, depois da reunião terminar, perto da meia noite, se dispos a trazer a galera até em casa em Milano (detalhe: chegando em casa, ele corre para o hospital porque a bolsa da esposa rompeu-se e a mais nova princesinha da equipe nasce horas depois). Não é amor demais nessa vida por nós?

Ospedale, omeprazolo, puntura, attesa e medichi di base

Pois é, o que ontem era apenas um desconforto intenso hoje passou a ser praticamente insuportável. Comi pouco, e o pouco que comi vomitei, e passei o dia inteiro na cama, principalmente porque a dor era tanta (e depois a fraqueza passou a ser tanta também) que honestamente eu não consegui fazer mais nada além de tentar me livrar daquilo tudo. Comer não ajudou, dormir não ajudou, e eu não quis tomar remédio por não ter muita convicção de se o problema era na cabeça ou no estômago (ou ambos). Sendo assim, resisti em casa até cerca de cinco da tarde, e quando não aguentei mais, pedi indicações pro pessoal da casa sobre o Ospedale (hospital) mais próximo.
Como aqui na casa mora um autista (que, diferente do significado em português, ele não tem problemas, mas era uma solução, já que esse termo significa "motorista") e um cuoco (sim, um cozinheiro, que ajudou porque ele mora há anos na cidade e conhecia bem aonde eu poderia ser atendida), pude contar com ajuda para ir ao local certo e de carro, sem ficar vagando pelos transportes da cidade até me localizar, ou cair num hospital pago, ou algum outro canto que eu não soubesse chegar, e isso foi benção!
Lá fomos nós no trânsito do fim de tarde pro ospedale, eu ameaçando vomitar até o que não tinha no estômago dentro do carro, e os dois fazendo o que podiam pra chegar o quanto antes ali. Fomos ao Ospedale San Paolo (não, eu não senti saudades de casa... fui ali porque escolheram para mim) e lá dei entrada às 18:00. Confesso que a minha expectativa inicial era de sair dali em umas duas horas no máximo... mas fui traída pela minha total paixão por este lugar. Demorei, ao todo, oito horas para deixar o hospital, e os exames que foram feitos foram apenas de toque, sem exames radiológicos ou de outra ordem.
Algumas coisas que aprendi: em primeiro lugar, o italiano (de qualquer classe social) e o estrangeiro que está legal no país tem direito a uma coisa chamada "tessera sanitária", que é o equivalente no Brasil a uma carteirinha do SUS, que dá direito a atendimento médico gratuito. Com ela, você pode (e em casos com o meu, deve) acionar o seu médico de base, que nada mais é do que um médico que fica responsável por acompanhar sua vida médica em geral, de modo que, exceto em casos de emergência grave, é ele quem vai te atender dando prosseguimento ao que ele já conhece do seu histórico e é quem vai te orientar como proceder com o seu mal estar, eventualmente te encaminhando a outros profissionais especializados. No fundo, é o que conhecemos no Brasil como "clínico geral", mas ao invés de irmos a um posto de saúde, ganhamos um médico específico que irá nos atender sempre. Confesso que o conceito me agrada, mas ainda não tenho direito a ele, e por isso da peleja.
Outro aprendizado é que, mesmo não podendo estar no país depois de 90 dias, o governo tem uma estrutura (lenta e meio precária, mas que funciona) para atender inclusive os ilegais e os turistas de graça, que foi o meu caso. Significa que, se eu tivesse essa necessidade e não pudesse ter documentos, não morreria sem atendimento na rua.
Outra descoberta foi que o tal codice fiscale que o consulado italiano emitiu pra mim no papel no Brasil serve sim, porque ele foi usado para o cadastro no hospital.
Uma coisa que me ocorreu e que realmente foi super importante: se você é alérgico como eu (no meu caso, a Omeprazol) é essencial saber o nome do remédio e o nome do princípio ativo ao qual você é alérgico em italiano, para evitar problemas em eventuais atendimentos médicos. Pode ser útil também saber o nome do remédio que você pode usar no lugar daquele que te provoca alergia.
Caso você tenha que ir ao hospital, leve o carregador do seu celular. Não é permitido que seu acompanhante esteja com você depois da passagem pela triagem (que costuma acontecer nos primeiros 15 minutos de atendimento no hospital). Isso significa que todo o restante do tempo ou você estará se comunicando com as pessoas pelo seu whatsapp ou você terá bastante tempo para conversar com as pessoas ao redor, orar, meditar, chorar (porque vontade dá de sobra quando você vê o tempo passando e nada mudando, e mais ainda quando você reclama da demora e o funcionário ali diz que o que você está esperando é pouco...).
Duas últimas dicas: conheça bem os seus parentes no Brasil, e pense muito bem antes de contar a eles que você está no hospital. Não estou, em hipótese alguma, sugerindo que você deixe de contar a eles que esteve no hospital, mas dependendo de quem é e como é o seu parente, avise-o apenas quando já tiver sido atendido e medicado para evitar ansiedade desnecessária, já que a distância impede uma ação mais efetiva mas ao mesmo tempo causa uma enorme sensação de impotência do outro lado, o que só piora o quadro geral. E por fim, avise SEMPRE a equipe em que você está inserido. Avise sua liderança ou pelo menos um ou dois irmãos com quem você tem mais proximidade e que você sabe que se encarregarão de avisar o restante. Além de se sentir cuidado com as mensagens e orações que todos farão (e eu senti isso na pele) você tem a certeza de que não está só e que poderá ser amparado caso tenha qualquer necessidade.

terça-feira, 25 de outubro de 2016

Um domingo de novidades com sabor de missão cumprida!

Hoje tivemos o nosso primeiro encontro com Deus promovido aqui na Itália. Nesse evento, que aqui tivemos que compactar para algo em seis horas, pudemos ver o agir de Deus na vida de dez pessoas que estiveram conosco, e isso foi lindo. Bom, na verdade, eu consideraria mais uma, porque tem um senhor que sempre está conosco porque ele leva a esposa sempre às celulas, aos cultos, mas ele mesmo diz que não quer nada, mas sempre presta atenção e questiona tudo quando não entende. E mais: todos o amam, e ele sabe e sente isso, e arrisco dizer que ele se sente em casa em nosso meio. O dia que ele entender que Deus sempre esteve o cercando, ele será o cara mais apaixonado por Jesus que eu conheci neste lugar. Até lá, oremos!
Uma coisa interessante foi que me propus a fotografar e filmar, e claro, como todo primeiro evento, faltou aquele check list básico de equipamentos que eu estou cansada de saber que é necessário, mas que no fim eu acabei deixando de lado, o que não impediu muitas coisas, mas complicou pros irmãos que tem menos experiência. Combinei com eles que vou resgatar um dos check lists feitos no passado para compartilhar para sempre nos prepararmos corretamente, inclusive para os cultos, já que teremos cultos daqui em diante quinzenalmente (como o espaço não é nosso, tudo é montado e desmontado em cada dia de culto ou evento). Pra mim o filmar tem sido uma demanda cada vez mais presente, e de alguma forma eu já sabia que Deus me levaria a isso, então, me resta abraçar com unhas e dentes e seguir em frente nessa nova empreitada.
Uma outra coisa muito jóia foi conhecer o pessoal da célula de Bergamo, que eu ainda não tinha tido a oportunidade de conhecer. Nesse momento, o que mais me impressionou foi ver o quanto a igreja tem crescido em tão pouco tempo, já que em menos de quatro meses acabamos tendo 3 reuniões de célula na semana, ao passo que em alguns países da Europa, as igrejas com 3 anos contam com a participação de 100 pessoas (por aqui, somos quase 40 já em 5 meses).
Por fim de tudo, ao sair do local para voltar pra casa, senti muita dor de cabeça e um certo enjoo, e acabei, ao invés de aceitar o convite pra tomar um lanche com os irmãos no centro, indo pra casa, e piorando do mal estar, mesmo tomando aquela schweppes citrus (que sempre ajudou o estômago) e comendo algo leve. Enfim, deixei até para escrever esse relato em outro momento.
Cansada? Sim. Dolorida e enjoada? Muito. Satisfeita? Demais! É por isso que estamos aqui: para sermos instrumentos nas mãos de Deus para que uma nação inteira seja impactada com o amor Dele através de nossas vidas, e isso eu creio que hoje pudemos fazer.

sábado, 22 de outubro de 2016

Muito prazer: sou guia turística nas horas vagas!

Como um bom sábado, aproveitei e descansei. Na verdade, fazia tempos que eu não tinha uma noite de sono tão profundo, e acho que o fato de estar sentindo minha garganta começar a doer ajudou a eu ficar mais cansada, e com isso dormir um pouco mais profundamente. Tanto que nem reparei a minha colega de quarto chegar de madrugada. O que vi foi quando ela atendeu uma ligação pela manhã falando baixo, mas por estarmos muito próximas não tinha como ouvir a conversa, mas logo desliguei do assunto, virei pro lado e dormi outra vez. Foi bom poder fazer isso, e definitivamente colocar o sono em dia.
Infelizmente, os meus dias em casa tem sido mais dentro do quarto do que em qualquer outro ambiente. Isso porque tenho tido menos disposição de discutir certas coisas, e já percebi que ficar argumentando sobre religião, e ficar gastando tempo explicando que o que algumas pessoas pensam que é vida com Deus é apenas religiosidade, ou ainda só mesmo um grande engano já não é tão fácil quanto antes. Eu preciso mesmo achar um modo de ser mais paciente e doar mais meus ouvidos à lamentação alheia sobre o quanto a vida está ruim para que, no momento certo, Deus me use para dar uma palavra de esperança. Ou não: talvez Ele esteja mesmo me fazendo mais calada com aqueles que simplesmente querem reclamar, e não tem disposição de ouvir algo que, de repente exige uma mudança de postura, mas certamente vai trazer novos frutos. Sei lá, o fato é que nestes dias ando mais reservada em relação a coisas e pessoas em quem não vejo brotar o interesse verdadeiro de ter uma vida com Jesus (ou pelo menos algum interesse ou respeito pelo que eu tenho a oferecer). Por conta disso, em casa ando mais fechada mesmo.
De qualquer modo, tem seu lado bom: hoje eu assisti um programa de televisão italiano em que um apresentador vai a uma cidade e conhece quatro proprietários de restaurantes locais e eles vão conhecendo e avaliando cada um dos lugares, até que ao final um é eleito o melhor dos quatro e ganha um prêmio. Isso me fez ver que, apesar de estar começando a compreender melhor sem me cansar tanto ao me comunicar em italiano, percebo o quanto me falta pra ter um nível razoável de conversação no dia-a-dia, especialmente porque tem muita palavra que é gíria e que acaba sendo usada dependendo do ramo em que se trabalha. Isso me mostra duas coisas: o curso de italiano se faz cada dia mais urgente e sim, vou depender profundamente da Graça de Deus pra conseguir ser fluente no idioma em poucos meses. Mas, isso não me desanima, só me faz pensar que preciso rever meus planos e reajustar meus prazos de execução das coisas.
Por fim fui convidada por uma irmã da igreja a sair com ela e um rapaz que chegou faz uns dias na cidade e que amanhã embarca pra Napole. Não sei dizer como ela conheceu a mãe do rapaz, mas sei que ela acabou aceitando o pedido da mãe de levar o moço pra conhecer algumas coisas por aqui, e me chamou para ir junto. Foi um tempo bem gostoso, o rapaz é uma simpatia e é formado em gastronomia, o que nos fez ficar apostando quanto tempo ele vai levar pra desistir das emoções do Vesúvio pra abraçar o calor das mais famosas cozinhas da noite italiana aqui em Milano... também comemos bem (pra variar), e eu comi de sobremesa um biscoito que é recheado com gelato de fiori di latte (como que um sorvete de leite) coberto nas bordas de morango (mas tinha outros de nozes, pistacchio, chocolate e coco). Por fim, fui com o moço até a linha lilás e tive a oportunidade de conversarmos sobre a vida com Deus, e os motivos pelos quais estamos nesse lugar, a despeito de tudo o que deixamos para trás, pelo amor àquilo que nosso Papai de amor nos está propondo. Foi um excelente encerramento do dia, e voltando pra casa, fiquei feliz, grata a Deus, e pedindo pra que Ele envie muitas outras pessoas a quem tenhamos o privilégio de falar de Jesus, tendo como pretexto inicial dar um passeio para apresentar essa cidade linda que Deus nos permite hoje chamarmos de nossa.

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

Duas cidades cheias de semelhanças

Engraçado como Deus faz certas coisas... não sei se foi amor, misericórdia, graça ou um misto de tudo isso, mas Ele decidiu começar a vida missionária dessa paulistana apaixonada em uma cidade que, em diversos aspectos, é muito parecida à minha cidade de origem. Milano é, como já defini muitas vezes, a São Paulo da Itália. Curioso é que quando comecei a fazer essa comparação, definitivamente não tinha ideia do quanto ela é precisa, e como as duas cidades se parecem.
Bom, São Paulo é a cidade economicamente mais importante do Brasil, e Milano é a cidade mais importante nesse aspecto da Itália. Assim como São Paulo, Milano foi uma das primeiras cidades aqui a ser industrializada e modernizada, e por conta disso, tornou-se uma grande metrópole, que concentra não só diversos pontos culturais mas grande parte das pesquisas científicas nos séculos XIX e XX e também acaba por ser uma das cidades de maior influência no país. Fora disso, tanto São Paulo quanto Milano são cidades que parecem ser preparadas para adultos, e um dos seus pontos mais fortes é a vida noturna. A quantidade e a variedade de bares e restaurantes que se tem em ambas as cidades é absolutamente assustadora. Aqui também existem times de futebol fortes, e é por aqui que circulam diversas personalidades do mundo da moda, assim como é São Paulo no Brasil. Interessante, não?
Pois é... um outro ponto é: se tem alguma coisa que você quer encontrar nesse país, muito provavelmente vai achar por aqui. Não conheço a Itália tanto assim, mas depois de um passeio mais tranquilo hoje de noite pelo mercado (por sinal, um Carrefour... que coisa, não?), chego à conclusão de que poucas coisas não podem ser acessadas pelos milaneses, assim como acontece com os paulistanos. Por exemplo: encontrei fécula de batata, forma de fazer gelo (ok, só um tipo e em um preço que só alguém realmente apaixonado por comer aquelas pedrinhas que parecem vidro poderia encarar) e vários artigos sem glúten. Encontrei também feijão preto e latinhas de feijoada (que confesso não fazer a menor questão de experimentar, já que nem feijão preto nem feijoada me seduzem). Por fim, encontrei (e confesso que me deu até uma pontadinha de tristeza pela frigideira que larguei no Brasil) massa para tapioca. Não comprei, nem ousei tentar, mas em algum momento tentarei essa peripécia e relato por aqui no que vai dar. Já sei também por aqui em Milano aonde tomar caldo de cana e aonde posso comer um açaí (a qualidade? não tive coragem ainda de experimentar, considerando o custo de R$ 24,00 um pote pequeno... minha curiosidade não foi tão longe assim ainda). Ou seja, se tem alguma coisa diferente que se quer, por aqui é possível encontrar, especialmente se for comida.
Mas, uma outra semelhança que eu notei especialmente hoje foi em relação ao trânsito: hoje de dia aconteceu uma greve (anunciada previamente) nos metrôs, e isso fez com que muita gente saísse pelas ruas de carro (e quem foi afortunado como eu acabou escolhendo ficar pelo bairro mesmo, de modo que a greve passou apenas como mais uma notícia que se ouve por aí). E claro, ao final do dia, o trânsito tomou conta das ruas.
Pra quem esperava que gente estressada, buzinas sendo acionadas sem a menor necessidade, gente gritando e xingando efusivamente e carros alheios fechando cruzamentos fossem coisas apenas do Brasilzão, um alerta: acho que os brasileiros nesse quesito são mirins, porque por aqui, quando o povo dá pra fazer barbeiragem, os "brasilianos" ficam mesmo é no chinelo. Fora que os italianos tem uma variedade impressionante de palavrões a serem usados em inúmeras circunstâncias... em alguns momentos, parece até uma língua paralela. Em geral, são educados, mas quando perdem a linha, provam que (falta de) educação e (des)elegância não estão necessariamente ligados à geografia.
Hoje, confesso, me deu saudades das padarias de São Paulo, numerosas, com diversidades de pães, perto de casa e abertas até às dez da noite. Quando isso aconteceu, fui mesmo ao Carrefour, já que o mais próximo que existe por aqui é a Pasticeria, que é como uma padaria que funciona durante o dia apenas (mas que, graças a Deus, serve cappuccinos com ou sem chocolate... não é o máximo?). Também me deu uma pequenina nostalgia do delivery da pizzaria, já que as pizzas por aqui são tradicionais, mas nada que seja comparável às pizzas de frango com catupiry, com massas mais robustas, cheias de recheio e divisíveis em mais de dois pedaços. Contentei-me então com o meu pão de grãos, um queijo de cabra, uma espécie de patê feito apenas com azeitonas pretas picadas em pedaços minúsculos em conserva e um autêntico salame italiano, acompanhados por um pouco de chá a um preço maravilhosamente barato... Afinal de contas, uma das inúmeras semelhanças entre as duas cidades é a versatilidade de sua população, que aprende a aproveitar ao máximo aquilo que cada lugar oferece de melhor. :D

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Quando existirem muitas vozes, cale todas as que são secundárias

Hoje escrevo sobre algo que definitivamente pode não parecer nada prático, mas que é absolutamente imprescindível para que as coisas se ajustem e seja possível ir além, andar dia a dia na direção correta e não se perder no meio do caminho.
Conforme os dias vão passando, muitas coisas vão acontecendo, e muitas vozes vão surgindo. Quando eu me refiro a vozes, eu falo sobre pessoas que simplesmente surgem ao seu redor e que acabam falando coisas que pensam ou esperam de você ou de outros, e que acabam de uma forma ou de outra, se você não prestar atenção, te influenciando mais do que deveriam.
Claro, é necessário ter pessoas ao seu lado, especialmente em um contexto em que tudo é tão novo. Nessa situação, quanto mais gente confiável estiver com você, mais rápida e suave será a sua caminhada. Mas como discernir quem é confiável e para que? E mais: como distinguir quando essa pessoa está sendo uma ajuda ou simplesmente mais uma opinião bem intencionada mas infrutífera?
Conversar com imigrantes como você é muito importante, e realmente bastante útil, já que sempre existe uma informação importante a ser compartilhada (dada ou recebida, ou mesmo trocada e atualizada) ou um sentimento que pode ser acalmado com um abraço solidário de alguém que está passando pelo mesmo que você, ou que já viveu algo parecido e que, de algum modo, consegue entender como você se sente. Definitivamente o ser humano é um ser criado para a socialização, e esconder-se é, de alguma forma, matar o outro e morrer para o que vale a pena nesse mundo. Mas, ao mesmo tempo, conversar com outras pessoas, sejam locais ou imigrantes, exige discernimento extra, já que tudo aquilo que é dito, no momento da ansiedade, pode ser interpretado como verdade absoluta, e muitas vezes, aquilo que foi dito é uma experiência pessoal do outro, que é intransferível e você não vai viver, ou somente uma opinião, e como se bem sabe, opinião é como mãe: cada um tem a sua, e ai daquele que achar que a minha é pior do que qualquer outra...
Tomo tempo e espaço aqui para falar sobre isso porque, conversando com imigrantes (recém chegados ou que moram há mais tempo aqui), o que ouço com mais frequência é a necessidade de conseguir lavoro (trabalho), ou ainda a questão de como uma documentação faz diferença na vida ou não, e do quanto é necessário abrir mão da sua ocupação no Brasil para assumir uma posição de trabalho mais simples porque, afinal de contas, você é imigrante, e não é um nativo, o que é uma desvantagem natural que, somada ao fato de que não conhecemos o contexto local e nem dominamos o idioma, pode nos trazer grandes complicações.
Isso é verdade? Bom, por um lado sim, evidentemente dominar o idioma é uma vantagem excelente, e fazer-se entender é essencial, mas não é um documento ou um idioma a mais que necessariamente fará alguém conseguir ou não alguma coisa nessa vida. Pelo menos, não mais do que a determinação pessoal por obter o resultado, e muito menos do que a vitória que a promessa de Deus traz sobre a vida de cada filho Seu.
O grande lance é que o imigrante tende a se juntar com outros imigrantes, que claro, compreendem "a dor e a delícia de ser quem se é", mas com essa empatia vem também a ansiedade e o desânimo que muitas vezes acomete os corações de quem acabou vindo para a Itália em busca de uma vida melhor que, no fim das contas, não chegou como se esperava... e isso acaba contaminando a gente.
Nessas horas, é essencial voltar ao fundamental, silenciar tudo o que está ao redor, e voltar-se ao seu objetivo. Como fazer isso? Trancar as portas do quarto, parar de escutar outras pessoas, deixar de lado opiniões, relaxar, conversar com Deus e aguardar que Ele indique o que de fato Ele tem para a sua vida no dia de hoje, sem ansiedade, sem agitação, sem opiniões diversas, sem letra, sem peso, sem lei, sem condenação, sem dúvida. E seguir à risca o que Ele disser.
E depois? Agradecer. Afinal de contas, um coração grato pelo que já foi dado é fundamental para que exista o ânimo necessário de ir atrás do que virá. Além do mais, um coração grato abre portas, porque o sorriso no rosto de quem é agradecido é espontâneo, e hoje em dia, infelizmente, raro, mas é exatamente ele que chama atenção e que faz com que as pessoas ao seu redor se acheguem a você do modo correto, trazendo boas oportunidades para ambos.
Por fim, nada de se intimidar porque nem todos os dias são incrivelmente divertidos ou cheios de novidade: a vida ajustada é cheia de rotinas, e nem por isso ela é ruim. Se quero uma colheita farta, preciso abandonar os receios, as opiniões alheias muitas vezes, os conceitos aprendidos e mirar no alvo. Isso é o que fará a diferença, e ela não virá de apenas um passo, mas de uma sucessão de passos na direção correta. Por isso é importante sempre avaliar se a rota está de acordo com o caminho proposto: se não estiver, pode parecer que se desviar alguns metros seja um movimento inofensivo, mas é necessário apenas um passo em falso para cair em um buraco que atrase todo o caminhar, ou até impeça que sigamos adiante. Portanto, parar e alinhar sentimentos, pensamentos e vontade é necessário sempre que sentir que algo está fora do lugar. Como dizia uma conhecida minha: "vai devagar que eu estou com pressa!"

Mais um dia de desafios

Como nem todo dia começa fácil, o meu hoje começou cheio de desafios, e assim foi até o final. Por volta das quatro da manhã, um dos nossos colegas chega na casa e acaba acordando todo mundo, o que fez com que a casa inteira tivesse uma noite toda truncada de sono, e claro, dificuldades ao levantar. Pra ajudar, durante a noite, eu acabei tendo cólicas, e esse foi o maior desafio durante o dia. E claro, cólica e sono é ruim em qualquer local e em qualquer língua. Por isso, eu acabei demorando pra sair e, ao invés de me posicionar pra fazer o que era necessário, quando acordei, tomei remédio e deitei novamente, não só pra descansar da noite mal dormida, mas também pra dar tempo do remédio fazer efeito.
Quando acordei, pude então levantar e ir conforme combinado com a moça que mora comigo, na tal Agenzia Dell'Entrate, um órgão do governo italiano que não saberia dizer bem ao certo pra que serve, mas que no momento resolverá meu problema com o codice fiscale, já que eu tenho um emitido pelo consulado italiano no Brasil mas que por aqui não serve pra nada. Ali na Agenzia Dell'Entrate eles transformam meu codice fiscale em papel em uma carteirinha (a tal tessera) e com isso posso abrir a conta pré-paga do Postale (a tal postapay) e também posso usar esse documento pra outras coisas que se façam necessárias.
Uma coisa que vi quando cheguei na Agenzia Dell'Entrate é que, assim como no Brasil, existem eventos corporativos que comprometem o atendimento ao público, e tal qual acontece lá, hoje não foi possível fazer nada, e eles estavam apenas dando informações sobre como proceder. Isso também me fez pensar que ser imigrante é pagar sempre pela sua própria ignorância, porque se eu soubesse dessa necessidade e dessa opção antes, eu já estaria provavelmente com esse assunto resolvido.
Minha dica então pra quem vem a seguir é: depois de chegar em Milano, as primeiras coisas a se fazer são a tessera da ATM (o cartão para metrô, trem e ônibus) considerando a sua idade e o local de moradia e circulação (dependendo da área urbana que se queira circular o preço varia e a tarifa pode ser desde 25 euros pra estudantes e menores de 26 anos até 85 euros pra quem é adulto, não estudante e que more fora do perímetro urbano de Milano), a compra do chip para o celular (e de imediato optar por um plano pré-pago de internet porque isso é algo que usa-se praticamente o tempo todo) e a ida a Agenzia Dell'Entrate para resolver a coisa do codice fiscale na tessera porque, com isso, é possível fazer a tal postapay e não ficar preocupado com dinheiro em moeda, ou ficar usando cartão com IOF e tarifas bancárias no Brasil.
Depois dessa passagem rápida pela burocracia, tempo de fazer um passeio aproveitando as coisas boas da cidade, e claro, entre elas, comer bem e ver as coisas bonitas que Milano tem para oferecer. E sendo a capital da moda, nada mais justo do que dar uma passadinha em algumas lojas para olhar ideias, ver coisa e gente bonita, sonhar, e depois tomar um cafezinho delicioso com um docinho (que eu deveria ter deixado pra outro dia porque ando comendo mais do que o ideal) e arejar a vida. Encontrei um lugar em que são vendidas algumas coisas mais alternativas, como tintas para cabelo com cores realmente ousadas, capacetes pra lá de descolados, tênis cheios de estilo e muito mais coisinhas que eu acho definitivamente sensacionais! Ok, talvez eu não usasse boa parte delas, mas é o tipo de influência fashion que eu acho que se deve respirar numa cidade tão cheia de estilos e de história na busca do que é belo.

Voltando pra casa, tempo de descansar um pouco e recuperar a noite mal dormida. E quando se mora em casa com muita gente diferente é assim: quando dá, o negócio é aproveitar e dormir porque nunca se sabe se a próxima noite será boa. Além do mais, se irritar com os outros não só não resolve como também causa mais confusão e mais chance de ter problemas nos dias seguintes, então o lance é agradecer a Deus pelos momentos que Ele concecer de tranquilidade e fazer com que eles sejam bem aproveitados. Como estava todo mundo cansado, todo mundo dormiu e foi a maior paz. Foi o suficiente para que eu pudesse me preparar para o melhor momento das minhas semanas aqui: a célula. Ontem fizemos homenagem pro nosso lider querido, e foi ótimo porque através desse momento Deus falou bastante ali, e também nos momentos de oração, o que deu uma excelente renovada no que faltava pra tudo ficar melhor.
Por sinal, ontem conheci um rapaz venezuelano que foi a primeira vez na célula (nem sei de onde ele saiu) e conversamos em italiano. Foi ótimo porque estou ficando menos tímida para tentar falar cada vez mais na lingua local, o que ajuda por demais, afinal de contas, não quero chegar no final do ano e ver que não aprendi nada e que continuo com dificuldade de viver por aqui. Pra mim, uma questão de honra (e que eu tenho visto que não é só neurose, é realmente questão de ter as melhores opções e oportunidades) é dominar o idioma. Sem isso, e sendo nascida fora daqui, eu (e qualquer outro imigrante) fica condenado a empregos mais pesados, com menor paga e que não abrem tantas portas. Deus faz milagres, claro, mas a nossa parte precisa ser feita, e eu estou agora caçando um curso de italiano que, em nome de Jesus, vou encontrar em breve.

terça-feira, 18 de outubro de 2016

Andando mais que notícia ruim...

Hoje foi dia de rodar, rodar e rodar pela Zona 4 de Milano. Fui a uma série de lugares, e procurei mil coisas, entre elas casa com um amigo, tentei abrir uma conta pré-paga na PosteItaliane (que é o equivalente aos Correios por aqui) sem sucesso porque simplesmente os caras não conseguem aceitar o meu codice fiscale que o consulado italiano em São Paulo emitiu no papel não serve pra abertura de uma conta pré-paga mas também não conseguem justificar porque raios eu preciso de qualquer jeito ter o codice fiscale na tessera (que é uma carteirinha, ou seja, é o mesmíssimo número, emitido pelo mesmíssimo governo, mas é num cartão plástico e não em um papel). Enfim, canseira e enfado, deixa isso pra lá por hoje porque realmente depois de conversar em 3 agências eu decidi não me irritar e deixar pra pensar nisso amanhã.
Mas, fica a dica: o tal codice fiscale que o consulado italiano emitiu no papel pra quem foi até lá no Brasil serve mais ou menos por aqui. Por quê? Não se sabe dizer exatamente, mas alguns dizem que ele é provisório (?) e não pode ser usado para abrir uma conta pré-paga (!). Turistas também não podem ter contas pré-pagas aqui, portanto ou eles usam contas em seus países de origem acessíveis por aqui ou carregam seu dinheiro por onde quer que andem junto a si para evitar sustos. E sim, por aqui, pode ser mais seguro andar com o dinheiro do que deixar em um armário sem chave, porque o índice de assaltos é quase nulo, mas furtos eventualmente acontecem, como em toda grande metrópole. Por isso, não se engane: em horário de metrô cheio, o bom e velho hábito de manter a bolsa pra frente é válido. Fechar bolsos e bolsas também pode ser uma boa prática. Não vemos furtos assim tão frequentemente, mas eles acontecem e não custa evitar.
Por sinal, o momento inusitado do dia ficou por conta da ida a uma feira de rua (que eu lamento não ter feito fotos): eu e meu amigo paramos em uma das diversas bancas que vendem roupas (novas e usadas) e ficamos olhando as roupas, buscando preços... e quando percebemos, a dona italiana da barraca começa a gritar e nos expulsar dali alegando que estamos atrapalhando e que vamos roubar algo dela (?) e que aquele não é o nosso espaço... eu fiquei em choque, triste por ela, mas tive a oportunidade de ver que mais uma vez, esse é um momento e essa situação é um convite para que eu continue a fazer o certo mesmo quando a pessoa não o faz: ao invés de gritar, de xingar ou de perder a paciência, eu a abençoei e pude comentar com meu amigo que só vamos mudar a vida dela quando ela perceber que esse tipo de coisa não leva a nada, e que portanto, o que muda a vida das pessoas é a compreensão, o amor e a oração. Pode até não ter mudado a vida do meu amigo hoje, mas sei que do meu lado (além de aprender que quando a barraca é de um italiano o negócio é demorar o mínimo possível sem ficar pegando nas coisas) fica a tranquilidade de poder ver o quanto Deus mudou minha vida e como é possível fazer dessa mudança que Ele fez em mim algo bom na vida dos outros.

segunda-feira, 17 de outubro de 2016

Experimentando o amor do Pai

Hoje foi daqueles dias em que você pode prever como vão começar mas não tem ideia de como terminariam... e foi benção!
Em primeiro lugar, quando vim pra cá em junho, acabei conhecendo aqui uma moça que é de uma de nossas igrejas no Brasil, da cidade de São Caetano do Sul, e através dela fiquei conhecendo virtualmente sua amiga de escola que é brasileira e mora aqui há anos, a Renata. Isso aconteceu porque essa moça, a Allyne, ficou hospedada na casa da amiga e como andamos eu e a Allyne muito juntas por aqui, a Renata acabou fazendo contato comigo pra saber da amiga e prestar assistência. Dali em diante, conversamos em várias ocasiões mas não tínhamos nos conhecido pessoalmente. Ficamos apenas na intenção e na promessa de que, quando eu voltasse, nos veríamos.
A vida foi seguindo (tanto de lá quanto de cá) e num dado momento, a Renata me conta que está precisando de um documento no Brasil para que a sua cidadania por casamento seja reconhecida. Como eu estava lá e não me custava nada, eu resolvi ir atrás (era coisa simples, um atestado de antecedentes criminais) e preparei o documento pra ela. Fomos nos falando e assim que ficou pronto (alguns dias antes de eu voltar pra cá) combinamos que assim que eu chegasse eu entregaria pra ela a documentação e tomaríamos um café.
Demorou mas no fim das contas ontem conseguimos nos encontrar, e o que era para ser um café pela manhã transformou-se em uma pequena viagem à cidade em que ela mora (próxima de Milano) e também em almoço, lanche da tarde, visita ao PosteItaliane e também a uma amiga dela fantástica, a Regina.
Com isso, conheci um outro canto da região de Milano, e vi um pedaço em que moram diversas famílias imigrantes de vários lugares. É curioso porque tem uma cara completamente diferente da de Milano, não só pelo povo mas principalmente pelas construções mais atuais, mas ao mesmo tempo menos conservadas, e também pela cara de família que o local tem (diferente de Milano, que tem aquela cara cosmopolita de Sampa).
Apesar de ficar presa em um elevador (o que honestamente eu detestei porque já não sou fã de elevador), o dia foi excelente, e eu conheci pessoas amáveis, maravilhosas e me senti extremamente amada por Deus ao conhecer esse povo abençoado e tão acolhedor. Por sinal, tanto a Renata quanto a Regina são lindas, e eu nem sei bem porque não disse isso a elas, mas foi mesmo presente de Deus conhecê-las.
Felizmente para a família da Renata, eles estão de mudança amanhã para a Nova Zelândia, e eu pude desfrutar super pouco dessa companhia linda deles, mas felizmente pra mim, uma semente foi plantada, e eu notei que conheci pessoas super valorosas e que certamente Deus não colocou no meu caminho em vão.

Nada como pesquisar melhor o assunto antes de decidir

Pois é, hoje eu tirei a manhã pra resolver a vida, lavando roupas, o cabelo e organizando alguns pontos, já que parou de chover e deu até uma esquentadinha... isso foi realmente ótimo e eu não sei quando vai rolar de novo, então não podia perder a oportunidade, não é mesmo? Fora disso, não tinha planos inicialmente, então achei melhor mesmo sossegar um pouco e fazer as coisas de manutenção do cotidiano, porque nem sempre é possível, mas sempre é necessário. Aqui em casa temos aquela lavatrice (ou máquina de lavar no bom e velho português) que parece um eletrodoméstico da Barbie: ela é pequena e abre pela frente, dando a impressão de que é quase de brinquedo, mas até que cumpre bem sua função. O cuidado é para usar a medida certa de sabão ou mesmo de ammorbidente (o nosso querido amaciante de roupas). Uma coisa que vale mencionar é que, como em geral não existem lavanderias nos apartamentos, as lava-roupas ficam nos banheiros ou nas cozinhas mesmo, como se fosse uma lava-louças. Zero crise porque não muda a vida de ninguém esse equipamento nesses lugares; o que pega mesmo é não termos aquele cantinho especial para estender as roupas com mais espaço. Bom, para quem curte fazer uma fritura isso pode ser mesmo um problema porque, em geral, quase não existem casas e os apartamentos costumam ser bem pequenos, o que complica o processo de cozinhar coisas com cheiros fortes quando a roupa está secando. Para isso, o melhor é levar as roupas para o quarto, o que no meu caso aqui é sem problemas porque o quarto tem uma varandinha e, se está menos frio, colocamos ali as roupas - quando chove ou esfria, trazemos para dentro do quarto.
Por sinal, ligaram o aquecimento das casas ontem a partir das duas da tarde e realmente parece que a coisa faz diferença. De lá para cá vivemos uma situação um tanto estranha porque, ao mesmo tempo que o riscaldamento (aquecimento) foi ligado, o clima esquentou um pouco, e parou de chover, então agora, inesperadamente passamos calor nos ambientes fechados. Eu fico feliz porque não tenho parentescos com pinguins e acho o máximo poder usar camisetas em casa.
De tarde me chamaram pra ir a um shopping próximo de Milano mas acabamos não indo porque ficou tarde. Entre o tempo em que ficamos no plano e que saímos pra passear, eu acabei passando no supermercado, e descobri duas coisas: a primeira é que o removedor de esmaltes chama-se "solvente per ugnie" e vende-se normalmente em mercados e farmácias, como no Brasil; e a segunda é que no mercado vendem pastinhas de dentes que, claro, não custam o assalto que paguei ontem pela pasta que comprei... tem até as Colgate que eu detesto e que são bem mais baratas, e num momento de aperto serão mesmo a salvação. Isso me fez lembrar da minha mãe que sempre que ia às compras passava nos dois mercados que tem perto de casa, olhava os folhetos e comparava preços e só depois comprava o que queria (ou o que estava em preço que valesse a pena o estoque). Hoje ela não faz mais isso porque as coisas mudaram e também porque acho que, com a idade, ela perdeu um bom tanto da paciência que ela tinha para certas coisas... mas agora eu vejo que eu terei que adotar esse hábito mais vezes, já que mesmo sendo baratas as coisas do cotidiano por aqui, realmente não tem como ficar comprando as coisas no primeiro lugar que se vê.
Da mesma forma, ao final do dia, fui com uma irmã e dois irmãos pro Duomo passear, já que um dos irmãozinhos queria comprar um casaco. Eu achei a oportunidade interessante porque além de ser uma pessoa nova no meu convívio, ele é um cara mais fashionista, e isso poderia me dar ideias novas... e lá fui eu ousada, cheia de coragem e disposição pra olhar roupas. Até procurei um vestido de frio pra comprar, mas entendi que isso quase não existe (só na minha cabeça praticamente, porque em geral as pessoas usam vestidos de tecido fininho e casacões, e quando chegam nos ambientes, elas tiram os casacos e seguem as vidas felizes e aquecidas delas) e acabei meio que deixando de lado essa intenção. Por outro lado, comprei um gorrinho lindo de lã que me deixou mega contente, e conheci lojas novas com peças interessantes a preços acessíveis. Já o meu irmãozinho ficou feliz e triste (assim como eu com a pasta de dentes): teve seu desejo atendido, mas por conta da ansiedade e do senso de urgência descalibrado, acabou comprando um casaco por um preço consideravelmente maior do que o que achamos em seguida.
Por fim, vi na prática que não é só quando se trata de compras que esse cuidado precisa ser tomado, porque afinal de contas, quando a gente ouve uma coisa de alguém e não busca mais informações, a gente pode tender a classificar ou julgar uma situação de modo errôneo, causando alguns males que definitivamente poderiam e deveriam ser evitados... ou seja, o grande aprendizado é que não se pode ter preguiça na vida com Deus: antes de qualquer decisão, a oração, a calma e a pesquisa nos lugares certos são sempre as melhores práticas mesmo.

sábado, 15 de outubro de 2016

Estranhezas da imigração


Hoje o dia começou sem escovar os dentes simplesmente porque a pasta de dentes acabou e eu achei que tinha outra na mala e, claro, eu estava enganada! Sendo assim, fiz o que tinha a fazer em casa e no caminho pro metrô entrei na farmácia e comprei uma nova pasta de dentes. Se fosse no Brasil isso não teria nada de excepcional, mas aqui achei a coisa toda no mínimo diferente, e resolvi relatar.
Quase o preço de um rim!
Primeiro que quando entro na farmácia a moça do caixa dá "bom dia" (o que é bastante comum na Itália e em outros lugares na Europa - inclusive em Munique, na Alemanha, não é possível entrar em uma loja sem ouvir em menos de trinta segundos o tradicional "Hallo!" que é uma simpatia à parte dos alemães). Segundo porque, como ela viu que eu comecei a demorar, ela decidiu sair do seu posto para ver se eu precisava de alguma coisa a mais. Como eu só queria mesmo a pasta foi rápido, mas eu já tive que ir uma outra vez anterior na farmácia e, para comprar medicamentos, é necessário retirar uma senha para ser atendido no balcão de remédios, e ali se é atendido e paga-se pelo que se vai comprar. A terceira coisa é que tem uma infinidade de marcas que eu nunca vi e a única que eu conhecia era essa que comprei (a da foto), que por sinal custou-me singelos 4 euros (ou seja, R$ 16,00... um verdadeiro assalto!), o que me faz entender porque os europeus tem tantos problemas dentários: com esse preço fica bem mais complicado escovar os dentes três vezes ao dia, já que uma pasta de dentes cara no Brasil custa uns R$ 7,00 no máximo (em geral elas custam R$ 3,50). Mais uma curiosidade é que a textura da pasta é diferente, mas depois de escovar os dentes com ela até que ela funciona bastante bem, e os dentes ficam com aquela sensação gostosinha de limpeza, que quase te dá um alívio por ter pago o valor exorbitante que foi pago.
O tal benjamin
Outra coisa que me aconteceu de ontem pra hoje foi que eu não tinha a menor ideia de aonde raios eu tinha guardado o meu benjamin. Pra quem não conhece essa preciosidade, segue outra foto (ok, às vezes chamam esse troço de T ou de outros nomes). Aí você me pergunta: qual é o problema de perder essa coisa? Bom, considerando que no Brasil o pessoal fez a enorme gentileza de inventar uma tomada que não existe em nenhum outro canto do mundo, qualquer equipamento que você traga para a Itália que seja mais recente necessita de um desses para ser usado. Isso significa que ele funciona mesmo como um adaptador, o que por aqui é complicado de achar, já que obviamente eles tem apenas um tipo de tomada e portanto não precisam adaptar coisíssima nenhuma. Se fosse um pobre secador que acabei comprando outro dia, eu até deixaria de lado e procuraria uma outra solução (de repente até comprar um secador melhor), mas no caso o problema era recarregar a bateria do notebook, e esse não vai rolar trocar tããããão cedo... cacei em tudo quando foi canto, até que tinha desistido e, desolada, fui dormir, pensando que hoje acharia uma solução. E, de fato, hoje achei (não a solução mas o benjamin): estava na tomada ao lado do espelho do banheiro... graças a Deus porque não tive que procurar outro, o que me traria uma certa dificuldade.
Mais uma coisa que é diferente (pelo menos pra mim) aqui do que no Brasil é a telefonia celular: embora a conexão 4G funcione inclusive dentro de qualquer metrô ou trem e quase nunca a pessoa fique sem conexão, aqui percebo o quanto eu consumo de internet. Isso porque no Brasil meu plano era pós-pago e com um limite grande, e mesmo que eu não tivesse uma interrupção do uso dos dados automática ao conectar em uma rede wifi, eu não sentia isso. Por aqui, a vida é outra, e por não desligar essa troca de dados, já fiquei sem créditos duas vezes. O jeito vai ser mesmo fazer um planinho básico por aqui, mas ele não vai rolar provavelmente até o final deste mês, por conta de não ter documento ainda para tal ousadia. Bom, na realidade, estou assumindo que seja assim, mas não tentei fazer isso. Quem sabe fico inspirada e na segunda eu tento e conto pra vocês?
Mais uma coisa que eu vi que é meio óbvia quando a gente para pra pensar mas que pra mim foi surpresa (porque obviamente eu nunca tinha me questionado sobre isso) é a quantidade de horas de diferença entre o Brasil e a Itália. A primeira resposta que sempre me ocorreu foi: "aqui são cinco horas a mais do que no Brasil", e na verdade, não está errado. Mas, hoje me dei conta de que, dependendo da época do ano, isso não é verdade. Entre hoje e amanhã começa o horário de verão em São Paulo, e com isso a diferença diminui em uma hora (veja bem, não estou considerando nessa comparação outras regiões do Brasil... e pra falar a verdade, nem quero pensar porque é coisa demais a essa altura da vida para mim). Mas isso é tudo? Claro que não! Ao final do mês, por alguma razão ainda desconhecida por mim, a Itália também sofre uma mudança no horário, e com isso atrasamos nossos relógios em uma hora também, o que significa que a partir de novembro estaremos apenas há 3 horas de vantagem dos paulistas... como diriam os mineiros, coisa doida, sô!
Para concluir, descobri hoje também que o meu Nitin, se fosse italiano, não seria um March, e sim um Micra...
Pois é... depois de tantas descobertas, acho melhor dormir (e deixar meu notebook feliz recarregando a sua bateria com a fonte conectada no benjamin/ T/ adaptador que eu achei hoje de manhã)!

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

O tempo e o lugar de cada coisa

Uma coisa que eu ainda sofro por aqui (e confesso que sofri menos da outra vez mas agora está bem mais complicado de lidar) é o tempo que se demora pra ir de um lugar a outro. Aliás, conhecer a cidade é um privilégio que facilita demais a vida, mas é realmente para alguém que mora há mais tempo. Não adianta ter a ilusão de que em uma semana será possível acertar todas as coisas, e muitas vezes, vejo que os mapas ainda me atrapalham e eu perco tempo e o rumo pra chegar em alguns pontos.
Por exemplo: eu me propus a ir a uma escola de italiano para estrangeiros para me inscrever em um curso que começará na próxima semana e é gratuito. Como eu moro há menos de 200 metros do metrô e a escola fica a duas fermatas (nome italiano para estação) na mesma linha, eu não demoraria mais do que meia hora para chegar tranquilamente ao local... isso se eu não tivesse me perdido e, com a chuva, gastado muito mais tempo do que o previsto para chegar na tal estação, de modo que simplesmente não cheguei à tempo na escola e por isso não consegui me inscrever. Esse foi o único contratempo? Claro que não! Aqui na casa, quando posso, converso em italiano com outros brasileiros, mas hoje soube por um rapaz aqui que outro dos nossos colegas riu de nós porque estávamos falando um pouco do que sabíamos para treinar. Feliz ou infelizmente, esse moço com quem eu conversava deixou claro que essa é uma necessidade de todos e que, caso ele ache bobagem, é só ele não fazer isso. Eu confesso que fiquei feliz e chocada, porque o mesmo cara que criticou faz curso de italiano. Vai entender...
Mais uma coisa: aqui existem quatro linhas de metrô, e em alguns pontos uma interliga com a outra. Eu moro atualmente perto da linha amarela, e em algum ponto lá na frente cruzo com as demais (nesse sentido, ela parece com a linha amarela em Sampa, já que é a linha que liga todas as demais na cidade). O ponto é que, por exemplo, para sair daqui e ir a um lugar poucos quilômetros ao lado, tenho que pegar a linha amarela, depois a vermelha, depois a verde e fazer quase um quadrado completo, o que por mais rápido que seja demora muito mais do que se fosse possível ir reto. De novo, parecido com o que se enfrenta em Sampa para sair da Vila Mariana e ir ao Brooklin: se fosse possível descer direto, seria quase uma linha reta, mas como não dá, pega a linha verde, vai até a Consolação, entra na linha amarela, vai até Pinheiros e pega o trem... e assim a vida segue. Às vezes parece mesmo que continuo na terra da garoa.
Outra semelhança é a impressionante mudança que a cidade sofre quando chove. O trânsito nas ruas fica consideravelmente mais lento, alguns bueiros inundam, os metrôs ficam mais lentos e todo mundo acaba carregando seu guardachuva e eventualmente molhando o outro no metrô, trem ou ônibus. Sim, isso acontece em qualquer lugar (eu acho), mas foi curioso, por exemplo, ver como eu acabei ficando por 25 minutos na fila do mercado para passar pelo caixa. Não sei se foi troca de turno ou se o povo fica mais lento mesmo no frio, mas fiquei sinceramente abismada com a quantidade de gente no mercado às duas da tarde e com a quantidade (pequena) de funcionários nos caixas atendendo naquele momento. E isso honestamente eu via raramente acontecer no Patropi.
Existem diferenças: por aqui não existem motoboys, e nem grandes e largas avenidas como a 23 de maio ou as marginais Pinheiros ou Tietê. Por sinal, as motos são usadas, mas eu não vi ninguém fazendo entrega de moto para lugar algum. Outra coisa que vê-se até que bastante é ciclista (claro que com chuva isso muda completamente) e a bicicleta em uma cidade plana como Milano não é apenas um método de se exercitar, e sim um meio de transporte bem comum, usado inclusive por muitos senhores e senhoras bem vestidos. As ciclovias, quando existem, nem são tão cheias, até porque as pessoas parecem respeitar mais em relação ao espaço alheio, mas por outro lado, se você ficar no caminho de alguém, seja dirigindo um carro, seja na calçada, seja na ciclovia, tenha a certeza de que você ouvirá no mínimo um palavrão em alto e bom som, se não muitos, e vários serão acompanhados de gestos e você os entenderá quase que completamente, mesmo que tenha chegado no dia anterior na cidade. Linguagem universal é realmente algo muito forte.
O italiano em geral liga bastante para a aparência, então, é fácil identificar um estrangeiro (como eu): muitos casacos que não combinam entre si, a maioria deles inclusive esportivo, sapatos funcionais que não são tão bonitos assim, gorros e outros apetrechos que os locais se recusam a usar porque estraga o visual (e que eu não ligo a mínima, até porque eu já não ligava pra isso no Brasil, com esse frio aqui estou me preocupando menos ainda por agora). Mas, com o tempo, é importante começar a mudar a maneira de se vestir: eles infelizmente tem o mesmo hábito ruim do brasileiro de julgar os outros pelas roupas e sapatos, e isso pode fechar portas pra você de modo que você nem sonha que esteja acontecendo... sim, Deus abre portas conforme a vontade Dele, mas se até o apóstolo Paulo adequou seus costumes ao local em que estava para poder assemelhar-se ao povo e passar princípios, que dirá nós, pequenos ainda na fé e na caminhada? Boas estratégias precisam ser reconhecidas e imitadas. O outro lado da moeda é que, conforme a pessoa abraça essa necessidade, às vezes pende para o lado de valorizar demais tudo isso, e acaba perdendo o olhar de compaixão, misericórdia e graça que Deus procura e deseja dividir conosco a cada momento. Pra mim, inclusive, esse é um dos maiores desafios do missionário até o momento...

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Questões práticas sobre o frio

Ok, eu sei, deve mesmo ser chato ler quase todos os dias sobre o frio, mas sinceramente vejo o quanto isso tem nos trazido contratempos, então vamos falar mais sobre esse assunto.
Em primeiro lugar, roupas impermeáveis... elas ajudam por demais, não só porque cortam o vento mas também porque secam rápido, o que nesse clima enjoado é uma benção, já que as casas em geral não tem lavanderia e nem espaço digno para secar roupas. Isso significa que quando mais o tecido da sua roupa ajudar no processo, mais chances você terá de precisar de menos roupas para passar pelo período todo do frio.
Toalhinha salvadora
Outra coisa foi que eu tomei uma decisão no Brasil que, em princípio achei arriscada, mas confesso que foi uma das melhores coisas que fiz: deixei minhas toalhas felpudas e trouxe toalhas de montanhismo, que dobradas são minúsculas (pouco maiores do que uma mão fechada) e que são altamente absorventes e de secagem extremamente rápida. Eu realmente não esperava que elas funcionassem tão bem, mas posso dizer? É o que tem salvado o banho nosso (no caso, o meu) de cada dia (sim, eu tomo banho todos os dias, e quase todos os brasileiros que conheço que vivem no exterior mantém esse hábito).
Mais um detalhe: para quem não está acostumado com o frio (quase todos os brasileiros), gorros, cachecóis, polainas ou sapatos de cano alto e casacos corta vento são itens essenciais para o vestuário. Isso sem falar naquilo que o povo aqui chama de "cuffie", que nada mais é do que aquela tiarinha peluda que cobre as orelhas e evita que o ser humano tenha essa parte cartilaginosa do seu corpo para o gelo.
Para dormir, o piumino (que é o edredon deles) é um bom começo, mas nem de longe é a solução para os seus problemas: meias, calças felpudas, blusas idem e um cobertorzinho intermediário entre você e o piumino fazem muita diferença. Não seja tímido e faça uso de tudo o que dispuser. Um cobertor mais fino felpudinho custa cerca de oito euros se você pesquisar bem, e o investimento vale cada centavo.
Tomar água parece uma coisa sem sentido, mas não é. Vejo o quanto tomar muita água e comer frutas e verduras tem feito diferença em certas pessoas que se esforçam em manter esses hábitos. Quanto mais líquido se toma, mais o corpo consegue eliminar eventuais tranqueiras que tenha absorvido. Portanto, compre seu carrinho de feira e vá regularmente ao mercado comprar suas garrafinhas de água (até porque tomar a água da torneira que vem cheia de calcário não resolve de nada).
Por fim, faça muito uso de chás, cafés e outras bebidas quentinhas, mas tome realmente cuidado com o lance de consumir algo assim e sair imediatamente na rua. Parece coisa da vovó, mas antes de ter preconceito, saiba que aquela idosinha que gerou seu pai ou sua mãe tinham razão. Não dê chance para o azar e seja uma pessoa muito mais saudável nesse período de frio na Europa.